Fenômeno editorial mostra como redes sociais, podcast e livro físico podem ocupar a mesma relação entre autor e público
Junior Rostirola chega à reta final da 28ª Bienal do Livro de São Paulo com uma cena que ajuda a explicar o tamanho alcançado por “Café com Deus Pai”: seguidores acostumados a acompanhar o autor pelo celular agora entram na fila com livros nas mãos para alguns segundos de conversa, foto e dedicatória. Neste sábado (12), Rostirola recebeu o público no estande dedicado ao projeto, no Distrito Anhembi.
A movimentação presencial acompanhou um fenômeno comercial construído nos últimos anos. “Café com Deus Pai” foi o livro mais vendido de 2023 na lista do PublishNews, voltou a liderar o mercado em 2024 e manteve força em 2025. Segundo dados divulgados pela Editora Vélos ao PublishNews, a coleção ultrapassou 10 milhões de exemplares vendidos.
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Quando o Seguidor Quer Algo Que o Algoritmo Não Entrega
O caso de Rostirola encontrou uma Bienal em que o encontro físico voltou a ter peso quase tão grande quanto o próprio livro. No primeiro sábado, fãs da escritora Lynn Painter começaram a formar aglomerações mais de três horas antes de sua participação na Arena Cultural. A feira aconteceu de 4 a 13 de setembro e ocupou o Distrito Anhembi com autores nacionais e internacionais.
No caso de “Café com Deus Pai”, o caminho entre tela e papel é particularmente visível. O projeto também existe como podcast e conteúdo para redes sociais; segundo números divulgados pela própria equipe, soma 370 milhões de reproduções e 2,9 milhões de seguidores.
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A ideia de que telas e livros precisam disputar o mesmo público também encontra pouca sustentação entre os leitores mais jovens. A sexta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” mostra que 81% das crianças de 11 a 13 anos são consideradas leitoras, justamente uma geração formada em meio a redes sociais e conteúdo digital.
Na Bienal, o número da audiência ganhou rosto. O seguidor pode ouvir, assistir e comentar todos os dias, mas ainda existe algo difícil de reproduzir no feed: sair com o próprio nome escrito à mão dentro de um livro.
Imagem: Divulgação/Vélos/Junior Rostirola


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