Crítica: O Aviso

O Aviso” é um filme espanhol recentemente lançado sob o selo “Original Netflix”, uma categoria de produções cinematográficas que tem se mostrado cada vez mais questionáveis com suas ficções-científicas e histórias de terror que falham em impressionar. Porém, o gênero agora abordado pelo diretor Daniel Calparsoro é um thriller de suspense e investigação, que se consolida no longa através de uma construção de mistério no estilo de M. Night Shyamalan, mas que cai em uma conclusão de novela da Record.

Na trama, adaptada do livro de Paul Pen, Jon (Raúl Arévalo) e seu melhor amigo David (Sergio Mur) param em uma loja de um posto de gasolina para comprar bebidas, quando o lugar é invadido por um homem armado que atira em David. Chocado com o acontecimento, Jon pesquisa a história do local e descobre uma relação matemática entre diversos acidentes que já ocorreram por lá. Ao mesmo tempo, acompanhamos Nico (Hugo Arbúes), uma criança de nove anos que, uma década após o tiroteio, desenvolve um fascínio pelo estabelecimento e recebe um aviso anônimo de que sua vida pode estar em risco.

O script é original o suficiente e consegue misturar bem as suas duas linhas temporais, já que em momento nenhum o enredo se torna incompreensível. Porém, o maior mérito para o roteiro, escrito por Chris Sparling e Jorge Guerricaechevarría, é o seu suspense e a investigação que um dos protagonistas faz sobre a história macabra da loja, que sofre um acidente todo dia 12 de abril, em um intervalo calculado de anos. Essa construção, contudo, leva a uma conclusão que é um pouco anticlimática e decepcionante, já que o que começa como um mistério indecifrável se torna bem previsível no ultimo ato da trama, se assemelhando a um final de novela para televisão.

Essa narrativa é traduzida para a tela através de uma direção que, apesar de eficiente, é tão básica que falha em se destacar de qualquer maneira. Calparsoro pontualmente utiliza todos os recursos óbvios e esperados de um longa do estilo, o que inclui a escolha de mostrar todas as cenas em flashback com um filtro de sépia, os planos detalhes nada sutis que revelam que Jon é um matemático consagrado e o uso de abundante de planos holandeses e de uma distância focal curta em qualquer sequência que o protagonista esteja sofrendo de abstinência de seus remédios antipsicóticos.

Outros aspectos técnicos do filme também caem na mediocridade, como a montagem, que não se preocupa em conectar muito os eventos de cada linha temporal e a trilha sonora, que saída diretamente de um programa de computador criador de stock music para tocar ao fundo. Outro aspecto duvidoso é um ataque de insetos feito em computação gráfica com efeitos bem artificiais – o que pode até ser justificado pela cena em questão se tratar de uma alucinação -.

O mesmo não pode ser dito das atuações, que trazem  vida a um filme que seria, em outro caso, mediano. Raúl Arévalo compõe bem o personagem de Jon, que sofre de esquizofrenia e da culpa que tem pelo acidente do amigo, mas ao mesmo tempo caça uma resposta lógica para os acontecimentos no local. Outros destaques são Aura Garrido, que interpreta Laura, a mãe super protetora de Nico, e o próprio Hugo Arbúes, que traduz bem a infância problemática de seu personagem, apesar de parecer consideravelmente mais velho do que o roteiro pede.

Por fim, “O Aviso” é um thriller que que prefere não arriscar muito, já que todos os seus aspectos permanecem em uma “zona de conforto” comum ao gênero. Porém, ele é bem eficiente na construção de seu mistério, e mesmo que não seja muito surpreendente, é capaz de entreter em seus 90 minutos.

Crítica: O Aviso
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