Crítica: Seis Vezes Confusão

Não satisfeita com a baixa qualidade de suas comédias recentes e a fim de relembrar alguns dos piores filmes da década de 90, a Netflix junta forças com Marlon Wayans (o artista por trás de “50 Tons de Preto”, e “As Branquelas”), para realizar a maior aberração fílmica desde o famigerado “Norbit”.

Com o fim da gestação de sua esposa se aproximando, o empresário Alan Daniels (Wayans), se vê triste por nunca ter tido uma família. Após uma dura conversa com seu sogro, ele decide partir numa viagem em busca de sua árvore genealógica perdida.

Talvez a melhor maneira de descrever “Seis Vezes Confusão” é dizer que ele é o filho feio de “Norbit” com “O Pequenino”, já que ele carrega as piores características de ambos, isto é: as representações raciais extremamente carregadas, e uma performance lamentável do protagonista.  

Ao longo dos 99 minutos de projeção, o que vemos é Marlon Wayans brincando de ser ator, ao mesmo tempo em que reforça vários estereótipos de negros na cultura pop norte americana. E, como se isso já não fosse ruim (e problemático por si só), a ineficiência da montagem deixa bem claro os momentos em que o Wayans está sozinho, já que corta sempre de um plano geral para um plano americano frontal de cada personagem isolado.

Se há algum mérito a ser destacado é a coerência da produção que consegue manter a mesma “qualidade” em absolutamente todos os elementos narrativos. Além da já citada montagem, o trabalho de cabelo e maquiagem é de dar inveja a qualquer turma de 1º ano de teatro, o enchimento para modelar os corpos dos integrantes gordos da família soam tão falsos que parecem ter sido feitos com pedaços de colchões velhos, e isso tudo complementando aos trejeitos grosseiros que o ator emprega a cada um dos irmãos, criando uma das experiências mais desagradáveis possíveis ao expectador.

Claro que tudo isso não poderia ter sido comandado por outro, que não Michael Tiddes (“Inatividade Paranormal”), que aqui, mais do que nunca, prova que não seria capaz de dirigir um carrinho-de-rolimã, quem dirá um longa metragem. Seu trabalho consiste basicamente em deixar uma câmera fixa em seus protagonistas enquanto eles reproduzem piadas como a do “gordo que prende o braço em busca de comida” ou a racista “mulher negra sendo escandalosa”.

Esse tipo de representação da mulher negra, tem que ser extinto e é perigoso para um filme (ainda mais com um alcance que a Netflix tem) reproduzir esse tipo de coisa. Para se ter uma ideia, recentemente, na sétima temporada de “Orange is The New Black, há uma citação de uma personagem branca ao falar a uma personagem negra: “Nossa, você é tão diferente dos outros… sua voz é tão não estridente, foi criada na igreja?”. Esse tipo de coisa deixa claro a visão da branca sobre o comportamento de pessoas de pele mais escura, e não é de estranhar que ainda há gente pensando assim, quando um roteiro afirma essa característica como sendo verdade. Mas é muito difícil pensar que isso passe pela cabeça de Marlon Wayans (e muito menos pela de Tiddes), cujo o humor vai sempre para os níveis mais baixos.

Com humor pífio e reproduzindo os piores estereótipos possíveis “Seis Vezes Confusão”  é um dos fortes candidatos a pior filme do ano


Imagens e vídeo: Divulgação/Netflix

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