Malhação 2000 marcou uma nova fase do Múltipla Escolha, reuniu romances, conflitos familiares e temas sociais e apresentou um personagem que permaneceria por anos na novela
Exibida pela TV Globo entre 10 de abril de 2000 e 4 de maio de 2001, “Malhação 2000” acompanhou uma nova fase do colégio Múltipla Escolha, que retornava às atividades sob a direção do professor Vítor Maia. A temporada apresentou novos alunos, professores e núcleos familiares, com destaque para a relação entre Joana (Ludmila Dayer) e Marcelo (Fábio Azevedo), que enfrentavam as intrigas de Bia (Fernanda Nobre), apaixonada pelo mesmo rapaz.
A história também abriu espaço para diferentes questões sociais. Entre elas estava a trama de Érica (Samara Felippo), que descobre ser portadora do HIV e precisa lidar com o preconceito de alguns colegas. A temporada ainda acompanhou os relacionamentos de Érica e Touro (Roger Gobeth) e de Tatiana (Priscila Fantin) e Rodrigo (Mário Frias), além dos conflitos familiares e amorosos que movimentavam o cotidiano dos estudantes.
Foi também nessa temporada que surgiu um dos personagens mais lembrados da história de “Malhação”: Cabeção, vivido por Sérgio Hondjakoff. Filho do professor Afonso (Giuseppe Oristanio), ele começou sua trajetória como um dos adolescentes do Múltipla Escolha, mas conquistou espaço suficiente para permanecer na produção por vários anos.
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Cabeção: o personagem que durou cinco anos na produção
A grande revelação de “Malhação 2000” foi Cabeção. Interpretado por Sérgio Hondjakoff, o personagem era o filho do meio de Afonso (Giuseppe Oristanio), professor de História, e irmão de Marcelo e Fernandinho. Desde sua estreia, Cabeção ganhou destaque entre os adolescentes que frequentavam o Múltipla Escolha. A Memória Globo define Sérgio Hondjakoff como a grande revelação daquela temporada e afirma que o personagem se tornou um dos mais populares da história da novela.
O sucesso fez com que Cabeção ultrapassasse os limites de “Malhação 2000”. O personagem permaneceu na produção por cinco temporadas, algo que, segundo a Memória Globo, nenhum outro personagem conseguiu. Na prática, sua trajetória começou em 2000 e chegou à temporada de 2005, fazendo com que ele permanecesse na novela por cerca de cinco anos.
Durante esse período, Cabeção atravessou diferentes fases da produção e conviveu com várias gerações de alunos do Múltipla Escolha. A permanência de personagens de sucesso era uma característica importante da novela naquele período: enquanto novos protagonistas chegavam a cada temporada, alguns nomes continuavam na história e funcionavam como uma ligação entre uma fase e outra.
A longevidade de Cabeção pode ser percebida pela própria evolução de sua história. Em 2003, por exemplo, ele continuava na novela ao lado de Maumau (Cauã Reymond), enquanto a chegada de Miyuki (Danielle Suzuki) ao Múltipla Escolha também movimentava o núcleo de personagens antigos.
Em 2004, Cabeção começou a namorar Miyuki, formando um novo casal na trama. Na temporada seguinte, os dois permaneceram no elenco e chegaram a uma nova etapa de suas vidas: se formaram e entraram para a faculdade. A ficha técnica de 2005 confirma a presença de Sérgio Hondjakoff como Cabeção e Danielle Suzuki como Miyuki.
Ou seja, o público que conheceu Cabeção como um adolescente em “Malhação 2000” pôde acompanhar o personagem durante aproximadamente cinco anos, até vê-lo concluir o ensino médio e partir para a faculdade. Foi uma trajetória que acompanhou a própria renovação da novela e ajudou a transformar Cabeção em um dos personagens mais associados à fase clássica de “Malhação”.
A estreia em 2000, portanto, acabou sendo apenas o começo de uma história muito maior. O personagem que inicialmente fazia parte da família de Afonso ganhou espaço, atravessou diferentes temporadas, construiu novas amizades e relacionamentos e permaneceu na produção enquanto novos protagonistas chegavam ao Múltipla Escolha.
Érica e Touro: o romance que ajudou a abordar o HIV em “Malhação 2000”
Entre os assuntos sociais tratados em “Malhação 2000”, a história de Érica e sua relação com Touro ganhou um espaço importante. Interpretada por Samara Felippo, Érica descobre ser portadora do HIV e passa a enfrentar o medo da reação das pessoas ao seu diagnóstico. A personagem recebe o apoio da amiga Tati, vivida por Priscila Fantin, mas também precisa lidar com o preconceito de alguns colegas.
