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CríticaFilmes

Crítica: A Viagem de Fanny

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Convidado Especial
27 de junho de 2017 3 Mins Read
Um drama infantil na França da Segunda Guerra Mundial, que consegue ser inocentemente grandioso

162272.jpg r 1920 1080 f jpg q xFazendo parte da seleção oficial do Festival Varilux 2017, que aconteceu em 55 cidades do Brasil inteiro durante as últimas duas semanas, “A Viagem de Fanny” emociona, alegra e ainda transmite um belo recorte sobre o que era ser criança em uma época tão sombria vivida pela França no período da Segunda Guerra Mundial.

Baseado na história real, vivida e contada posteriormente por Fanny Ben-Ami em sua autobiografia “Le Journal de Fanny”, o filme acompanha oito crianças de uma casa de acolhimento que também servira como uma espécie de esconderijo durante a Segunda Guerra. Com o decorrer dos desdobramentos do período, elas precisam fugir e percorrer um determinado território da França em direção à fronteira com a Suíça.

Inicialmente elas são acompanhadas pela Sra. Forman (Cécile de France), mas o plano de levá-las para um ponto estratégico próximo da fronteira acaba falhando, e com o constate avanço das tropas alemãs pelo país, fica cada vez mais arriscado percorrer grandes distâncias. A partir daí, o desenvolvimento da história ultrapassa as próprias barreiras emocionais da personagem principal, Fanny (Léonie Souchaud), uma menina de apenas 12 anos, que apesar da pouca idade, ainda é a mais velha do grupo. Acompanhada de suas duas irmãs, Fanny tem o destaque necessário durante o início do filme, com a construção sutil de sua personalidade ainda sendo moldada. A ocasião excepcional força uma prematura obrigação de proteção e tomadas de decisões que fogem da naturalidade da vida que conhecemos hoje.

Formado por um elenco quase que inteiramente de crianças e jovens, a alternância da narrativa entre momentos que vão do suspense – pelas incertezas sobre o que irão encontrar durante a jornada -, chegando ao drama em cenas mais fortes, como quando a guerra chega realmente a fazer parte daquele universo, na interação direta com soldados alemães por exemplo. É neste ponto que percebemos qual a intenção da história que está sendo contada, embora sejam momentos de puro drama e apreensão, o diálogo e as interações entre as próprias crianças são normalmente de forma inocente, como convém a ser. Com todo o cenário ameaçador, principalmente marcado pela trilha sonora, é fácil esquecer que estamos assistindo um filme sobre a infância, e o que é ser criança.

A VIAGEM DE FANNY

A direção de Lola Doillon sobre as atuações de todas as crianças é algo a ser muito elogiado, embora sejam parte de um filme, antes de tudo elas precisam se divertir. A diversão faz parte do processo para elas, e de forma brilhante, Lola consegue encaixar momentos de pura inocência e alegria em cada ato do longa, sempre lembrando o espectador de que aqueles personagens, por mais afetados pela guerra ainda são parte de um mundo único e que só elas são capazes de acessar. Chamar um nazista de “monstro” ou “bobalhão” é algo natural, se eles existem ou não, é na cabeça de cada uma.

O fato é que, no entrelaçar destes dois mundos, o real e o das crianças, aos poucos as barreiras são lentamente ultrapassadas, e assistimos o crescimento de cada uma delas à sua maneira e tempo. É verdade que em quesitos técnicos como a fotografia por exemplo, o longa é perfeito, porém o diferencial desta produção francesa em comparação com tantas outras, inclusive a maioria que também está incluída no Festival Varilux 2017, é o seu conteúdo. Não necessariamente a mensagem que quer transmitir, nem sempre isto é o mais importante, mas a construção de uma narrativa inteligente envolvendo diversos personagens e seus conflitos íntimos perante o desconhecido. “A Viagem de Fanny” estreia no circuito comercial do Brasil apenas em 10 de agosto.


Por Guilherme Santos

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Festival Varilux

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