O retorno cansativo em “Enola Holmes 3”: mais do mesmo, sem o frescor original
Se você já estava cansado da fórmula repetitiva de quebrar a quarta parede e de reviravoltas mirabolantes, é melhor passar longe da terceira parte de “Enola Holmes”, que acaba de chegar à Netflix como uma das produções mais aguardadas do ano. Difícil mesmo foi manter o DNA carismático de sua essência.
A principal mudança nesta sequência está por trás das câmeras. O diretor Philip Barantini assume o comando, substituindo Harry Bradbeer. Barantini não consegue injetar uma dose fresca de adrenalina na franquia perdendo, assim, boa parte da agilidade e do equilíbrio frenético dos momentos de ação com as partes de transição lúdica que consolidaram a marca registrada da saga.
A trama sofre com sub-tramas arrastadas e uma dependência excessiva de exposição, deixando o ritmo cansativo. O roteiro de Jack Thorne (sua terceira iteração), com base na obra de Nancy Springer, recicla conflitos da franquia sobre independência feminina sem trazer grandes novidades, além de perder tempo demais repetindo diálogos expositivos sobre a sociedade vitoriana. A impressão que temos é que se confia pouco na inteligência do espectador, optando por mastigar o enredo ao invés de mostrar as deduções visuais que outrora remetiam a Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, e igualmente não se esquiva de conveniências narrativas para colocar a protagonista sempre no lugar certo e na hora certa.
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Enredo e elenco

Na trama acompanhamos Enola (Millie Bobby Brown) viajando para Malta para se casar com Lord Tewkesbury (Louis Partridge). No entanto, o casamento é interrompido pelo Dr. Watson (Himesh Patel), que avisa que Sherlock (Henry Cavill) foi sequestrado. A partir daí, entramos em uma espiral de conveniências. Em vez de uma investigação inteligente, somos jogados em um festival de “tudo acontece na hora certa” para salvar o irmão mais velho.
Apesar do roteiro irregular, o elenco continua sendo o grande pilar que impede o naufrágio total e assim vão tentando carregar o filme nas costas, mas esbarra no esgotamento.
Millie mesmo com seu carisma inegável continua quebrando a quarta parede com suas habituais piscadelas e narrações irônicas, que já perderam a graça e soam extremamente irritantes. A energia contagiante deu lugar a uma atuação no piloto automático, principalmente quando toma decisões questionáveis.
Ao seu lado, Louis entrega o parceiro mais equilibrado e apaixonado, desenvolvendo uma química inegável cativando o público, trazendo o lado mais romântico da obra. Cavill continua brilhante com seu Sherlock, esbanjando presença de tela, ainda que sua participação seja mais um adorno de luxo do que um peso narrativo real.
Helena Bonham Carter retorna como Eudoria com a mesma energia enigmática, mas sem o impacto dos capítulos anteriores. A vilã de Sharon Duncan-Brewster, mesmo entregando uma performance boa, surge como um mero obstáculo genérico, longe de impor qualquer ameaça psicológica real.
Figurinos, produção e trilha sonora

O departamento de figurino e caracterização derrapou em alguns momentos principalmente no visual da protagonista que acaba sendo alvo de controvérsias. A peruca usada pela Millie nesta sequência destoa esteticamente em algumas cenas além das escolhas de roupas deixando a sensação visual ligeiramente artificial em meio às cenas de ação e fuga e aos demais elementos realistas da produção que neste ponto elevou o escopo do universo da detetive. A transição para o cenário ensolarado e a rica cultura de Malta trazem um fôlego novo ao visual da obra, destacando a evolução da protagonista de uma jovem rebelde para uma mulher dona de seu próprio destino profissional e amoroso.

A cinematografia mantém o padrão luxuoso da Legendary Entertainment, com excelentes recriações de época. A direção de arte continua deslumbrante, capturando tanto a grandiosidade Londrina quanto as paisagens exóticas da ilha.
A trilha sonora continua vibrante e enérgica, ajudando a elevar os momentos de maior tensão e agora é composta por Aaron May e David Ridley, que fizeram uma transição de forma impecável. Com melodias pulsantes, acabou casando perfeitamente com o ton proposto no decorrer da obra, que as vezes oscila entre heroico e cômico. Souberam também intensificar a empolgação durante os momentos de tensão e investigação que acaba e trazendo um toque de mistério peculiar que já virou marca registrada da franquia.
APROVEITE JÁ
JBL, Caixa de Som, Boombox 4, Bluetooth
Luz de vídeo ULANZI VL120 RGB, Luzes de vídeo de bolso LED On-Camera
Hollyland Lark M2 Microfone de Lapela sem Fio(2TX+3RX)
Considerações finais
O terceiro longa da franquia é a prova viva de que nem sempre a repetição de uma fórmula segura garante o sucesso. O filme tenta equilibrar o amadurecimento da protagonista com um caso mirabolante, mas se perde entre o romance e uma conspiração sem fôlego, tentando compensar seus deslizes no roteiro com o imenso carisma de seu elenco e um espetáculo visual em lindas locações, é até bem feito mesmo com um figurino duvidoso. Diverte como passatempo descompromissado, possivelmente esquecível; é sem dúvida o exemplar mais fraco da trilogia.
Imagem Destacada: Divulgação/Netflix



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