Com atuações artificiais, roteiro frágil e estética amadora, “De Volta aos Anos 90” transforma a nostalgia em uma experiência cinematográfica exaustiva
Assistir a “De Volta aos Anos 90” é uma experiência cinematográfica dolorosa, exaustiva e profundamente frustrante. O longa-metragem é estrelado pelos Elevator Boys (aquela boy band que saiu diretamente das redes sociais, mais especificamente um grupo de rapazes que se notabilizou por ficar biscoitando dentro de um elevador).
O filme tenta recriar os clássicos de viagem no tempo, chegando até a citar referências do gênero, e tenta forçar um grande efeito uau nos moldes de “De Volta para o Futuro”, mas falha miseravelmente em todas as suas aspirações. Transpor essa dinâmica digital vazia para um formato de longa-metragem se provou ser um erro colossal, resultando em um projeto que consegue a proeza de ser um filme ruim ao extremo, tão ruim que beira a total ausência de qualquer ponto positivo genuíno.
A começar pelas atuações do quinteto protagonista, composto por Julien Brown (Matteo), Tim Schäcker (Jonas), Luis Freitag (Chris), Jacob Rott (Ben) e Bene Schulz (Oliver), dizer que eles atuam é uma ofensa grave à profissão artística. Os rapazes estão permanentemente engessados, sempre com a mesma expressão facial vazia, o mesmo tom de voz monótono e o mesmo tudo em qualquer cena, seja diante de um suposto conflito dramático ou de uma tentativa frustrada de humor.
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O esforço solitário de Jacob Rott (Ben) até tenta injetar algum fôlego na narrativa ao carregar o dilema de ser o personagem perfeccionista do grupo, mas, infelizmente, o resultado continua sendo muito ruim, soterrado pela mediocridade ao redor. Até mesmo os atores coadjuvantes ou figuras de segurança que cruzam a tela conseguem, em raros momentos, demonstrar um pingo de naturalidade maior, mas é um esforço inútil, pois o roteiro simplesmente não ajuda em absolutamente nada.
Falando nisso, a estrutura narrativa é um verdadeiro desastre. O roteiro é mal construído, preguiçoso e extremamente chato, composto por personagens que são não apenas carentes de boas atuações, mas extremamente caricatos e totalmente destituídos de qualquer traço de carisma. A trama se arrasta de maneira monótona e parada, impedindo qualquer conexão empática de quem assiste.
Diante de tudo isso, é impossível não se perguntar: como alguém leu aquele roteiro, olhou para o resultado final daquele filme e teve a coragem de dizer que era bom o suficiente para ir ao ar? Como alguém em sã consciência aprovou essa obra? Quando você junta uma atuação inexistente a um roteiro frágil e repleto de clichês vergonhosos, o filme se torna uma verdadeira tortura narrativa, o que faz deste filme uma obra completamente indigesta que testa os limites da paciência humana.

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Esteticamente, a situação é igualmente alarmante. A fotografia do filme é de uma ruindade impressionante, parecendo o resultado visual de uma daquelas novelinhas verticais baratas feitas às pressas para o TikTok. O mais irônico e deprimente é constatar que, comparado a este desastre, até mesmo uma novelinha vertical aleatória daquela plataforma de vídeos curtos consegue ter uma direção de fotografia, um senso estético e um dinamismo visual muito superiores.
No meio de tanta ruindade técnica e artística, surge a trilha sonora. Ela traz músicas clássicas que fizeram muito sucesso no passado e que, por si só, são boas canções. No entanto, elas não ajudam em absolutamente nada na construção dramática do filme; parecem colocadas ali apenas porque foram um grande hype, uma apelação comercial barata baseada no sucesso nostálgico. Contudo, por incrível que pareça e mesmo sendo apenas razoável dentro da proposta da obra, essa coletânea de sucessos alheios consegue se consagrar como a melhor parte do filme.
Fica evidente que a indústria do entretenimento comercial ainda não aprendeu a lição fundamental de que escalar influenciadores digitais e figuras sem nenhuma carga ou bagagem no ramo da atuação unicamente por conta de números de seguidores não deveria ser uma opção viável. O resultado é um produto esteticamente indigente, vazio e enfadonho que faz com que a sessão se arraste por intermináveis minutos de pura exaustão criativa.
No fim das contas, a melhor parte da sessão foi justamente quando o filme acabou; a sensação exata foi a de ter perdido minutos valiosos da minha vida, com o amargo arrependimento de que, se pudesse, eu nunca teria clicado para assistir a essa bomba e tudo o que eu mais queria era recuperar o tempo perdido.
Imagem Destacada: Divulgação/Prime Video



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