Sul-coreana mostrou voz, carisma e uma presença de palco difícil de ignorar em apresentação que passou pela carreira solo, MAMAMOO e uma versão especial de “NA”
Hwasa entrou no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 com uma tarefa ingrata: segurar sozinha um espaço gigante diante de um público que já estava concentrado ali havia horas, em grande parte esperando pelo Stray Kids. Não demorou muito para ficar claro que ela não seria apenas a artista entre NEXZ e Alok naquela programação. Aos 31 anos, a sul-coreana chegou ao festival com voz, segurança, sensualidade e uma presença que fazia o olhar seguir cada movimento dela no palco. Bonita, provocadora e completamente à vontade diante daquela multidão, ela fez um daqueles shows em que a artista parece saber exatamente o que tem nas mãos.
O público também já estava em um estado de excitação raro antes mesmo da primeira música. A concentração próxima à grade ficou tão grande que a organização exibiu mensagens pedindo que as pessoas dessem alguns passos para trás antes que a apresentação pudesse começar. O pedido permaneceu nos telões por vários minutos enquanto a produção tentava aliviar a pressão nas primeiras fileiras. Quando Hwasa finalmente apareceu, encontrou um Palco Mundo tomado por fãs prontos para responder a praticamente qualquer gesto.
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Hwasa precisa de poucos minutos para mostrar quem manda ali
A abertura com “HWASA” já colocou a cantora no centro de tudo. Cercada por bailarinos e acompanhada por uma banda com bateria, guitarra e teclado, ela não entrou economizando movimento nem esperando a plateia se acostumar à proposta. O show seguiu com “I Love My Body”, “TWIT”, “Chili”, “EGO”, “I’m a B” e “Don’t”, passeando por diferentes momentos da carreira solo e deixando espaço tanto para coreografias quanto para os vocais mais fortes da cantora.
A voz rouca é uma das marcas mais reconhecíveis de Hwasa e funcionou muito bem naquele tamanho de palco. Ela alternou notas longas, riffs e momentos mais baixos com a naturalidade de quem não precisa transformar cada música em demonstração técnica. Havia playback em algumas passagens, recurso comum dentro do K-pop, mas a base principal da apresentação continuava apoiada nela, na banda e na força de uma voz que já era parte da identidade do MAMAMOO muito antes da carreira solo ganhar corpo.
Mas seria injusto resumir o show ao vocal. Hwasa é uma artista que trabalha muito bem o próprio corpo em cena. O jeito de andar, olhar, dançar e brincar com a câmera está integrado às músicas. Em vários momentos, bastava ela parar diante de uma câmera, fazer uma expressão ou conduzir uma coreografia para a reação vir imediatamente do gramado. A sensualidade nunca parecia um número colocado entre duas faixas. Era parte da maneira como ela se apresentava.
E existe algo interessante nisso dentro de uma indústria tão associada a padrões rígidos de aparência e comportamento. Hwasa já recebeu críticas ao longo da carreira por não corresponder a determinados padrões estéticos do K-pop e transformou parte dessa experiência em músicas que falam diretamente sobre autoestima e corpo. “I Love My Body” funciona justamente dentro dessa lógica, e ganhou outro peso diante de uma plateia brasileira que respondia aos movimentos dela com gritos e elogios vindos de diferentes pontos do gramado.

