Septeto abriu o Palco Mundo diante de fãs que chegaram cedo para uma sexta-feira inédita, com NEXZ, Hwasa e Stray Kids ocupando o principal palco do festival
NEXZ entrou no Palco Mundo na tarde de 11 de setembro sabendo que aquele não seria apenas mais um show de abertura. Quando Tomoya, Yu, Haru, So Geon, Seita, Hyui e Yuki apareceram diante do público do Rock in Rio, o festival começava um capítulo que levou 41 anos para acontecer. Pela primeira vez, o K-pop ocupava o principal palco da Cidade do Rock, e o septeto da JYP Entertainment ficou responsável por dar o primeiro passo de uma sexta-feira que ainda teria Hwasa e Stray Kids levando diferentes faces do gênero ao mesmo espaço.
O cenário também dizia muito sobre o que estava acontecendo. Havia adolescentes, grupos de amigos com lightsticks, famílias inteiras e pais acompanhando filhos que viveriam ali sua primeira experiência em um festival desse tamanho. Mas reduzir aquele público à imagem de fãs muito jovens seria olhar apenas para uma parte da Cidade do Rock. Ao longo do dia, era possível encontrar adultos de várias idades, alguns bem mais velhos, usando camisetas, carregando acessórios e esperando especialmente pelo Stray Kids. O K-pop chegou ao Rock in Rio com uma plateia jovem, sim, mas mostrou no próprio gramado que seu alcance já escapou há algum tempo dessa faixa etária.

