Crítica: Heidi

Heidi é um carismático filme infantil germano-suíço, baseado no livro homônimo de Johanna Spyri, lançado em 1880. Depois de várias versões cinematográficas, a mais recente data de 2016 e é uma bonita história infantil que volta e meia é recontada.

Heidi é uma criança – no livro ela só tem cinco anos, no filme eles a envelheceram um pouco – de oito anos, orfã, que foi criada por uma tia, em um pequeno apartamento. Quando a mulher recebe uma vaga de emprego em outro país, a menina é deixada com o velho avô, rabugento e, dizem as más línguas, assassino. Os dois moram nas montanhas, longe da cidade, mas Heidi acaba gostando, conquistando o coração do avô, e fazendo amizade com um menino que mora em uma casa mais abaixo.

Acostumada com as montanhas e divertindo-se, Heidi é sequestrada pela tia, que a engana, e a leva para Suíça, para ser amiguinha de uma menina doente chamada Clara. Mesmo com uma grande amizade entre as duas meninas, Heidi não consegue se esquecer do avô, de seu amigo Pedro e da vida na montanha, acabando ela também ficando enferma. A criança acaba conquistando quase todo mundo por onde passa e fazendo falta na vida das pessoas que não a tem por perto.

Não há maneira de não se apaixonar pelo filme. É simpático, carismático e alegre, relembrando os clássicos infantis da década de 90 como Matilda e A Princesinha. Heidi é uma criança adorável, que com tão pouca idade tenta sempre tirar o melhor de cada situação. A positividade do longa cria uma empatia quase instantânea, tornando difícil não se apaixonar por ele. A obra de Spyri causa, sem dúvidas, afinidade e por isso sobreviveu por tantos anos e teve tantas versões cinematográficas e de animação.

Há um porém que deve ser mencionado. Não há uma sutileza em várias ocasiões. Elas acontecem de maneira cuspida, martelada, pontual, sem fluidez muitas vezes. É como se acontecessem porque devessem acontecer, porque no roteiro está escrito que isso vai acontecer e todos aceitaram assim. Como se alguém tivesse contado aos personagens como seria e eles simplesmente cumprissem com o combinado. Faltou uma sensibilidade para que as ações fossem vistas como parte natural da vida daquelas figuras. Não que isso atrapalhasse quem visse, mas pode causar um certo estranhamento e uma dificuldade de aceitar uma ou outra ocasião como sendo natural.

Entretanto, não há como estragar muito o filme. Todos os atores estão bem afinados em seus personagens. Obviamente, temos que falar da fofíssima Anuk Steffen, atriz que dá vida a menina protagonista. Muito bem no papel, a pequena parece estar mesmo se divertindo e se emocionando quando precisa, com um sorriso meigo e contagiante, que brilha na tela e causa muito empatia por sua Heidi. Bruno Ganz, o avô rabugento, também dá um show de interpretação. Desde o momento em que demonstra ser um velho turrão até ao que se torna um amoroso senhor (não há naturalidade entre esses momentos, mas não é problema do ator), ele não se perde na produção. O relacionamento construído entre ambos os atores na tela é crível e muito sensível, realmente bonito de se ver.

As imagens dos Alpes são fascinantes. Houve um cuidado muito grande para a construção desta produção, uma delicadeza no olhar colocado no filme. A neve, que em outras produções é sinônimo de tristeza ou de momentos de reflexão, aqui é utilizada como cenário para uma linda fotografia. A sonoplastia e a direção de arte também fazem um bom trabalho, entregando uma composição muito bem feita e delicada.

Alain Gsponer dirige este filme com paciência e apresenta um ótimo resultado. Não é uma obra infantiloide, e sim um longa familiar. Há uma doçura no modo como retrata Heidi e os personagens a sua volta, eles são críveis. Uma pena não ter conseguido dar mais fluidez ao roteiro, mas nada que o estrague de maneira irremediável.

Em tempo: há várias versões de Heidi, a desta crítica é a versão de 2016.

Crítica: Heidi
8.7Pontuação geral
Votação do leitor 12 Votos
6.9