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Crítica – A Vingança está na moda

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Daniel Gravelli
19 de maio de 2016 3 Mins Read

O “bom” filho a casa torna

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Baseado no livro de Rosalie Ham, chega hoje aos cinemas o filme “A Vingança está na moda” estrelado pela oscarizada Kate Winslet. O filme traz uma interessante atmosfera gótica australiana perdida em meio a um roteiro um pouco confuso quanto ao seu contexto principal.

Na história, Myrtle ‘Tilly’ Dunnage, uma atraente e supostamente bem sucedida mulher, retorna à sua cidade natal na Austrália rural com uma ideia um tanto peculiar, proporcionar aos excêntricos moradores do pequena local uma convivência melhor, apoiada na diferença que uma boa aparência pode causar. E, Para isso faz uso do vasto aprendizado que adquiriu ao longo do tempo que passou fora. Com sua máquina de costura, no estilo haute couture, ela transforma as mulheres provocando uma primeira boa impressão. Mas, por trás de toda aquele benfeitoria morava um interesse muito maior que mudaria não só a aparência da cidade como também a vida de todos.

Com uma narrativa extremamente arrastada, o roteiro escrito por Jocelyn Moorhouse e seu marido PJ. Hogan até tenta convencer com um enredo que tinha tudo para impressionar, mas falha em seu objetivo durante quase todo o tempo oferecendo cenas afobadas e diálogos desgastantes. O ponto alto da história recai sobre os bons momentos de humor negro instalados durante a trama.
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A direção também fica a cargo de Jocelyn, que aqui consegue consertar alguns erros do roteiro trabalhando de forma convincente  sua decupagem de direção. Através de uma linguagem fatídica, escondida por trás de ângulos perfeitamente bem encaixados, conseguimos avistar uma tragédia a curta instância, a qual provoca boas doses de risada e ansiedade pelo ato final.

O grande destaque fica por conta da ótima química entre os departamentos de fotografia, direção de arte e figurino que conseguem criar, em perfeita harmonia, um excelente contraste entre o clima árido do interior da Australia, os tons pasteis que imperam em quase toda produção e a exuberância de cores vibrantes que, praticamente, pintam o cenário por meio dos vestidos confeccionados na história, e os simples toques em pequenas peças de decoração espalhadas pela modorrenta locação.

O elenco encabeçado por Winslet parece ter sido escolhido a dedo e, por incrível que pareça, não é a estrela que rouba as cenas. Kate realiza uma construção consciente, respeitável, trabalhando o seu lado cômico com sensatez. Mas, é a atriz Judy Davis que provoca as melhores reações do público, com uma interpretação de tirar o chapéu na pele de Molly Dunnage. Hugo Weaving também está bem vivendo o sargento Farrah, enquanto Liam Hemsworth (O irmão do eterno Thor), mesmo se esforçando, fica perdido nas cenas do bonitão que se interessa pela mulher mais velha.

“A vingança está na moda” poderia ser melhor, mas empolga por sua parte técnica e alguns divertidos diálogos entre Winslet e Davis. Para o público que gosta de falar sobre moda, o trabalho apresentado pela produção é um verdadeiro prato cheio de informação visual e impecabilidade.

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Afonso PoyartArtCinemaKate WinsletModa

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é diretor e cofundador da Woo! Magazine, especialista em comunicação, storytelling e cultura. Com mais de 30 anos de experiência no mercado cultural como diretor, produtor, ator e roteirista, traz para a Woo! um olhar único sobre a arte e seu potencial de conexão humana. Escreve sobre entretenimento, comportamento e tudo que movimenta o cenário cultural brasileiro.

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