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CríticaFilmes

Crítica: O Passageiro

Avatar de Mauro Machado
Mauro Machado
26 de fevereiro de 2018 3 Mins Read

27993491 1805625953065144 5866807044189586099 oCurioso como, em tempos recentes, Liam Neeson se tornou uma figura fortemente relacionada com filmes de ação. Até mesmo na forma de memes, internet a fora, o ator se tornou um símbolo do gênero, o que é bem curioso se pensarmos a idade em que ele se encontra, quase como um herói de meia-idade. Foi “Busca Implacável” que popularizou tal conexão, e Neeson tem cada vez mais participado desse tipo de cinema, tornando sua carreira consideravelmente homogênea.

Dentro dessa safra, seu mais recente trabalho é “O Passageiro”, que não a toa se assemelha ao que existe dentro do estilo. O longa segue a história de um vendedor de seguros que se vê dentro de uma conspiração criminosa que culmina dentro de um trem, alterando sua habitual rotina. Esse contraste com o rumo que sua vida toma em apenas uma tarde é feito num eficiente contraste dado no início do filme, que estabelece seu monótono cotidiano. Ainda que seja um filme com alto número de clichês e escolhas convencionais, nota-se que há um esforço para que haja um número grande de influências colocadas aqui. Isso faz com que o gênero trabalhado seja, em essência, o de ação, mas contando com toques de suspense, investigação e até mesmo eventuais piadas. É possível traçar um paralelo com “Assassinato no Expresso do Oriente”, que logo vem em mente pelo cenário em que a trama ocorre.

Mesmo assim, não há muito o que salvar. Várias cenas são confusas e dirigidas com câmera de forma que não entendamos o que nos quer ser mostrado, e isso é piorado pelo fato de elas se passarem num trem, espaço apertado. O problema também aparece na montagem, que atrapalha tudo como uma bola de neve com o que já há de errado em tela. Fora isso, todos os personagens parecem sem importância, e até mesmo o background do protagonista soa fraco e mal construído em sua pequena tentativa de apresentar isso. Ademais, incomodam os diálogos excessivamente explícitos, que muitas vezes não mostravam se quer a necessidade de existir. Por qual motivo as ditas especiais habilidades que o protagonista adquiriu enquanto policial são mencionadas tantas vezes, por exemplo?

28060947 1805625209731885 4877662162952644786 o

No mais, nenhum aspecto da obra ressalta por qualidades positivas. Se há, como afirmado antes, algum esmero para surpreender o espectador, definitivamente não é pelo caminho certo. Há viradas de roteiro para isso, mas acabam todos sendo bastante repetitivos, e até tornam tudo meio cansativo. Ainda é um ponto que se torna ainda mais fraco se pensarmos que não há construção prévia que permita ao espectador sentir um impacto com alguma reviravolta que aconteça.

“O Passageiro” tem como maior mal, então, ser dispensável. Não inova em nada, embora o tente algumas vezes, mas falhando em praticamente todas. Aposta na fórmula de Liam Neeson enquanto ator de filmes de ação, mas se esquece que cinema é uma arte colaborativa, e portanto não funciona bem dependendo de um indivíduo apenas. Talvez seja um longa que agrade a quem é muito fã do gênero, do protagonista ou mesmo o público mais casual. Vale lembrar também que, a escala de ação é algo ao qual se deve atentar, já que “O Passageiro” torna as coisas grandes demais, pretendendo dar um tom apoteótico à elas. Se tivesse optado por uma história menor, mais contida em si, certamente os resultados teriam sido mais amenos, no mínimo.

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AçãoLiam Neeson

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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