Javier Bardem criticou o monopólio da informação e o impacto do populismo digital nos jovens.
O Festival de Cannes costuma ser o palco ideal para grandes estreias cinematográficas, mas o ator Javier Bardem aproveitou os holofotes do evento para promover debates muito além das telas. Em coletiva de imprensa para o lançamento de “El ser querido”, novo drama psicológico dirigido por Rodrigo Sorogoyen, o astro espanhol conectou os dilemas de seu personagem a problemas estruturais da sociedade contemporânea, como a violência de gênero, a geopolítica internacional e a manipulação da informação.
No longa, Bardem interpreta Esteban Martinez, um cineasta premiado e alcoólatra em recuperação que tenta se reaproximar da filha após 13 anos de ausência. A trama, que mergulha nas fraturas da ausência paterna, serviu de gancho para o ator refletir sobre o peso do machismo institucionalizado.
“Venho de um país muito machista chamado Espanha, onde mulheres são assassinadas mensalmente por seus parceiros e isso foi normalizado”, desabafou o ator de 57 anos.
O “comportamento machão” na geopolítica
Para o vencedor do Oscar, a masculinidade tóxica retratada na ficção reflete-se diretamente nas decisões de líderes globais. Em uma crítica contundente, Bardem citou figuras como Donald Trump, Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu, associando a escalada de guerras e bombardeios a uma disputa de ego tipicamente patriarcal. Segundo ele, o comportamento destrutivo desses líderes custa milhares de vidas, validando a urgência de produções cinematográficas que confrontem essa realidade através do olhar feminino.
LEIA MAIS:
Os Filmes Mais Aguardados do Festival de Cannes 2026
Quem Será o Próximo James Bond? | Diretora de Elenco Revela os Requisitos Cruciais para o Papel
The Legend of Zelda | Nintendo Surpreende Fãs e Antecipa Data de Lançamento do Filme
Ameaça à democracia e radicalização jovem
Outro ponto alto da declaração do astro envolveu o cenário atual dos meios de comunicação. Bardem demonstrou profunda preocupação com a consolidação de grandes monopólios de mídia — citando fusões corporativas de gigantes de Hollywood — e o avanço de discursos populistas e ultra-simplificados nas redes sociais.
De acordo com o ator, esse ecossistema digital prejudica a capacidade de pensamento crítico das novas gerações, abrindo espaço para uma perigosa radicalização política na Europa e nos Estados Unidos. Ele defendeu que a juventude precisa aprender a cruzar dados e contestar narrativas em um cenário onde, segundo sua visão, “não há mais democracia na mídia”.
Ao encerrar, Bardem reforçou seu papel como cidadão e artista diante de temas áridos, como crimes humanitários. Para ele, os fatos são incontestáveis e o silêncio diante de injustiças equivale à cumplicidade. Sem apresentar soluções definitivas, o ator enfatizou que o primeiro passo para a mudança é a coragem de denunciar e manter o debate público vivo.
Veja um trecho da fala do ator abaixo:
Via Deadline.
Imagem em destaque do filme “El ser querido”: Divulgação/Caballo Films


Sem comentários! Seja o primeiro.