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Crítica: Paraíso Perdido

Avatar de Convidado Especial
Convidado Especial
10 de junho de 2018 3 Mins Read

paraiso perdido posterNo seu mais novo filme, a diretora Monique Gardenberg, não traz apenas uma história de romance para enfeitar o cinema nacional. O seu drama carregado de músicas sofridas e cores fortes, consegue ser um manifesto moderno sobre as formas de amar, mesmo que use a poesia de músicas que já acumulam décadas.

“Paraiso Perdido” conta a história de um bar em São Paulo, gerido por uma família de artistas, onde há performances das mais diversas, desde shows do neto do bar Imã (interpretado por Jaloo) cantando como transformista, até o ator Taylor (Seu Jorge) cantando com um visual da década dos anos 1970.

Todo o conflito do enredo começa quando Imã é agredido do lado de fora de um bar e um policial chamado Odair (Lee Taylor) o socorre e após esse fato o avô do cantor (Erasmo Carlos), acaba o contratando como segurança. O policial estranha o clima do lugar, mas descobre que o estilo de música e as pessoas que o compõem acabam sendo muito familiares, ele revela que é filho de uma ex-cantora que costumava tocar o mesmo repertório que vê ali, mas que perdeu a audição após a agressão de seu pai. A história se desenrola e o espectador percebe que a cada personagem que é apresentado, camadas e mais camadas de drama são expostas. Porém, nada fica gratuito, já que o roteiro é muito bem desenvolvido, mesmo que não tenha preocupação de mostrar uma história realista.

Paraiso perdido ilustração 4

O elenco inteiro do filme está afiado, até o Erasmo Carlos que é mais músico do que ator. Todos entregam atuações bem exageradas da forma que o enredo necessita, porém o exagero não está nos gestos ou expressões, mas sim nas emoções que eles tentam passar para o expectador, mesmo nas cenas mais sutis. Quem acaba roubando a cena sempre quando aparece em tela é o cantor Angelo (Júlio Andrade) que é um personagem que junta todos os estereótipos da música brega perfeitamente bem, seja quando está no palco e canta de forma caricata e cativante aquelas letras extremamente populares que tomaram o rádio nas décadas de 1970 e 1980, ou seja quando conversa com seu sobrinho Imã ou sua filha Celeste (Julia Konrad), os aconselhando de forma sincera e tentando dar lições usando as mesmas letras que canta.

Até pode ser justo de dizer que o filme é um musical, já que a trilha sonora não é apenas uma moldura, mas um recurso narrativo que acaba contando o que está acontecendo na cena com os personagens de uma forma tão eficiente que consegue quase ser uma narração em off. Esse mérito vem da direção musical de Zeca Baleiro, que já confessou em diversos momentos que é fã da música “brega”.

A diretora Monique Gardenberg, está desde “Ó pai, ó” sem dirigir um longa-metragem, mas mostrou que quando quer assumir um projeto, define muito bem qual é a sua assinatura. Mesmo que “Paraíso Perdido” tenha um tom muito mais lúdico do que o outro filme dela, o drama é tão rico quanto, e as cenas são extremamente gráficas. Boas escolhas, um roteiro bem lapidado e um elenco de peso fazem desse filme um grande acerto para o cinema nacional desse ano.


Por Fernando Targino

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9.5

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Tags:

Cinema NacionalErasmo CarlosJúlio AndradeMPBMusicalSeu Jorge

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