34291c6bdf650fb782edbdca8ac54bea_xlAh, o cinema francês. Novamente o cinema francês. Aqui, a língua francesa está misturada com belas imagens americanas. Mas, como sempre, mostrar o sofrimento tem uma perspectiva diferente quando falamos do cinema francês.

No dramático O Vale do Amor, acompanhamos o ex-casal Gerárd (Gerárd Depardieu) e Isabelle (Isabelle Huppert) e seus dolorosos momentos como pais que perderam seu filho de uma das piores maneiras possíveis: ele se matou. Seis meses depois, ambos se encontram em uma região conhecida nos Estados Unidos como “O Vale da Morte” a pedido do filho morto e com uma promessa de que eles se reencontrariam.

Há muitas angustias que cercam o casal: ambos não sabem muito sobre o filho, passaram muito tempo sem vê-lo, não sabiam dos problemas que ele estava passando, não conheciam o companheiro dele, e por ai vai. E a falta de conhecimento faz com que eles carregassem uma culpa enorme e essa culpa vira atrito para qualquer coisa. Há um misticismo de que vão se reencontrar, seja lá por qual motivo, mas eles passam a ter fé nisso.

É diferente o modo como os franceses colocam os sentimentos no cinema. Bom, a grosso modo, cada povo tem um modo distinto de colocar sofrimento em sua arte. Os franceses tem um toque dramático que é próprio de sua característica. Há algo que aparenta sofrerem calados, mas há sempre algo grande em seus sofrimentos.E há algo teatral também no filme. Poucos personagens em cena, poucas músicas também nos momentos cruciais, algumas vezes apenas a trilha de suspense no fundo, fotografia ampla, que não tem pretensão de esconder nada. O vale, aliás, rendeu alguns momentos de lindas imagens, e um preenchimento do que pode ser a solidão humana. Os diálogos são cheio de frases fortes, firmes, de efeito, mas há também algumas cenas em silêncio, que apenas mostram a estranheza, o som do nada e nem sequer são preenchidos por uma música da trilha sonora.

Gerárd Depardieu é incrível em cena e não há novidade nenhuma em dizer-se isso. Seu “Gerárd” é um homem perdido, sozinho, com poucos amigos, ranzinza e quase sempre de mau-humor. Não há charme nesse personagem e também lhe resta pouca fé. Isabelle Huppert também esta excelente no papel da mãe que perdeu o filho. Sua dor, seu amargor, sua falta em saber lidar com a perda, tudo esta ali. Eles dois juntos fazem uma dupla ótima e não há nenhuma parte que falhe no jogo cênico.

A direção de Guillaume Nicloux é natural e da a sensação de que deixa os atores brilharem, porque sabe exatamente as estrelas que possui em seu filme. Não tem nada maior do que a história que esta contando e usa de todos os fatores, o vale da morte, a trilha sonora, a fotografia, os poucos personagens, para enaltecer seu filme e o transformar em uma bela obra.

O Vale Do Amor estreia dia 22 de setembro em todo Brasil.

 


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Marya Cecília Ribeiro

Marya Cecília é goiana de nascimento, mora em São Paulo há seis anos e ainda assim não consegue lidar com o clima 4 estações em um dia que rola nessa cidade.
Tem umas manias esquisitas, tipo ver um filme que gosta várias vezes, mas esta tentando lidar com isso (ou não). Falando nisso, ela não faz questão nenhuma de ser normal, então podemos apenas seguir em frente!

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2 thoughts on “Crítica: O Vale do Amor

  1. Há um ditado que diz: O pior cego é aquele que não vê o que acontece a sua frente.
    Pais são sempre os primeiros a se culparem das eventuais crises de seus filhos. E não sabem lidar com o fator de quando o filho sai do ninho ele sai pro mundo a qualquer risco.

  2. Gostei da crítica, só acrescento que o que os personagens principais buscam na verdade é sua redenção, o perdão de suas culpas, por conviverem pro resto de suas vidas com a verdade de o filho ter se matado e nem mesmo o conhecerem direito, pois o deixaram ainda criança após separação. Talvez o filho, sabendo desse sentimento neles, fez a carta com o pedido de irem ao Vale ao invés de um bilhete suicida. A parte mística fica mais na contrariedade psicológica dos personagens, que desejaram muito poder rever o filho morto. É um puxão de orelha na questão da família moderna que se tornou um punhado de gente egoísta vivendo juntos ao invés de se darem, de se conhecerem, de se preocupar mais com o outro, enfim, se amarem, piegas mesmo, mas de muita falta atualmente.

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