Após dez anos do lançamento do filme original, “Zumbilândia – Atire Duas Vezes” ganha às telas para mostrar por onde andam Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone), Columbus (Jesse Eisenberg) e Little Rock (Abigail Breslin). Ainda sob a direção de Ruben Fleischer, a sequência continua produzindo muito humor negro, proporcionando cenas de ação impossíveis e fazendo piada com a cultura pop. Também apresenta novos personagens, como a patricinha desmiolada e engraçada Madison (Zoey Deutch) e a valente Nevada (Rosario Dawson). Com toda a trupe reunida, o fio de trama apresentado é o que menos importa. Todos vão ao cinema apenas para mais um pouco de diversão.

Realmente, cada cena do filme de Fleischer é construída com um único propósito: entreter. Pode-se dizer que consegue seu objetivo na maior parte do tempo, principalmente nos diálogos certeiros entre os personagens, que soltam piadas assim como explodem cabeças de zumbis. Zumbis esses que são eliminados de formas criativas, como em uma sequência no terceiro ato que envolve um Monster Truck. Há ainda muitos tiros e pancadaria cheias do tradicional trash dos filmes de sobrevivência em um mundo pós-apocalíptico infetado de mortos vivos. Tudo embalado com muito Rock and Roll e sarcasmo, evidentemente.

A história tem início quando o grupo de sobreviventes consegue uma das bases mais seguras que se poderia ter: a Casa Branca. Dentro dela, eles vivem tranquilamente se aproveitando de todos os suprimentos e relíquias que estão guardadas no local, como um revólver dado de presente a um dos presidentes por ninguém menos que Elvis Presley. Os problemas começam quando Little Rock, cansada da rotina familiar, pega a estrada junto com um hipster que conhece aleatoriamente. Temendo pela vida da garota, Tallahassee reúne os outros para tentar trazê-la de volta. No caminho eles conhecem Madison, que proporciona alguns dos melhores momentos cômicos, e Nevada, um sopro a mais de carisma e beleza.Essas duas novas integrantes, inclusive, são bastante importantes para que tensões entre o grupo sejam intensificadas. Se Madison se coloca no meio do romance já morno entre Wichita e Columbus, Nevada faz com que Tallahassee se interesse por outra coisa além das armas, carros e do Elvis, apesar de que seu interesse inicial pela mulher vem do fato dela gostar das mesmas coisas que ele. Bem, pelo menos o amor acaba surgindo em meio a tantos conflitos. Seja o amor entre homem e mulher, ou apenas o amor fraternal

É nesta balada amorosa e familiar que, surpreendentemente, “Zumbilândia – Atire Duas Vezes” se apoia para desenvolver todo seu show. Diferentemente de “The Walking Dead” – que recebe uma menção breve, mas honesta e engraçada – não há urgência e terror na história, apesar de acontecerem algumas mortes brutais. A leveza impera em um produto feito exclusivamente para elevar o astral e não para que as mazelas da existência humana sejam analisadas. Evidentemente, não é tudo perfeito, já que se trata de um filme excessivamente acelerado, com cortes constantes e diálogos rápidos, o que pode cansar espectadores mais afeitos a um certo grau de contemplação cinematográfica. Para esses, é ir ao cinema, se divertir e depois esquecer.


Vídeo: Divulgação/Sony Pictures do Brasil


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Rodrigo Chinchio

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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1 thought on “Crítica: Zumbilândia – Atire Duas Vezes

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