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Crítica: Mogli – O Menino Lobo

Avatar de Paulo Olivera
Paulo Olivera
14 de abril de 2016 3 Mins Read

Voltando a ser criança

Mogli 2016 Cartaz 01A Disney vem investindo pesado em clássicos contos infantis transformados em Live-action. Depois do fraquíssimo e preguiçoso “Cinderella (2015)”, chegou hoje, 14 de abril, ao circuito nacional, o filme “Mogli – O Menino Lobo”, todo produzido em estúdio, com apenas um ator e um elenco estrelado de dubladores internacionais e nacionais.

A nova adaptação do livro “The Jugle Book”, do escritor inglês Rudyard Kipling, lançado em 1894, onde narra histórias vividas por Mogli, um menino indiano que foi criado por lobos, sendo o melhor amigo de uma pantera e um urso, ganhou uma nova versão nas mãos da Disney que já havia adaptado a obra para animação em 1967. Inevitavelmente, quem conhece a primeira obra vai perceber inúmeras diferenças entre elas, mas nenhuma faz o longa não ser merecedor de seu reconhecimento pelo excepcional trabalho realizado.

A nova versão ficou mais sombria, nada musical e com pouquíssimo humor, transformações que deram ao longa uma outra roupagem para conquistar “a nova geração”. Com um grande cuidado em ser realista e natural, a direção de Jon Favreau (Homem de Ferro 1 e 2) apresenta sequências verossímeis, mesmo se tratando de um filme realizado todo em pós-produção.

Outro impecável trabalho é o CGI (Computer Graphic Imagery). O fato de ter apenas um único ator em cena, e os demais animais/personagens criados em computação gráfica, pode ter deixado os fãs apreensivos, mas superam as expectativas. Assim como a direção, o CGI tenta ser o mais natural possível e é visivelmente exposta a qualidade realizada quando você passa a perceber os pelos dos animais, as texturas da floresta e até mesmo a qualidade do 3D.

Mogli 2016 04

Talvez o único pecado seja o simplificado roteiro de Justin Marks. Mesmo se preocupando em ser fiel a obra literária, a série de eventos passa como se fosse apenas uma necessidade de superar obstáculos – Tenho um obstáculo, opa, passei por ele. Tem outro, opa, já foi. Além disso, há outras explicações que ficam pelo caminho e não são justificadas, talvez por não serem tão importantes quanto o desenvolvimento e amadurecimento do personagem central, mas ainda assim, consegue progredir bem.

O colorido da animação ganhou contraste e perdeu a saturação, assim como as músicas perderam o espaço. A aguardada “Necessário, somente o necessário”, que foi regravada para o lançamento nacional por Tiago Abravanel, foi inserida em uma singular cena naturalizando a musicalidade.

Neel Sethi, que dá vida a Mogli, aparece inesperadamente interessante e natural, dadas as circunstancias no qual se realizou a produção, para uma criança. Não podemos dizer que o filme “é dele”, mas o menino nos entrega uma atuação leve e bem realizada, até mais do que o esperado. Os demais atores, elenco de peso de Hollywood e da dramaturgia brasileira, tornaram-se dubladores. Na versão nacional há altos e baixos, para nossa felicidade são mais altos que baixos, com destaque para Alinne Moraes, como a cobra Kaa, e Thiago Lacerda, como o tigre Shere Khan.

“Mogli – O Menino Lobo”, é mais um lançamento das releituras de clássicas animações prometidas pela Disney. O longa nos arrebata pela qualidade, pela sobriedade em sua execução e por nos transportar primorosamente à infância. Depois dessa boa adaptação, a expectativa para Tarzan só cresce.

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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, mas reside no Rio de Janeiro há mais de 10 anos. Produtor de Arte e Objetos para o audiovisual, gypsy lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, workaholic e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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