“Maria” encontra uma plateia perfeita no Brasil
Um dos melhores momentos veio com “Maria”, faixa que ajudou a consolidar a carreira solo de Hwasa e carrega um significado bastante pessoal. Antes de cantá-la, ela explicou ao público que Maria é também um de seus nomes e comentou que havia ouvido falar sobre quantas Marias existem no Brasil. A brincadeira virou uma conexão fácil com a plateia antes de uma das músicas mais aguardadas da noite.
Hwasa explicou que a música nasceu como uma forma de lembrar a si mesma do próprio valor. A relação com o Brasil apareceu quando ela comentou que a mensagem parecia carregar um pouco do espírito que encontrou por aqui. Sem precisar transformar a fala em grande discurso, a cantora conseguiu fazer uma faixa escrita a partir de uma experiência muito pessoal funcionar de maneira quase íntima diante de milhares de pessoas.
“NA” também recebeu atenção especial. A cantora contou que havia preparado uma versão com outra pulsação para combinar com o Rio de Janeiro, colocando a música dentro de um clima mais próximo de pista. O detalhe ajudou a tirar a apresentação daquele formato de repertório simplesmente transportado de uma turnê e mostrou que havia preparação específica para o festival.
O MAMAMOO também apareceu no Palco Mundo
Mesmo em uma apresentação construída para afirmar a carreira solo, Hwasa não deixou de olhar para a história que a apresentou ao público. Um medley recuperou músicas do MAMAMOO, incluindo “Décalcomanie”, “Starry Night”, “Dingga” e “HIP”, arrancando uma das respostas mais altas da plateia. Para muitos fãs brasileiros, aquela sequência tinha uma importância particular: Hwasa esteve no país com o grupo em 2018, durante compromissos promocionais, e só agora retornava para seu primeiro show solo por aqui.
Oito anos é bastante tempo para uma artista que, nesse intervalo, construiu uma carreira própria, mudou de empresa, ampliou seu repertório e passou a carregar sozinha apresentações de grande porte. O Rock in Rio ofereceu uma fotografia muito clara dessa mudança. A integrante do MAMAMOO continuava presente, mas dividia espaço com uma artista que já não depende do nome do grupo para explicar quem é.
Essa relação entre passado e presente apareceu de maneira natural. As músicas do MAMAMOO eram recebidas com carinho e gritos, mas não pareciam maiores que “TWIT”, “Maria” ou “I Love My Body”. A carreira solo já possui repertório e identidade suficientes para sustentar o show, enquanto as faixas do grupo entram como parte de uma história maior.

Quando ela desce do palco, o show ganha outra temperatura
Hwasa conversou bastante com o público durante a apresentação. Arriscou português, repetiu “eu te amo”, agradeceu a espera e deixou claro mais de uma vez que estava feliz por voltar ao Brasil. Antes do show, ela já havia dito que queria entregar tudo o que havia preparado depois de tantos anos longe dos fãs brasileiros. No palco, essa proximidade deixou de ser promessa.
Durante “So Cute”, ela desceu e chegou perto da plateia, tocou mãos, abraçou fãs e distribuiu beijos. A reação ficou ainda mais alta porque aquilo quebrava uma distância física que parecia enorme minutos antes. O Palco Mundo é gigantesco, com estruturas, câmeras, telões e uma área de segurança separando artistas e público. Quando Hwasa saiu desse espaço para chegar perto das pessoas, o gesto teve impacto imediato.
Essa proximidade também ajuda a explicar por que o show funcionou tão bem. Hwasa não precisava falar português fluentemente nem construir longos discursos para estabelecer contato. Um sorriso, uma mão no coração e algumas palavras bem colocadas eram suficientes. O público fazia o resto.
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Hwasa sai do Rock in Rio maior do que entrou
A noite de 11 de setembro já estava marcada como um momento inédito para o festival. Pela primeira vez, o K-pop ganhava três apresentações no Palco Mundo, com NEXZ, Hwasa e Stray Kids ocupando posições importantes na programação. Dentro desse recorte, Hwasa apresentou justamente aquilo que ajuda a desmontar uma visão limitada sobre o gênero. Seu show tinha coreografia e códigos conhecidos do K-pop, mas também tinha banda ao vivo, R&B, hip-hop, pop, sensualidade e uma artista capaz de conduzir sozinha um espaço daquele tamanho.
Se NEXZ abriu o dia apresentando uma geração nova dessa indústria e Stray Kids chegaria depois como o grande fenômeno da noite, Hwasa ocupou um lugar completamente próprio entre eles. Não havia sete integrantes dividindo movimentos, vozes e atenção. Era ela no centro, encarando o palco e fazendo cada música funcionar a partir de sua personalidade.
E foi aí que o show se destacou. Hwasa é bonita, sabe disso e brinca com isso. É sensual, mas não parece seguir um manual de sensualidade. Tem uma voz reconhecível em poucos segundos e uma maneira de se mover que chama atenção mesmo quando não está executando coreografia alguma. Essa combinação é difícil de fabricar porque depende de algo que não se ensaia da mesma forma que um passo de dança: presença.
A apresentação de Hwasa no Rock in Rio 2026 terminou deixando uma sensação bastante simples. Quem já conhecia saiu satisfeito depois de esperar anos por esse reencontro. Quem estava no Palco Mundo principalmente pelo Stray Kids recebeu no meio do caminho uma artista capaz de fazer milhares de pessoas gritarem seu nome. Em um dia pensado para mostrar a força do K-pop dentro do maior palco do festival, Hwasa encontrou um jeito de fazer a noite também ser sobre ela.
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @Victorcarvalho)


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