A questão também atingiu diretamente sua vida amorosa. Touro, interpretado por Roger Gobeth, decide permanecer ao lado de Érica, mesmo diante das dificuldades provocadas pela soropositividade. A oposição aparece inclusive dentro da família do rapaz: o pai de Touro não aceita que o filho se case com uma mulher soropositiva. Ainda assim, o casal enfrenta os obstáculos e chega ao casamento durante a temporada.
A história de Érica e Touro não terminou com o encerramento daquela temporada. Os dois continuaram na novela e, na temporada seguinte, enfrentaram uma crise no casamento justamente em razão da condição de Érica como pessoa vivendo com HIV.
Além da importância da trama, o casal também acabou ultrapassando a ficção. Samara Felippo e Roger Gobeth chegaram a namorar na vida real durante o período em que trabalhavam juntos em “Malhação”. Anos depois, os dois voltaram a contracenar em “Os Dez Mandamentos”, da Record, dessa vez novamente como um casal. O reencontro aconteceu cerca de 15 anos depois de “Malhação” e foi descrito por Roger como um reencontro com uma parceria que havia marcado uma geração.
O reencontro ganhou um significado especial justamente porque Érica e Touro haviam se tornado um dos casais lembrados daquela fase da novela. O Gshow, ao revisitar os casais marcantes de “Malhação 2000”, também inclui os dois entre os romances que se destacaram na fase Múltipla Escolha.
Assim, a história de Érica e Touro reúne dois aspectos importantes de “Malhação 2000”: de um lado, uma trama que colocou HIV, preconceito, relacionamento e aceitação em discussão; de outro, um casal que conquistou espaço junto ao público e cuja parceria acabou sendo retomada muitos anos depois, agora em outra produção e em outro momento da carreira dos atores.

Joana e Marcelo: o casal principal de “Malhação 2000”
O romance de Joana, interpretada por Ludmila Dayer, e Marcelo, vivido por Fábio Azevedo, foi um dos eixos de “Malhação 2000”. Os dois começam a se aproximar logo no início da temporada, mas o relacionamento ganha um obstáculo conhecido das novelas: Bia, personagem de Fernanda Nobre, também se apaixona por Marcelo e faz de tudo para afastá-lo da prima. O própria Memória Globo define as intrigas de Bia como uma das principais ameaças ao romance.
A disputa começa ainda nos primeiros capítulos. Marcelo demonstra interesse por Joana, enquanto Bia tenta se colocar entre os dois e chega a afirmar que está namorando o rapaz. Mesmo com as armações da prima, Marcelo admite que gosta de Joana, consolidando o casal como um dos principais romances da temporada.
No final, a história ganha um desfecho romântico: Marcelo é aprovado no vestibular para uma universidade no Espírito Santo, e Joana decide viajar com ele. Assim, os dois encerram sua trajetória juntos, enquanto a temporada abre espaço para uma nova geração de personagens.

Bia: da rival de Joana a uma nova história em “Malhação 2001”
Bia, interpretada por Fernanda Nobre, encerra “Malhação 2000” envolvida com Perereca, personagem de Márcio Kieling, mas sua história ganha novos rumos na temporada seguinte. Em “Malhação 2001”, Bia retorna da Europa grávida, e os demais personagens descobrem a gestação logo no início da nova fase.
A gravidez passa a ocupar espaço importante na trajetória da personagem. Bia enfrenta uma gestação de risco e, posteriormente, dá à luz Bernardo. A situação também expõe os conflitos com Perereca, que acaba deixando a vida da personagem, enquanto ela precisa lidar com a maternidade.
A história mostra uma nova fase para a personagem, que havia sido apresentada inicialmente como rival de Joana na disputa por Marcelo. Em “Malhação 2001”, Bia deixa o antigo conflito amoroso em segundo plano e passa a enfrentar os desafios de uma gravidez e da maternidade ainda jovem.

A abertura que marcou uma nova fase de “Malhação”
“Malhação 2000” chegou à TV Globo acompanhada por uma música que acabaria se tornando uma das marcas mais lembradas da novela: “Te Levar”, do Charlie Brown Jr. A canção passou a fazer parte da abertura em 1999 e permaneceu até março de 2006, atravessando diferentes temporadas e gerações de personagens. Segundo o Gshow, foi a música que ficou por mais tempo na abertura da produção.
