Crítica: Pássaros de Verão

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Quando se fala em carteis de drogas na Colômbia, o que vem à mente é Pablo Escobar e o cartel de Cali, mas poucos conhecem a origem do narcotráfico naquele país. Tudo teve início na década de 70 com algumas famílias indígenas que passam a produzir e exportar grandes quantidades de maconha para os EUA. Situadas em locais inóspitos do país, essas famílias criaram verdadeiros impérios criminosos, que entraram em guerras sangrentas entre si pelo poder. “Pássaros de Verão” de Cristina Gallego e Ciro Guerra conta a história, baseada em fatos, do que ocorreu naquela época.

O filme começa com um ritual típico de iniciação ao mundo adulto da tribo da qual faz parte Zaida (Natalia Reyes). Ela está pronta para casar e se mostrará para àqueles dispostos a pagar o dote a sua família, comandada com mãos de ferro pela sua mãe Úrsula (Carmina Martinez). O maior interessado é Rapayet (José Acosta) que promete juntar a quantidade de bois, cabras e colares para ser aceito como marido de Zaida. O problema para o rapaz é que ele é apenas um simples comerciante, que não tem todo o dinheiro necessário para o dote. Por isso, quando seu amigo Moisés (Jhon Narváez) consegue firmar um acordo com alguns gringos para venda de maconha, Rapayet vê oportunidade de conseguir o dinheiro.

Evidentemente, o negócio se mostra mais lucrativo que o esperado e os dois amigos se tornam homens ricos. Servindo como intermediadores entre os compradores americanos e o fazendeiro que produz a maconha, eles logo começam a enfrentar algo que vem junto com o dinheiro: a ganância. Os atritos começam porque Moisés não faz parte da tribo, é um forasteiro vindo da cidade e que não respeita as tradições e os costumes do local. Moisés, com sua predileção por festas e roupas extravagantes e por não hesitar em exterminar quem entra em seu caminho, parece o típico traficante saído de filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite.

São as ações de traficantes como Moisés que entram em conflito com as tradições dos líderes tribais que servem como estopim para a guerra. Uma guerra que trás à tona discussões sociológicas e políticas ligadas a um povo que sobrevivia por meio da união de seus membros e que agora é totalmente separado e massacrado por uma praga chamada capitalismo. A corrupção de famílias inteiras é feita através de mansões, carros e aviões. Rapayet agora é o líder que passa por cima dos anciões e que viola túmulos sagrados para guardar armas e dinheiro. Os ritos ficaram no passado e o que importa sãos os dividendos, nem que cabeças tenham que rolar no processo.

Gallego e Guerra enchem seu filme de simbolismos para entregar o que será do futuro dos personagens. Uma chuva de gafanhotos que destrói lavouras e nuvens negras que trazem uma chuva torrencial são dois exemplos presentes no terceiro ato. Não é spoiler dizer que histórias desse tipo terminam em tragédia, porque o cinema vive contando-as de diversas formas. Por isso mesmo que, apesar de ser redondo em seu roteiro, direção e atuações, “Pássaros de Verão” não causa grande comoção ou surpresas. Afinal, são situações intrínsecas ao ser humano e que todos que vivem em sociedade conhecem. Sociedades essas que podem ser em tribos isoladas ou em grandes cidades.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Arteplex Filmes

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