Crítica: Snowden – Herói ou Traidor

De uns tempos para cá o nome de Edward Snowden foi um dos mais divulgados, falados e escritos no mundo. Ele passou a ser visto, insistentemente, como o botão de uma intrincada bomba que quando explodiu voou sujeira para todos os lados, manchando bastante a reputação do mais poderoso país ocidental: Estados Unidos. Sem surpresa nenhuma, depois de um documentário sobre ele, agora surge o filme biográfico.

Ed Snowden é um orgulhoso americano que quer servir seu país contra o terrorismo. Ele tenta se alistar como soldado e ir para o Iraque, mas servir a pátria dessa maneira não é o que esta reservado para ele, que por causa de uma fratura em ambas as pernas tem de desistir desse ideal.

Inteligente, mesmo sem concluir o Ensino Médio americano, ele é basicamente autodidata e aprende muito sobre tudo que lhe chama atenção. Essa sua perspicácia o faz entrar em diversos empregos sumamente importantes, o torna um detentor de um grande poder e cabe a ele decidir o que fazer com toda a informação que recebe.

O roteiro esta dividido em duas frentes: o passado, quando Snowden tenta entrar no exército e acompanha-o a partir daí, e o presente, que é o momento em que ele esta revelando tudo para Glenn Greenwald e Laura Poitras, jornalistas responsáveis por divulgar as informações passadas por Snowden.

A história já é conhecida e, como disse, foi muito divulgada. É o link que acontece entre o americano orgulhoso e o traidor da pátria que faz o filme acontecer. Como não poderia deixar de ser (para os padrões de Hollywood), o filme ainda foca um pouco na namorada de Ed, Lindsay, colocando nela alguns argumentos contrários importantes.

Encabeça o elenco o ator Joseph Gordon-Levitt, como o personagem principal. Sua caracterização está muito bem feita sendo completada com uma atuação comedida, como deve ser, visto que o próprio Snowden na vida real é bem discreto. Gordon-Levitt não é fisicamente parecido com o Edward, mas não é isso que deve ser avaliado e nem o que se faz uma boa cinebiografia (Ashton Kutcher que o diga!).  Shailene Woodley faz Lindsay, namorada de longa data dele, e mostra uma boa atuação, dentro do que é exigido, já que não fica muito claro se além de namorada, ela deveria ter outra função dentro da trama (por exemplo o de ser a consciência dele).

O filme conta ainda com uma participação de luxo: Nicolas Cage como Hank Forrester, um agente esquecido pela CIA depois de tentar fazer alguns questionamentos que não devia fazer. A participação, apesar de importante para o desenvolvimento, não é exigente com Cage, conhecido por ser um pouco limitado e escolher projetos duvidosos. Ainda temos Melissa Leo e Zachary Quinto, como os jornalistas responsáveis por vazar toda a história, fazendo um bom trabalho. As atuações do filme não são questionáveis, ainda que nem todos os personagens pareçam ter um verdadeiro motivo para estar ali dentro.

O trabalho de fotografia do filme o coloca quase todo o tempo como sendo algo real, suas cenas não possuem enquadramentos suspeitos nem sugestivos, mas em alguns momentos pontuais há um suspense, afinal, esse não deixa de ser um filme conspirativo. Há também uma escolha de câmera em mãos (já que a personagem de Melissa Leo é uma repórter cinematográfica) o que trás um certo ar de documentário.

Oliver Stone toma cuidado para não fazer desse filme uma lição de moral. Obviamente, há um posicionamento em relação aos assuntos contados, mas de uma maneira sutil e que deixa ao publico um poder de decisão em relação a se Snowden agiu ou não de forma correta.

Snowden, Herói ou Traidor estreia dia 10 de novembro em todo Brasil.

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