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CríticaFilmes

Crítica: Missão: Impossível – Efeito Fallout

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
25 de julho de 2018 3 Mins Read

5117345.jpg r 1920 1080 f jpg q xA franquia Missão: Impossível prova de tempos em tempos que não é preciso indivíduos com poderes extraordinários para que se tenha super-heróis. Ou, pelo menos, não é necessário que usem fantasias, soltem raios pelas mãos e voem, já que Ethan Hunt (Tom Cruise) corre e salta de prédios como nenhum outro e sobrevive a situações que só um sobre-humano conseguiria. Tudo isso usando Jeans e jaqueta de couro. Se nos filmes anteriores Hunt era apenas um agente especial extremamente habilidoso, em Missão: Impossível – Efeito Fallout, ele passa a ser o salvador do mundo, aquele que sempre estará pronto para livrar nossa pele. Claro que colocá-lo para salvar o mundo foi o objetivo de todas as missões passadas, mas, em Fallout, a afirmação é feita algumas vezes. Como se os roteiristas gritassem à plateia: Aqui está o nosso Superman. Uma personagem até chega a dizer que se sente mais segura em um mundo onde sempre haverá Hunt para lutar e resolver uma nova crise.

Em relação à trama, basta dizer que terroristas roubaram cargas de plutônio (sim, plutônio) e ameaçam detonar bombas atômicas em várias partes do mundo. Então Hunt, Benji (Simon Pegg), Luther (Ving Rhames), Ilsa (Rebecca Ferguson) e o recém-integrado a pedido da CIA August Walker (Henry Cavill) precisam impedi-los. O problema é que questões pessoais entram em jogo quando o terrorista Solomon Lane (Sean Harris), preso pelo grupo no filme anterior, entra na história, além, é claro, da presença da ex-esposa de Hunt, Julia (Michelle Monaghan). Lendo a descrição dá para perceber que o roteiro de Efeito Fallout não possui nada de inovador. Tirando algumas boas reviravoltas, o restante já foi visto antes, inclusive nos próprios filmes da série. No entanto, há certo encanto em ver aqueles personagens na tela, fazendo com que passemos por cima de qualquer obviedade que possa estragar a experiência. Esse encanto, em parte, vem por causa de Cruise e seu extremo envolvimento nas cenas de ação que colocam sua vida em risco. Dessa vez ele salta de um prédio para o outro (quebrando um tornozelo no processo), pilota helicópteros e motos e corre como nunca (correr muito também não é algo novo para ele). Além disso, o entrosamento do grupo e o humor nervoso de Pegg conseguem dar ao filme um tom sempre agradável.

3577411.jpg r 1920 1080 f jpg q x

Todas as cenas de ação são em grande escala e se passam em cenários imponentes, porque, lembrem-se, não estamos falando de pessoas comuns e sim de super-heróis. Christopher McQuarrie entende isso e comanda sequencias que usam marcos com Paris e Londres como ferramentas para os malabarismos dos seus personagens. As famosas ruas estreitas da capital francesa são importantes em uma perseguição, assim com os tetos dos prédios da cidade inglesa. McQuarrie consegue aproximar o espectador a essas cenas usando alguns recursos do 3D, como em uma perseguição de moto que faz com que quase sentemos nas garupas. No entanto, o bom uso do 3D para por aí, deixando o resto apenas para nos dar dor de cabeça com seus planos sem profundidade.

Mas não é apenas de ação que vive Efeito Fallout, também há Sci-fi (carros de controle remoto e as famosas mascaras moldadas em tempo real) e romance (a atração aparente de Hunt por Ilsa e a volta de Julia) nas linhas do roteiro, o que dá um pouco mais de substância para a história, não se esvaziando apenas com explosões e tiroteios. Com todos esses elementos, fica fácil gostar do filme e apreciar suas qualidades, ignorando os elementos que talvez não funcionem muito bem. Os méritos no final vão para uma produção que sabe atingir seu publico e para um grande astro que sempre tenta se reinventar, mesmo estando em Hollywood há tanto tempo. Fica a lição para alguns outros que tentam, mas que não conseguem ultrapassar o genérico.

 

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CinemaDicasEstreiamissão impossívelMissão Impossível Efeito FalloutTom Cruise

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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