Especial do universo do Justiceiro, “Uma Última Morte” chegou terça no Disney+
O retorno de Frank Castle ao Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) finalmente deixou de ser uma promessa de bastidores para se tornar uma realidade brutal. Lançado nesta terça-feira, 12 de maio, no Disney+, o especial “O Justiceiro: Uma Última Morte” não é apenas um apêndice de “Demolidor: Renascido”, mas uma obra que reivindica seu próprio espaço. Sob a direção de Reinaldo Marcus Green e com um roteiro que conta com a colaboração direta de Jon Bernthal, o curta de 44 minutos foge do espetáculo de heróis coloridos para entregar uma experiência fúnebre, seca e profundamente perturbadora.
Atenção: o texto a seguir pode conter alguns spoilers.
Frank Castle e o vazio de uma guerra sem fim
Ambientado em Little Sicily, um bairro italiano da cidade de Nova York, consumido pela criminalidade, a narrativa mostra um Frank Castle vivendo, secretamente, como um fantasma. Após assassinar os membros da família Gnucci — organização mafiosa diretamente ligada à execução de sua família — o Justiceiro percebe que o vácuo deixado pela ausência da máfia tornou um terreno baldio disputado por hienas ainda mais cruéis. Frank começa a questionar o próprio impacto de sua guerra. Com o resultado sendo explícito que ao eliminar os Gnucci, ele não trouxe paz. Só abriu espaço para um descontrole mundano de violência e crime.
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Frank começa a questionar o próprio impacto de sua existência. A decadência urbana serve como uma metáfora perfeita para o seu estado mental; ele caminha pelas ruas com uma apatia catatônica, observando crimes sem a urgência de um herói, mas com o cansaço de um carrasco que percebeu que o sangue nunca para de escorrer. Há uma camada simbólica dolorosa envolvendo o antigo juramento dos fuzileiros navais: Frank confronta o homem que prometeu ser contra o monstro incapaz de abandonar a pólvora que se tornou.
O trauma como o único protagonista possível

Embora a brutalidade gráfica esteja lá — e os fãs podem respirar aliviados, a Marvel não “adocicou” o personagem —, o especial brilha nos momentos de quietude. A ação é consequência, não a finalidade. Frank não é movido pela justiça, mas pela incapacidade absoluta de seguir em frente. Essa abordagem lembra diretamente a construção do personagem na série da Netflix, onde o luto e a culpa eram tão importantes quanto os tiroteios. A diferença é que aqui tudo acontece de forma mais condensada e intensa. Em menos de uma hora, o roteiro entrega uma versão emocionalmente quebrada do personagem, algo que Jon Bernthal interpreta com enorme peso dramático.
O melhor exemplo disso está nas cenas do cemitério, onde Frank trava monólogos com os túmulos de sua esposa e filhos, é de uma dor física quase torturante para os fãs do personagem. O Justiceiro não parece mais um vigilante. Parece um homem preso entre a vida e a morte.
A herança de Garth Ennis, sem o sarcasmo
A história deriva de um dos arcos mais memoráveis do personagem nos quadrinhos da Marvel: Em “Welcome Back, Frank”, arco clássico escrito por Garth Ennis e ilustrado por Steve Dillon, para a linha editorial Marvel Max, destinada à um público mais adulto. A presença da vilã matriarca: Ma Gnucci — interpretada por Judith Light —, o tom urbano e a brutalidade exagerada são elementos diretamente associados à fase do autor nos quadrinhos. Comunidades de leitores frequentemente tratam a fase de Ennis como a versão definitiva do personagem.
Porém aqui, o especial escolhe uma abordagem menos satírica e muito mais melancólica do que os quadrinhos originais. Enquanto a obra de Ennis misturava humor ácido com violência extrema, “Uma Última Morte” aposta num clima quase fúnebre do começo ao fim. Ma Gnucci funciona como o reflexo invertido de Frank Castle. Ela perdeu a família pelas mãos dele e agora compartilha da mesma dor que destruiu o Justiceiro anos antes.
No ato de vingança da vilã para acabar com Frank, o especial transforma o personagem em um veterano encurralado dentro da própria guerra.
O retorno do velho soldado e o futuro estabelecido
A reta final do especial decide abandonar o niilismo absoluto para tocar em algo raramente explorado: o propósito. Após sobreviver ao ataque em sua casa e eliminar os últimos criminosos, Frank encontra uma menina que o lembra diretamente de sua filha: Lisa Barbara Castle — que aqui, é interpretada pela própria filha do ator: Addie Bernthal. É nesse momento que “Uma Última Morte” finalmente abandona o discurso puramente niilista.

O desfecho é visualmente icônico. Quando Frank finalmente aceita que nunca conseguirá escapar da sua natureza e a nova caveira surge no peito, o sentimento não é de triunfo, mas de uma aceitação trágica. A “última morte” do título não se refere a um inimigo, mas ao homem civil que Frank ainda tentava fingir que era. O encerramento deixa claro: Frank Castle aceitou seu papel como o carrasco do MCU, e essa aceitação é tão épica quanto melancólica.
Valeu a pena? O veredito final

“O Justiceiro: Uma Última Morte” entrega exatamente aquilo que muitos fãs esperavam da volta do personagem: violência brutal, atmosfera pesada e um mergulho profundo nos traumas de Frank Castle. O especial acerta principalmente ao valorizar a perturbação psicológica do personagem e sua relação doentia com o passado.
Ainda assim, existe uma sensação clara de que tudo termina cedo demais.
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Por mais eficiente que seja como um curta-metragem, fica a sensação de que 44 minutos é pouco para a escala da história. A relação com Ma Gnucci, por exemplo, fica em aberto e soa mais como preparação para futuras histórias do que como uma conclusão verdadeira. Há também a ausência de conexões com “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, faz o especial parecer isolado dentro do MCU, funcionando quase como um epílogo emocional para o personagem após “Demolidor: Renascido”.
Conclusão
No fim das contas, é difícil negar: Jon Bernthal continua sendo a definição perfeita do Justiceiro. E “Uma Última Morte” prova que a Marvel finalmente entendeu que Frank Castle funciona melhor quando tratado não como um super-herói, mas como um homem destruído tentando sobreviver aos próprios fantasmas.
Imagem Destacada: Divulgação/Disney+
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