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O lado oculto da fama: quando os esqueletos saem do armário

2017 foi um ano e tanto para o mundo artístico. Começou mal: com um homem acusado de assédio sexual ganhando o Oscar. Casey Affleck recebeu das mãos de Brie Larson o troféu reconhecendo sua atuação no filme “Manchester à Beira-Mar”. A ironia não passou incólume: no ano anterior, Larson havia recebido o prêmio na categoria feminina por sua interpretação como Mãe, a protagonista do filme “O Quarto de Jack”, no qual vivia uma mulher que foi abusada durante sete anos enquanto era mantida presa por seu sequestrador/estuprador.

A atriz não pareceu nada a vontade ao ter que entregar o prêmio a ele, não aplaudindo em sinal de sua reprovação pelo troféu dado. Affleck foi denunciado algumas vezes por assediar mulheres em uma produção de 2010. Ele acabou fazendo um acordo fora do tribunal com as vítimas, mas nunca sofreu qualquer rejeição por seus atos dentro de Hollywood, e nem sequer divulgou qualquer nota se desculpando sobre o que fez.

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Em uma entrevista, ao falar sobre o assunto, disse que não sabia o que mais poderia fazer. A ironia é que o ator nunca deu realmente uma declaração ou pediu desculpas pelo que fez.  Por bem menos, Winona Ryder viu sua carreira ser destruída por causa de sua cleptomania. Em tempo, ele não entregará o prêmio de Melhor Atriz de 2018 do Oscar, coisa que é tradição no evento: quem ganhou o Oscar de Melhor Ator de um ano entrega a principal categoria feminina no ano seguinte. O ator recusou entregar a categoria em resposta as campanhas que estão acontecendo, pedindo punições mais firmes aos acusados de assédio e abuso sexual e estupro.

Casey Affleck não é o único. Johnny Depp, Woody Allen, Michael Fassbender, Mel Gibson, Dustin Hoffman, Jeremy Piven, Roman Polanski, entre outros são nomes constantemente denunciados, mas suas carreiras seguem firmes dentro da sétima arte.

O ano parecia que ia terminar assim, com vários segredos ocultos, até que o jornal New York Times publicou em outubro uma grande reportagem contra o famoso produtor Harvey Weinstein, que contava com 13 atrizes que o denunciavam por assédio e abuso sexual. Nomes como Cara Delevingne, Gwyneth Paltrow, Angeline Jolie, Mira Sorvino e várias outras falaram para o jornal contra ele.

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Em uma das denúncias mais recentes, Uma Thurman acusa o produtor por sua postura com ela, que esteve em filmes importantes como “Pulp Fiction” e “Kill Bill 1 e 2”, produzidos pela empresa de Harvey. O primeiro relato data da década de 1990. A atriz disse que enquanto se reunia com o produtor para falar sobre possíveis outros trabalhos, ele teria ficado pelado e a convidado para uma sauna. Ela reclamou de sua conduta e foi deixada no local onde acontecia a reunião, enquanto Harvey teria saído insultando-a.

Uma outra vez, já nos anos 2000, a atriz teria um outro encontro e levou uma amiga, mas foi convencida pelo assistente dele a subir até o quarto sozinha. Lá ela foi agarrada, pressionada e segurada, até conseguir se desvencilhar e descer. Segundo a amiga de Uma, ela teria aparecido bastante fragilizada, chorando e parecendo amedrontada. Os advogados de Harvey Weinstein divulgaram uma nota dizendo que o produtor entendeu erroneamente os sinais da atriz e que, na época, havia pedido desculpas para a mesma.

Outra acusação que acabou saindo tempos depois, mas não ganhou muita projeção foi da atriz queniano-mexicana Lupita Nyong’o. Em 2011, quando ainda era uma estudante de Artes Cênicas, ela foi apresentada para Weinstein por uma pessoa que a alertou para tomar cuidado com ele. Tempos depois, Nyong’o foi convidada para assistir uma projeção de um longa na casa dele, junto a sua família. Ao chegar ao local, apenas empregados e filhos estavam por lá. Quando começou o filme, ela teria sido chamada e levada até o quarto dele – que teria dito que queria fazer uma massagem nela. Assustada, ela inverteu as posições, conseguindo fugir quando ele tentou ficar nu na sua frente.

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A atriz ainda teve outros dois encontros ruins com Weinstein antes da fama, um em que ele tentou coagi-la a subir para um quarto de hotel com a promessa de que poderia fazer milagres em sua carreira, mas Nyong’o o dispensou outra vez, ouvindo do produtor que ela estaria sendo ingênua ao não saber o que estaria rejeitando. Em 2013, ela o encontrou quando divulgava “12 Anos de Escravidão” e ouviu pedidos de desculpas vindos dele. Depois de ser premiada com o Oscar, ela se prometeu nunca trabalhar com o produtor.

Ao atingir Weinstein, vários outros nomes apareceram também. Foi divulgado que tal reportagem iria ser feita em 2002, mas foi duramente impedida por Matt Damon e Russel Crowe, que tinham filmes a estrear com a empresa do produtor e ameaçaram a jornalista responsável para que ela não publicasse qualquer nota. Ben Affleck, que é amigo pessoal de Weinstein, foi acusado não apenas de ser cúmplice, mas também de ter assediado outras mulheres. O estrago foi tamanho na carreira de Harvey Weinstein que ele foi demitido da própria produtora, sua mulher pediu o divórcio e ele foi levado para uma clínica com problemas psicológicos.

Weinstein e Casey Affleck são polos opostos. Enquanto o primeiro foi denunciado depois de muitos anos cometendo o mesmo crime, o segundo continua com sua carreira de ator, produtor e diretor. Mas, eles não foram os únicos denunciados. Futuramente, teremos ainda uma segunda matéria com outros suspeitos.

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Marya Cecília é goiana de nascimento, mora em São Paulo há seis anos e ainda assim não consegue lidar com o clima 4 estações em um dia que rola nessa cidade. Tem umas manias esquisitas, tipo ver um filme que gosta várias vezes, mas esta tentando lidar com isso (ou não). Falando nisso, ela não faz questão nenhuma de ser normal, então podemos apenas seguir em frente!

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