Crítica: Tô Ryca!

to_rycaEstrelado por Samantha Schmütz, o longa “Tô Ryca!” estreia no dia 22 de setembro e promete momentos de diversão e boas risadas.

Na comédia, Selminha (Samantha), uma suburbana carioca, descobre ser herdeira de uma grande fortuna. Até aí nada de diferente do que estamos acostumados, certo? – a pobre que fica Ryca e ostenta sambando na cara de quem um dia a maltratou. A originalidade (e boa parte da graça) do filme está na condição para que ela se torne de fato milionária: Gastar 30 milhões em 30 dias sem comprar nada para si ou contar para alguém sobre o desafio. E durante um mês ela inventa as maneiras mais inusitadas de torrar a grana, percebendo que não é tão fácil quanto parece.

O divertido roteiro peca no excesso de piadas prontas (ok! Vindo da Samantha Schmütz até elas têm graça!). A classificação indicativa ainda não foi definida, mas talvez porque a linguagem utilizada não possa ser considerada aquela “diversão para toda família”. Mas o humor é descontraído, sem grandes apelos.

A ambientação da fase “subúrbio” remete às zonas Oeste e Norte da cidade, transportando o expectador para a rotina da periferia, e trazendo um pouco da memória afetiva e dos sentimentos de pertencimento e empatia para quem conhece o cotidiano suburbano. Pelo retrato da (i)mobilidade urbana, que coloca o trabalhador em condições degradantes diariamente, relata o descontentamento diário, bem condizente com a realidade. E por isso, apesar da lição de que “tem coisas que o dinheiro não compra”, o filme mostra o quanto a vida é mais fácil quando se o tem (mesmo que ele não o faça abandonar o seu lugar de pertencimento afetivo).

Uma crítica que deve ser feita (vinda de alguém que é suburbana de nascimento, criação e coração) é a imagem caricata do suburbano. Os personagens são cafonas, falam errado e gritando. É consensual que há uma alegria em ser suburbano. Mas a visão estereotipada dessa alegria acaba por não ser representativa.

O filme também aborda de forma divertida o conservadorismo de algumas figuras políticas. No longa o candidato Falácio Fausto (vivido por Marcelo Adnet) tem propostas conservadoras e excludentes e é, ao longo da trama, confrontado por Selminha. Proposital ou não, acertaram no Timing!

O filme também narra a amizade de Selminha e Luane (Katiuscia Canoro), conferindo ao filme certa leveza e o questionamento de valores através do contraponto: “O que vale mais, o dinheiro ou as relações verdadeiras?”.

Com elenco de atores realmente divertidos (como Fabiana Karla, Marcus Manjella, Katiuscia Canoro e Marcelo Adnet) este é o último longa da saudosa Marília Pêra, o que o torna muito especial.

Em resumo: É um filme divertido, um pouco caricato, mas agradável. Vale conferir se sua intenção é se distrair e rir um pouco.

Crítica: Tô Ryca!
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