NEXZ ficou com a responsabilidade de abrir essa porta
Formado em 2024 a partir do reality “Nizi Project Season 2”, o NEXZ é um grupo ainda no começo de sua história. Todos os sete integrantes são japoneses, mas o trabalho foi construído dentro da indústria sul-coreana pela JYP Entertainment, mesma empresa do Stray Kids. Colocar justamente um grupo tão novo para iniciar o primeiro bloco de K-pop da história do Palco Mundo dizia bastante sobre a proposta daquele dia: apresentar nomes consolidados, mas também mostrar artistas que representam uma geração mais recente desse mercado.
E eles entraram dispostos a justificar o tamanho do convite. Antes mesmo da primeira música, o grupo apresentou um dance break com movimentos de b-boy e acrobacias no palco estendido. As coreografias continuaram como parte central da apresentação, acompanhadas por um figurino que fazia uma curiosa reverência ao próprio nome do festival: camisetas de bandas como Ramones, Black Sabbath e Sonic Youth apareciam entre as peças usadas pelos integrantes.
Não precisava conhecer cada música para entender a lógica daquele show. O NEXZ trabalha muito a relação entre canto, rap, dança e deslocamento pelo palco, e foi nessa combinação que conseguiu conversar também com quem estava ali principalmente para esperar as atrações seguintes. O público respondeu aos pedidos de gritos, pulos e braços para o alto, enquanto os integrantes arriscavam frases em português e tentavam diminuir a distância de um grupo que fazia sua primeira apresentação no Brasil.
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“Saucin’” mostra onde o NEXZ está agora
O repertório passou por faixas como “MMCHK”, “Beat-Boxer”, “O-RLY?” e “Loco”, apresentando algumas das músicas que ajudaram o NEXZ a definir sua identidade nesses primeiros anos. Mas foi “Saucin’”, lançamento de agosto, que encontrou uma resposta mais forte no gramado. Com batidas que se aproximam do eurodance e um refrão pensado para movimento coletivo, a música apareceu como o momento em que a plateia pareceu entender com mais facilidade o que os sete queriam dela.
Existe, claro, uma questão inevitável para um grupo com pouco mais de dois anos: ainda não há uma discografia extensa para preencher tranquilamente um show desse tamanho. O NEXZ repetiu algumas músicas durante o bis e chegou a tocar “Saucin’” novamente, o que deixou evidente esse limite. Só que a situação também ofereceu uma fotografia bastante honesta daquele momento da carreira. O Rock in Rio recebeu um artista antes de ele acumular uma década de hits, justamente quando ainda está formando repertório, público e maneiras de se comportar diante de multidões maiores.
A pouca estrada não significou falta de controle. O grupo lidou com problema de microfone, ajustes de tradução e outros pequenos imprevistos sem deixar o show desandar. Também cantou boa parte da apresentação ao vivo, equilibrando os vocais com o esforço físico exigido pelas coreografias. Para sete artistas entre 19 e 20 anos encarando provavelmente uma das maiores plateias de suas carreiras até aqui, havia segurança suficiente para que o tamanho do Palco Mundo não engolisse a apresentação.
O público já estava vivendo o show do Stray Kids horas antes
Quem olhava para as primeiras fileiras também percebia que aquele dia funcionava de maneira diferente. Muitos fãs do Stray Kids chegaram cedo e permaneceriam diante do Palco Mundo até depois da meia-noite para acompanhar o headliner. A concentração foi tão grande que, depois do NEXZ e antes da apresentação de Hwasa, a organização precisou pedir que o público próximo à grade recuasse alguns passos para aliviar a pressão na frente do palco.
Isso ajudava a criar uma dinâmica curiosa para o NEXZ. Parte daquele público conhecia o grupo e estava ali também por ele; outra parte aguardava principalmente o Stray Kids, companheiro de gravadora e nome muito maior comercialmente. O desafio, então, era tocar diante de muita gente que ainda precisava ser conquistada. O grupo aproveitou essa condição com a disposição típica de quem sabe que cada música também funciona como apresentação pessoal.
Ao mesmo tempo, aquele público dizia muito sobre a decisão do Rock in Rio de finalmente reservar espaço expressivo para o K-pop. Durante anos, o gênero cresceu no Brasil por meio de comunidades de fãs, redes sociais, eventos específicos, lançamentos consumidos à distância e turnês que nem sempre incluíam o país. Em 2026, o festival resolveu colocar três atrações ligadas ao K-pop no Palco Mundo na mesma data: NEXZ abrindo a programação, Hwasa na sequência e Stray Kids fechando a noite, com Alok ocupando também o palco entre as atrações.
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O K-pop chegou ao Rock in Rio sem pedir tradução cultural
Um dos aspectos mais interessantes desse 11 de setembro estava justamente no público. Havia os códigos conhecidos dos fandoms, lightsticks, photocards, acessórios, roupas inspiradas nos grupos, convivendo com elementos tradicionais de qualquer dia de Rock in Rio. Para uma parcela dos presentes, aquela era inclusive a primeira experiência dentro de um grande festival.
Só que havia outra cena igualmente reveladora: pais que começaram acompanhando os filhos e já sabiam nomes de integrantes, adultos cantando músicas e fãs mais velhos esperando pelo Stray Kids por vontade própria. Isso quebra uma leitura preguiçosa que ainda trata K-pop como produto exclusivamente adolescente. O público jovem era numeroso e muito visível, mas não estava sozinho.
Essa mistura de idades talvez diga mais sobre o tamanho atual do gênero do que qualquer estatística. O Rock in Rio sempre encontrou maneiras de conversar com gerações diferentes, muitas vezes colocando artistas separados por décadas dentro da mesma edição. Na sexta-feira, essa diferença aparecia dentro do próprio público do K-pop. Crianças, adolescentes, jovens adultos, mães, pais e pessoas mais velhas ocupavam o mesmo espaço e, por razões diferentes, estavam esperando as mesmas atrações.

O primeiro passo coube ao NEXZ
Quando o NEXZ terminou seu show, ainda faltavam muitas horas para o momento mais esperado dessa sexta-feira. Hwasa apresentaria outra linguagem dentro do pop sul-coreano, enquanto o Stray Kids fecharia a noite diante de uma multidão que já estava se preparando para vê-los desde a abertura dos portões. Mas alguém precisava começar.
E foi justamente um dos nomes mais novos daquele universo que recebeu essa responsabilidade. O NEXZ entrou no Palco Mundo sem décadas de catálogo, sem uma longa relação com o público brasileiro e fazendo sua estreia no país. Saiu de lá podendo dizer que foi o primeiro grupo a abrir, no maior palco do Rock in Rio, um dia em que o K-pop deixou de ocupar apenas a conversa sobre o futuro do festival e passou a fazer parte de sua programação de forma concreta.
Para um evento que nasceu em 1985 e construiu sua imagem passando pelo rock, pop, metal, eletrônico, funk, rap e tantos outros estilos, a tarde de 11 de setembro acrescentou uma nova página. O NEXZ no Rock in Rio 2026 ficou com a primeira linha dela. Quando os sete começaram a dançar diante de uma Cidade do Rock cheia de lightsticks, celulares levantados e fãs de várias idades, o K-pop já estava no Palco Mundo.
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @Anendfor)


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