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Crítica: Tomb Raider – A Origem

Com mais de 63 milhões de cópias vendidas, a série de jogos eletrônicos Tomb Raider conquistou, desde o seu lançamento em 1996, uma legião de fãs ao redor do mundo. O sucesso nessa plataforma logo inspirou um movimento transmidiático: três anos mais tarde, a arqueóloga Lara Croft migrou para os quadrinhos e, pouco depois, também para o cinema. “Lara Croft: Tomb Raider” (idem, 2001) e “Lara Croft: Tomb Raider – A Origem da Vida” (Lara Croft: Tomb Raider: The Cradle of Life, 2003), ambos estrelados por Angelina Jolie, consolidaram de vez a heroína dos games na cultura popular.

Enquanto a personagem ganhava variadas adaptações, a empresa britânica Core Design continuava a desenvolver novos jogos. Em 2003, contudo, a péssima recepção de Tomb Raider: The Angel of Darkness apontava para um esgotamento da fórmula, contornado com eficiência no ano seguinte. Sob o comando de outra companhia, a Crystal Dynamics, a franquia conseguiu se revitalizar e, uma década mais tarde, alcançou sua terceira geração. Para comemorar o atual momento, o estúdio de games traçou uma parceria com a produtora de cinema GK Films, oferecendo suporte criativo para a elaboração de um longa-metragem. O resultado, “Tomb Raider: A Origem” (Tomb Raider, 2018), estreou hoje nas salas nacionais.

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O filme, protagonizado pela sueca Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa, Ex Machina: Instinto Artificial), acompanha uma Lara Croft mais jovem, antes de se tornar a conhecida arqueóloga de outras narrativas. Herdeira de uma fortuna, ela se recusa a aceitar a morte do desaparecido pai, o Lorde Richard Croft (Dominic West), e receber os benefícios de seu testamento. Em vez disso, junta o próprio dinheiro entregando encomendas pelas ruas de Londres. Quando descobre pistas escondidas em sua mansão, no entanto, resolve partir em busca de explicações sobre o paradeiro de Richard. Viaja, então, à ilha japonesa de Yamatai, onde enfrenta o violento Mathias Vogel (Walton Goggins), líder de uma organização chamada Trindade.

Com um nome sugestivo, o grupo criminoso remete rapidamente a uma parte da história do cristianismo. Essa possível associação se confirma no roteiro de Geneva Robertson-Dworet (estreante) e Alastair Siddons (Não Ultrapasse). A Trindade, na verdade, atua como uma espécie de Cruzada contemporânea, levando a “realidade” a um povo dominado pelo “mito”. A vilania de Vogel estabelece-se, portanto, na forma de uma imposição da ciência ocidental sobre a sabedoria oriental. Já o contraponto heroico de Croft, em vez de realmente combater essa visão imperialista, se perde em notáveis contradições: a salvação é europeia – apesar de os asiáticos escravizados se rebelarem, eles nunca assumem protagonismo de sua própria luta -, e a cultura do “outro” aparece apenas sob categorias do pensamento hegemônico.

Esperar complexidade do reboot consistiria, entretanto, em uma atitude ingênua. As versões cinematográficas de Tomb Raider, afinal, sempre se caracterizaram por roteiros pobres, compensados por momentos de eletrizante tensão e boas atuações de Jolie. Por um lado, a vencedora do Oscar Alicia Vikander mostra-se à altura da predecessora, aliando charme e força em sua performance. Por outro, porém, as sequências de ação construídas pelo diretor Roar Uthaug (A Onda, Fuga, Presos no Gelo) não repetem o clima dos filmes e jogos anteriores. Ao abusar de CGI, ele se aproxima de uma estética do video game, mas, sem a ação em primeira pessoa típica deste, afasta qualquer sentimento de perigo real.

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“Tomb Raider: A Origem” resulta, dessa forma, em uma retomada irregular de uma franquia igualmente irregular. Apesar dos esforços da injustamente criticada Vikander, problemas como personagens rasos, coadjuvantes ruins, um vilão caricato e uma direção insegura condenam a produção ao fracasso.

* O filme estreou hoje, dia 15 de março, quinta-feira.

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Carioca de 25 anos. Doutorando e Mestre em Comunicação e Bacharel em Cinema pela PUC-Rio.

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