Após 12 anos, Rouge volta aos palcos para o próprio baile de debutante.

Alou anos 2000, quem nunca cantou o “aserehe'” por aí não sabe o que é ter vivido essa década histórica. E aquilo, não tem como falar de anos 2000 sem falar de Rouge, nossa Spice girls ou Fifth Harmony brasileira, formada em 2002 no reality show “Popstar”, exibido no SBT.

As meninas Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Patrícia Lissah (hoje Li Martins) e Luciana Andrade foram selecionadas entre mais de 30 mil candidatas e venceram a competição, formando o Rouge. A girl band foi um fenômeno em todo o Brasil, com maratonas de shows esgotados, vendagem premiada de cds (na época a melhor medida de sucesso de um artista, sem contar a pirataria) e uma série de produtos licenciados, incluindo álbum de figurinhas.

Aliás, fenômeno é também o que estão causando nas redes sociais desde o dia 12 de setembro de 2017, quando anunciaram em sua página oficial no Facebook o retorno da banda com a formação original. Desde então, a internet reposicionou o Rouge entre os assuntos mais comentados. Até uma campanha para a disponibilização da discografia das meninas nas plataformas digitais tomou conta das conversas. E está bombando!

O primeiro álbum do Rouge foi lançado ainda em 2002, logo após o encerramento do reality show. Chamado “Rouge”, o cd trazia os hinos “Não dá pra resistir”, “Beijo molhado” e, obviamente, “Ragatanga”. Em 2003, “C’est La Vie” bombardeou as rádios com “Brilha la Luna” e “Um anjo veio me falar”. O ano de 2004 foi bombástico para as meninas e para os fãs com a saída de Luciana do grupo, que se transformou em quarteto. Elas seguiram carreira e lançaram “Blá Blá Blá” no mesmo ano e “Mil e uma noites”, em 2005, sendo esse o último álbum antes desse hiato de 12 anos!

Agora em 2017 os fãs, então crianças e adolescentes dos anos 2000, foram surpreendidos com o retorno explosivo da banda: elas estavam de volta e com a formação original. Quinze anos depois da estreia de Rouge, as cinco meninas retornam aos palcos para um baile de debutante à altura do impacto causado com o seu nascimento.

A sua volta foi organizada pela festa carioca “Chá da Alice” em comemoração aos seus oito anos de existência. A organização da festa aderiu à essa pegada da nostalgia desde que promoveu o “Xuchá, o Chá da Xuxa”, em 2016 e bateu recorde de público. Com o sucesso estrondoso do retorno da rainha dos baixinhos como cantora e performer, os organizadores do “Chá da Alice” investiram mais uma vez no resgate do fenômeno de uma época. E acertaram!

Com posts enigmáticos nas redes sociais, o “Chá da Alice” divulgou aos poucos e com uma pegada surpresa quem seria a atração do próximo evento de aniversário da festa. Indícios, dicas e muito brainstorm levaram os fãs do Rouge a descobrirem o enigma e invadirem as redes sociais com posts eufóricos. Quem conhece um pouco da trajetória da banda sabe: um dos primeiros sucessos, “Nunca deixe de sonhar”, rendia um coral de público e banda cantando juntos que “há uma luz em algum lugar que vai fazer seu sonho se realizar”. Agora, o coral se repete com a sensação de que a luz brilhou e a chance de reviver a vibe anos 2000 é real.

O “Chá Rouge” aconteceu nos dias 13 e 14 de outubro de 2017, no Vivo Rio, e acontecerá em 25 de novembro e 02 de dezembro na cidade de São Paulo, na Expo Barra Funda. Os ingressos das quatro apresentações se esgotaram em poucas horas e derrubaram por minutos os sites de venda dos ingressos que ficaram congestionados. Filas de “rougemaníacos” também se formaram nas bilheterias dos pontos de venda físico. A surpresa com que os fãs receberam a notícia do retorno da banda foi a mesma que pegou Aline, Fantine, Karin, Li e Luciana diante dessa euforia e vibração coletiva!

Atualmente, cada uma delas segue com projetos e vida pessoal independentes. Por isso, a reunião é tão surpreendente quanto emocionante. A diversidade e a representatividade que faz o Rouge e o reencontro dessa girl band numa época em que tanto se debate e se constrói o empoderamento feminino é uma oportunidade de ressaltar e relembrar mais uma vez esse sucesso e de inspirar novas artistas.

A previsão é que um DVD seja lançado em 2018 e há possibilidade do show se transformar em turnê, como aconteceu com o “Xuchá”. Porém, até o momento, essas são apenas especulações sem nenhum tipo de confirmação das meninas e de suas assessorias. Por enquanto, apenas cariocas e paulistanos (e a leva de fãs que está viajando para as cidades) seguem com uma bela noite para bailar o zouk ao lado da girl band brasileira mais representativa de todos os tempos.


Por Helena Ometto