7 de dezembro de 2019

Para você que gosta de escrever poemas, textos dramatúrgicos, pensamentos ou palavrear pelos tempos a fora, segue uma reportagem muito bacana com um profissional querido que além de nos contar um pouco sobre como funciona seu processo de escrita, ainda nos deixa dicas bem bacanas para entrarmos com o pé direito nessa área, mesmo que seja apenas um hobbie.

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O convidado da semana é Sidney Guedes que é ator profissional, diretor, escritor e dramaturgo, com 32 anos de carreira, além de Pedagogo, com pós (especialização em Docência do Ensino Superior e Artes Cênicas).

Quando e como você descobriu o teatro?

Comecei no Teatro em 1984, no SESC de Madureira, com Sidney Cruz, por mera curiosidade. Dali em diante, faço do teatro o motor dos meus desassossegos.

Desde quando você escreve? Tem alguma publicação realizada?

Escrevo há bastante tempo, mas a partir dos anos 90, comecei a produzir Dramaturgia e a dirigir teatro. Escrevi dois livros na Área de Teatro: A Teoria da Transposição em Teatro e A Dramaturgia de Sidney Guedes, textos escolhidos e acredito ter escrito mais de 40 dramaturgias.

O que você indica para quem esta começando a escrever agora?

Entendo que o melhor caminho para quem está começando a escrever é mesclar um leitura geral, desassossego e profunda leitura específica. A leitura geral amplia horizontes, nos faz evitar um olhar alienado sobre a vida e os seus conflitos e agruras. A leitura específica, significa a pesquisa constante, coisa que precisa fazer parte da vida do escritor. E o desassossego é o que move qualquer produção transformadora.

O que te motiva a escrever?

A minha relação com a arte é muito visceral, escrevo por desassossego, muito embora não critique, muito pelo contrário, não entro em festivais, coisas assim. Escrevo, porque algo brota de minha pele, salta para fora de mim. Depois disso, deixo o que escrevi para a vida. Sou um escritor, talvez atípico, não sei. Escrevo por que minha alma insiste em não caber em meu corpo. É algo que faço por sobrevivência, pela ânsia de se desassossegar e continuar exalando vida! Acho que é isso!

Tem algum poema escrito?

Poemas eu quase que não vivo sem eles. Acho que o meu coração bate em versos, tortos, toscos, vivos, por isso, versos.

Alguma consideração final?

Eu deixo como considerações finais, a utopia humana, o anseio de ter algo a dizer. Mesmo havendo diversos formatos de se abordar algo, acredito que deva existir poros em tudo, para que não sejamos capturados por estilos, academias, etc. Nunca deixe de permitir que a sua escrita seja assombrada por outras vozes, por outros ecos, mesmo aqueles desagradáveis, tantas vezes silenciados pelos formatos. Escrita que não transpira morre carcomida pela normalidade.

Um pouco da poética e do teatro do nosso entrevistado:

“Quando sonhar depende de algo, o sonho se esvai por excesso de peso. O sonho só decola quando livre, quando tem por objetivo lançar a vida à diante. Sonhar só areja a alma quando a paixão se permite ser fluxo, não represa. As represas são o pesadelo onírico, condicionando demais a felicidade. Quem impõe condições para tudo perde a sutileza das coisas e aguarda eternamente, algo que nunca chega.”

“Quando percebemos que é preciso dar sentido à vida, assumimos às dores da alma: a primeira grande dor da alma é perceber que o mundo real, muitas vezes, é cruel e que o bem transita pela periferia. Outras dores surgem o tempo todo. No entanto, quando percebemos que é preciso dar sentido à vida, desfrutamos, também, dos êxtases da existência. O primeiro êxtase da existência é perceber que o amor que transita pela periferia, sempre consegue acesso ao centro de tudo. Quando percebemos que é preciso dar sentido à vida…”

“CORPO MITOLÓGICO

Tenho perseguido em minha pesquisa teatral, o que chamo de um CORPO MITOLÓGICO, um corpo que brota de um estado de crise, onde o desassossego faz do ator/atriz, um “ser em desequilíbrio”, para além de domínios técnicos e engessamentos temporais. Um corpo que dispara uma “oralidade”, para continuar sendo; que mostra nas entrelinhas, um metacorpo, um corpo que fala de si, por si e para além de si. Mitológico, em sua performance, esse corpo exala para além de um treinamento, um corpo que se lança numa transposição onde a raiz racional, mesmo ainda presente, não é a ênfase que o dispara. É um corpo territorial, não marcado, um corpo que orbita no espaço cênico e vaza por poros diversos.”

Espero que tenham gostado e na semana que vem tem mais!!!

 

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Adriana Dehoul

Adriana Dehoul é maquiadora, atriz e produtora desde que resolveu seguir seus sonhos na carreira artística. Sem perder a meninisse para as durezas da vida, ela gosta de subir em arvores e viajar ouvindo o canto dos pássaros e as ondas do mar. Deseja compartilhar poesias nesse mundo de inquietações que transborda amor apesar de tudo.

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