Para o público que acompanhou a novela no início dos anos 2000, “Te Levar” acabou se tornando praticamente inseparável de “Malhação”. A música acompanhava as imagens do elenco e era ouvida diariamente na abertura, criando uma forte associação entre a canção, a novela e a juventude daquela época.
A parceria também ajudou a aproximar o Charlie Brown Jr. do público jovem que acompanhava a produção. A banda, que já vinha ganhando espaço no cenário musical brasileiro, passou a ter sua música ouvida diariamente por milhões de telespectadores através de uma das produções voltadas diretamente para adolescentes. A presença de “Te Levar” na abertura de 1999 a 2006 fez com que a relação entre a banda e “Malhação” se estendesse por anos.
A ligação entre os dois ainda continuaria depois. Em 2006, “Te Levar” foi substituída por “Lutar Pelo Que É Meu”, também do Charlie Brown Jr., mantendo a banda na abertura da novela por mais um período.
A força dessa parceria ficou evidente anos depois da saída da música da abertura. Após a morte de Chorão, em março de 2013, fãs fizeram uma campanha nas redes sociais para que “Malhação” voltasse a tocar “Te Levar”. O pedido foi atendido pela produção, que utilizou a música no encerramento do capítulo exibido em 6 de março daquele ano, como homenagem ao cantor.
“Te Levar”, portanto, não foi apenas a música de abertura de uma temporada. Durante quase sete anos, ela acompanhou diferentes fases de “Malhação” e ajudou a construir a identidade musical da produção, enquanto aproximava ainda mais o Charlie Brown Jr. de uma geração de jovens que cresceu ouvindo a banda na televisão.
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Uma trilha sonora que também contou as histórias dos personagens
A trilha sonora de “Malhação 2000” ajudou a construir a identidade da temporada e não ficou restrita à abertura. Várias músicas foram escolhidas como temas de personagens e casais, fazendo com que determinados romances ficassem associados às canções que acompanhavam suas cenas. A própria Memória Globo destaca entre os sucessos da temporada “Amor de Verdade”, de Paulo Ricardo, como tema de Érica e Touro, e “Nada Pra Mim”, de Ana Carolina, como tema de Joana e Marcelo.
Para o casal principal, “Nada Pra Mim” ajudava a reforçar o lado romântico da relação de Joana e Marcelo. Já Érica e Touro tinham “Amor de Verdade” como trilha, uma associação que ganhou ainda mais significado diante da história do casal e dos conflitos envolvendo o HIV.
A trilha também acompanhava personagens individualmente. Cabeção, por exemplo, tinha “Cheretim”, d’Os Cabeçudos, como seu tema. Perereca era associado a “Posso Não Falar de Amor (Mas Entendo de Mulher)”, do grupo Os Anjos, enquanto Linda e Afonso tinham “Todo Azul do Mar”, de Boca Livre e 14 Bis.
Outras canções também ajudavam a identificar diferentes núcleos, como “Diga”, de Kakau Gomes, e “Tô Vazando”, de Gabriel, O Pensador, ambas relacionadas a Joana. A variedade passava por diferentes estilos musicais e acompanhava as personalidades e histórias dos personagens.
Mais de 20 anos depois, “Malhação 2000” ainda está na memória do público
Mais de 20 anos depois da estreia de “Malhação 2000”, a lembrança daquela fase ainda aparece em momentos inesperados. Atualmente no elenco de “A Fazenda 18”, Sérgio Hondjakoff voltou a ser lembrado pelo personagem que marcou sua carreira. Durante a primeira festa do reality, “Te Levar Daqui”, do Charlie Brown Jr., começou a tocar e os participantes chamaram o ator para a pista, cantando a música com ele.
A cena mostra como aquela fase da novela ficou ligada à memória de quem era criança ou adolescente nos anos 2000. O próprio Sérgio já falou, em entrevista ao Vídeo Show, sobre o carinho que sente pelo personagem e afirmou que considera ter feito “Malhação” uma experiência muito especial em sua carreira.
“Malhação 2000” também marcou um período em que a novela ampliou suas histórias para além dos romances. A temporada apresentou personagens que continuaram em outras fases, abordou questões sociais como o HIV e o preconceito e apostou em casais e músicas que ajudaram a definir aquele momento da produção.
A partir dali, “Malhação” continuaria renovando seus personagens e trazendo novos assuntos relacionados aos adolescentes, mantendo a proposta de acompanhar diferentes gerações ao longo dos anos.
Imagem destacada: Divulgação/TV Globo


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