7 de dezembro de 2019

MFQOM - Cartaz FinalNo limite da razão

Quando a força de vontade encontra uma meta a qual seguir, tudo se transforma. No ápice de sua determinação você não encontrará apenas um adversário comum, mas todos os seus demônios reunidos em um único oponente: você mesmo!

Com uma atmosfera extremamente hollywoodiana, nessa quinta, dia 16 de junho, não chega aos cinemas somente mais filme brasileiro mas, sim, um produto que pode facilmente ser considerado uma revolução no mercado cinematográfico do país, principalmente em relação aos padrões técnicos, estética e a ousadia da equipe em querer inovar no seu estilo de produção.
“Mais forte que o mundo – A história de José Aldo” bate forte na cara de muita produção e prova com excelência que é possível fazermos um cinema de alto padrão com um orçamento inferior aos dos grandes filmes internacionais.

Retratada com bastante fidelidade, ganhando a aprovação do próprio José Aldo, a história relata o berço do sucesso do campeão, como também parte da estrada que ele trilhou até chegar ao UFC. Suas amizades, dificuldades pessoais e problemas familiares, bem como seus conflitos psicológicos, são expostos na tela de forma visceral através de uma produção centrada, com um toque de requinte, realizada pela Black Maria em co-produção com a Globo Filmes, Universal, Combate e Paris Produções.

O roteiro, muito bem construído por Afonso Poyart e Marcelo Aleixo Machado, estabelece uma narrativa rápida, bem contextualizada, revelando com cautela detalhes da história de cada uma das personagens, quais se provam essenciais ao conteúdo da trama.

A direção de Poyart é de uma primazia absoluta, embora muitos possam questionar sua divergente visão como diretor, assim como seu estilo arrojado como profissional. Seu trabalho é extremamente funcional e, como um maestro conduzindo uma orquestra, se preocupa com cada minúcia da obra, sem perder o foco em nenhum momento. Planos, ângulos e movimentos de câmeras são escolhidos com sabedoria, criando o teor psicológico necessário a cada cena.

Carlos André Zalasik, responsável pela fotografia de “2 coelhos”, mais uma vez faz um sensacional trabalho junto a Poyart. O prudente uso do contra-luz contrastando com os tons amarelos, utilizados durante o passado da personagem, e cores mais vivas que surgem no decorrer de sua evolução como lutador, fornecem ao filme um crescimento significativo.

O elenco quase todo está muito bem em cena. Começando pelos coadjuvantes, Cláudia Ohana transpõe com sinceridade a vida de Rocilene, mãe de José Aldo. É nítido em seu olhar a dor e sofrimento dessa perante a vida que leva com o marido. Jackson Antunes, apesar de já ter interpretado papéis com cargas dramáticas bem parecidas, consegue mostrar uma nova faceta de seu jogo de ator ao se entregar em uma interpretação solida. Já Milhem Cortaz, trabalha de forma cativante suas cenas como Dedé Pederneiras. José Loretto, mesmo sendo mais alto e totalmente diferente que seu personagem na vida real, convence facilmente na pele de Aldo, utilizando-se de uma construção tenaz e expressiva (Ao contrário do que mostra nas novelas, diga-se de passagem). Cléo Pires, mais uma vez, surpreende ao dar vida a uma personagem e prova, sem duvida alguma, que é uma das melhores atrizes de sua idade dentro do mercado brasileiro. Paloma Bernardi e Romulo Neto não vende muito bem suas cenas. Com uma atuação insossa, Paloma desaparece ao dialogar com qualquer outro ator, enquanto Romulo exagera em suas caras e bocas, tentando provar o lado louco de seu personagem.

Lucas Gonzaga, outro parceiro do diretor, é o responsável por uma edição rápida e dinâmica, mantendo o espectador concentrado do inicio ao fim.

A cuidadosa direção de arte, do mesmo modo que o figurino, contribuem de forma positiva para produção, estabelecendo com sensatez as diferenças sociais presenciadas pela personagem principal durante sua trajetória e ascensão.

Com uma trilha sonora arrebatadora, a qual mistura momentos densos com canções suaves, “Mais forte que o mundo – A história de José Aldo” tem tudo para se destacar no mercado, ganhando por nocaute de outros filmes que estão chegando nos cinemas. Sem contar que é o produto perfeito para abrir espaço para uma nova safra de produções brasileiras.

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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