Crítica: O Menino que Fazia Rir

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Quando se fala da personalidade do povo alemão, o que vem à mente são pessoas sisudas e que não são afeitas a piadas. Ou seja, um povo sem senso de humor. Talvez, uma parte da culpa por esse estereótipo seja do cinema comercial, que faz dos alemães os grandes vilões de filmes que se passam durante as duas grandes guerras do passado. Por isso, espectadores de várias partes do mundo, que podem nunca ter visitado a Alemanha, ficam com essa imagem deturpada guardada em seu subconsciente. Bom, o filme “O Menino Que Fazia Rir” pode ajudar a “melhorar” a imagem do humor dos alemães ao contar a história do famoso comediante local Hans Peter Wilhelm “Hape” Kerkeling, ou apenas Hape Kerkeling (interpretado pela ótima revelação Julius Weckauf).

Dirigido por Caroline Link, que ganhou o Oscar em 2002 por “Lugar Nenhum na África”, o filme conta como foi a infância de Kerkeling e como surgiu seu talento para a comédia. Durante os anos 70, o garoto convivia com sua mãe, seu irmão, seus tios e avós. Essa enorme família quase não contava com o pai, que viajava constantemente a trabalho. Mesmo sem o pai na maior parte do tempo, o amor não faltou para Kerkeling, afinal, ele estava rodeado de pessoas alegres e gentis. Mas o impiedoso fluxo da vida trouxe tristezas que ele logo fez questão de contornar com sua arte. Todos os momentos difíceis eram subjugados por sua enorme capacidade de fazer rir por meio da atuação e da imitação.De certo, trata-se de uma trama agridoce sobre uma família que sempre está unida em festas e fins de semana. É daí que o comediante arranca seus primeiros risos, que serão amplificados pelo sucesso nacional que fará no futuro. Os seus primeiros passos são mostrados de forma simples pelo roteiro da própria Caroline Link em parceria com Ruth Toma. A simplicidade não é um demérito, já que a maioria das cinebiografias usa dela para mostrar a vida da pessoa retratada. Provavelmente, a simplicidade seja para que o foco fique no que realmente importa neste tipo de filme: a trajetória do personagem principal.

No quesito narrativo, também não há nada que saia do comum: a típica voz over, o colorido juvenil da fotografia e do figurino durante as cenas alegres que se transforma em cinza e em tons pastel assim que a melancolia toma conta; planos e contra planos e algumas situações expositivas estão presentes em um academicismo pujante. De novo, as escolhas feitas não são ruins e não atrapalham o filme de contar a história de uma das personalidades mais amadas da Alemanha até hoje; porém, se tivessem um tratamento um pouco mais imaginativo, poderiam proporcionar uma experiência cinematográfica mais satisfatória, que aproximaria o espectador à mente de Kerkeling. Com isso, o resultado é um correto drama sobre amadurecimento precoce e sobre a importância do meio familiar para a formação de um indivíduo. A constatação vem de uma frase proferida por Kerkeling já adulto: “Eu sou constituído das partes de cada um dos membros de minha família”.

Imagens e Vídeo: Divulgação/ Pandora Filmes

Crítica: O Menino que Fazia Rir
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