Crítica: Halloween

A sequência que Halloween precisava

Halloween comemora em grande estilo seus 40 anos como um dos maiores clássicos e um dos precursores do terror slasher. O filme ganha agora uma sequência que desconsidera todos os outros filmes da franquia até aqui (exceto o primeiro e homônimo) e traz de volta Jamie Lee Curtis, a eterna rainha do grito. Apesar de nunca ter sido deixada de lado, a franquia até hoje não tinha uma sequência de peso que fizesse justiça ao primeiro, mesmo já possuindo dez filmes.

Com uma trama bem montada e recheada de homenagens ao longa original, “Halloween”  é um filme de terror do subgênero slasher como há muito tempo não se via. Com uma boa montagem, trilha sonora bem posta, suspense bem criados, e mortes sangrentas e violentas bem arquitetadas, o filme prende e diverte. E assim nos recordamos o “por que” de Michael Myers ser um dos, se não o assassino serial killer mais frio da história do cinema.

A trama se passa exatamente quatro décadas após os acontecimentos do primeiro filme. Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) ainda é atormentada pelo fantasma de Michael Myers e isso fez com que ela terminasse dois casamentos e e também criou uma relação conturbada com a sua filha, a qual preparou toda a vida para enfrentar Michael Myers e preparou também a si própria, criando uma fortaleza segura onde estaria preparada caso Myers voltasse. Então, quando durante uma transferência Myers foge, exatamente as vésperas do Halloween Laurie se ver obrigada a defender-se é proteger sua família. Enquanto Myers deixa um rastro de sangue na caçada para o acerto de conta com Laurie.

Sem precisar prender-se na bagunçada linha do tempo criada pelas sequência anteriores e partindo apenas do primeiro filme, o roteiro consegue ter liberdade para criar uma história que se por um lado é recheada clichês, por outro funciona muito bem, até porque se tratando desse tipo de filme, clichê é regra e não exceção. E quarenta anos depois do acontecido, Michael Myers ainda inspira mistério por suas motivações e aleatoriedade para assassinar. Dizem que monstro é um termo relativo, mas no caso de Myers seria um termo definitivo. Usando de um artefato na história que se assimila do original o roteiro troca peças, mas mantém a forma de explicar a mente do assassino sob a visão do seu psiquiatra.

Mas agora a mocinha não é mais indefesa, quarenta anos após os acontecimentos em que perdeu amigos assassinados, Laurie é uma mulher forte apesar de assombrada, e que se preparou esperando o confronto com Myers a vida toda.

Jamie Lee está impecável quanto a atuação e rouba a cena quando sai de caçada para caçadora. Enquanto isso o novo elenco e personagens são introduzidos de forma natural na história sem precisarem se explicar muito, fazendo com que o contexto ponha cada qual em seu lugar e com suas características próprias é profundidades bem definidas.

O filme desmistifica o fato que alguns pregam sobre o tipo de pessoas que Michael Myers mata, seriam eles jovens, depravados. Como dito anteriormente, defini-lo como monstro seria correto, pois não há motivação somente aleatoriedade.

O diretor David Gordon Green, bebe da fonte do primeiro filme para levar a história, com alguns planos sequência longos em cenas que saem de planos abertos para planos fechados e abrem novamente mostrando uma visão ampla de todo ambiente e acontecimentos bem coreografados de forma sutil. Uma  coisa que não é muito usada neste e foi destaque no primeiro longa é a câmera subjetiva, mostrando a visão de Myers. E a grande diferença deste filme para o primeiro quanto a direção e a fluência da história é a agilidade nas cenas, e a quantidade de acontecimento encaixados no espaço de tempo do longa.

O design é outra bela homenagem que o filme faz para o longa original, trazendo já no letreiro inicial o mesmo estilo de arte mostrado em 1978.  E se formos falar em homenagem e nostalgia nesse filme, não podemos deixar de comentar a trilha sonora, inteiramente como a do longa original e que compõe perfeitamente as cenas.

Existem pequenos furos e cenas fisicamente inexplicáveis, coisas de praxe nesses filmes, mas que não atrapalham a experiência. Em determinado momento o filme até engana o expectador trazendo uma virada inesperada na história mas essa não dura muito tempo e as coisas voltam ao fluxo esperado

O ponto alto do filme e mais esperado durante todo longa é o embate entre Myers e Laurie, todo o enredo se desenha para esse momento. E nessa parte a direção brinca com referencias, cria bons momentos de suspenses e uma dose de drama e redenção.

No fim esse “Halloween”, rejuvenesce a franquia mantendo a raiz que fez a mesma se tornar uma das mais famosas se tratando de terror slasher. Entretanto, para o analisarmos este podemos esquecer todas as outras sequencias da franquia e nós resguardamos a vê-lo como um filme unicamente relacionado ao original.

Crítica: Halloween
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