O cinema indiano é uma atração bastante popular no país e que traz em sua composição elementos originários dos espetáculos teatrais, narrativas folclóricas – que combinam música e dança, os ensinamentos hindus, e enredos mitológicos como, por exemplo, Mahabharata. Isso faz com que o cinema seja o principal entretenimento do país, com os bilhetes de cinema mais baratos do mundo. E faz com que a China seja o maior produtor de filmes do mundo, chegando à marca de 2961 filmes produzidos em celuloide em 2009.

Os filmes se passam em um universo fantasioso, onde a verossimilhança e a lógica narrativa presente nos filmes clássicos não são interessantes.

A China torna-se independente em 1947 e, após esse acontecimento, um grupo de amantes do cinema reúne-se para criar o cineclube Calcutta Film Society, a fim de promover o realismo no cinema indiano. Filmes estes que iam na direção contrária dos filmes fantásticos que agradava a população do país.

Esses filme trazem características da Nouvelle Vague, do Neorrealismo e até da narrativa clássica opostas ao espetáculo. Ainda assim, mantém-se inserido no contexto de filmes indianos por fazer uso dos signos, narrativas folclóricas e mitológicas que se articulam através dos pilares do teatro e da pintura desse cinema.

Em um país tão rico e diverso em suas culturas, o cinema acontece em 7 línguas diferentes. A dramaturgia é usada para explicar e ensinar vários acontecimentos da vida.

Em seus primórdios, o cinema indiano teve início quando recebeu algumas produções dos Irmãos Lumiére. Depois disso, cenas de teatro foram filmadas e eram apresentadas ao público nos intervalos de apresentações teatrais. As grandes cidade receberam salas de cinema, mas existiam ainda as exibições itinerantes e em tendas.

O primeiro longa-metragem indiano foi produzido em 1913, chamado “Raja Harishchandra” de Dadasaheb Phalke. Todos os atores eram homens, que faziam, inclusive, papéis femininos. Já na década de 1930, o primeiro filme sonoro foi lançado, fomentando a ideia da criação de filmes com diálogos, canto e dança. É então que, a partir de 1935, estúdios começam a se instalar nas grandes cidades.

Contudo, nas décadas de 1930 e 40, a Índia foi afetada pela grande depressão. Os filmes eram de entretenimento de modo geral, mas alguns cineastas falavam sobre problemas sociais em suas produções. Dentre estes, estava V. Shantaram, cujos filmes ambiciosos ao mostrar suas preocupações sociais geraram grandes discussões e debates.

A década de 1940 até o fim dos anos 1950 é considerada por muitos o ápice do cinema indiano, onde os filmes apresentavam vibrantes sequências de música e dança. Surgem também nessa época as canções em playback.

Em 1950, inspirada no sonho do primeiro ministro Jawaharlal Nehu de criar uma Índia moderna, democrática e industrializada, tem início uma renascença criativa e comercial que seriam as bases para o futuro desse cinema. Mehboob Khan lança, em 1957, o filme Mother Índia, filme símbolo da Bollywood Socialista e que é considerado o maior clássico do cinema indiano. Nessa época surgem cineastas talentosos e o cinema indiano é premiado diversas vezes no festival de Cannes. O diretor Satyajit Ray, considerado um dos grandes autores do século XX, lançou em 1955 um filme que se torna clássico e esteve em várias premiações nacionais e internacionais: “Pather Panchali” (Canção da Estrada, 1955). Esse filme, que deu origem a uma trilogia do diretor, assim como os demais do cineasta, representa sua abordagem humanística do cinema, trazendo em sua narrativa questões íntimas do ser humano como problemas, alegrias, emoções, relacionamentos, família e luta.

Canção da Estrada (Satyajit Ray, 1955)

Nas décadas de 1960 e 1970 os filmes de ação e romance tomam conta das telas indianas. Mais tarde os filmes de romance dão lugar a produções violentar sobre criminosos e bandidos, com personagens rebeldes que simbolizavam os oprimidos.

A partir dos anos 1980 o cinema indiano começa a consolidar-se do modo que o vemos hoje; não mais baseado em problemas sociais ou econômicos, a temática que faz-se mais forte é a dos dramalhões familiares com elementos primordiais para a audiência do país: romance, drama, comédia, música e dança. Já em 1990 Bollywood aumenta sua popularidade pelo mundo.

Roupas coloridas e muita música marcam os filmes produzidos desde então. A população consome seu próprio cinema de forma única. É um entretenimento completo, onde as pessoas levantam de suas cadeiras no cinema para dançarem junto com as personagens do filme. Mesmo em locais mais pobres e de população que não tem acesso às salas de cinema, os DVDs piratas ajudam em seu entretenimento.

Por Letícia Vilela


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