A série é a prova de que o imaginário da ficção pode sair das telinhas e se tornar real

Taí: quer descobrir o que vai acontecer daqui uns anos? Pois então pode esquecer cartomante, borra de café ou búzios. Um profeta pé quente que está acertando mais do que o polvo da Copa de 2010 é a sequência de Os Simpsons. Não é de hoje que os criadores do programa adivinham fatos do cotidiano e deixam a todos de boca aberta.

Os Simpsons está em sua 28ª edição e é exemplo de uma das maiores animações já criadas em décadas. A série, que contém em seu elenco Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie Simpsons vivendo na cidade de Springfield, apresenta e satiriza a vida das famílias de classe média dos Estados Unidos e é uma das mais assistidas em todo o mundo.

A cada episódio repleto de situações cômicas e surreais, que retratam o dia a dia de uma cidade “comum”, um detalhe começou a chamar atenção: várias das situações apresentadas em alguns episódios começaram a, de fato, se reproduzirem na vida real. E, pior: em muitos dos casos, com as mesmas pessoas.
O exemplo mais recente é a previsão do ganhador do Nobel de Economia, que foi revelado na última semana. No episódio de estreia da temporada lá em 2010, Lisa, Martin Prince e o pequeno (e nerd!) Milhouse Van Houten fizeram um bolão sobre o provável vencedor. Bert Holmstrom, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi a aposta de Milhouse e, surpreenda-se, o atual vencedor do prêmio.

Até mesmo o MIT, em sua página oficial do Twitter, fez questão de lembrar da aposta do pequeno Milhouse. O mais engraçado é pensar que essa é apenas mais uma das várias coincidências da série de TV com a vida real.

"curiosidade, Milhouse, de 'Os Simpsons', uma vez previu que o professor Holmstrom venceria o Prêmio Nobel. Hoje ele acertou", twittou a página oficial do MIT. (Foto: Reprodução/Twitter)
“Curiosidade, Milhouse, de ‘Os Simpsons’, uma vez previu que o professor Holmstrom venceria o Prêmio Nobel. Hoje ele acertou”, twittou a página oficial do MIT. (Foto: Reprodução/Twitter)

Em 1994, no episódio “Lisa on Ice”, Dolph usa uma espécie de agenda eletrônica da Apple para fazer anotações. Ao escrever “beat up Martin”, o aparelho automaticamente muda para “eat up Martha”. O episódio ajudou a Apple a criar o mecanismo de autocorreção num Smarthphone, numa época em que aparelhos sem teclado ainda eram um desafio.

Em outro episódio, em 2008, retratava uma situação durante as eleições presidenciais: os votos da população de Springfield direcionados a Barack Obama eram computados para o candidato adversário, John McCain. O mesmo problema aconteceu nas eleições de 2012: quando os eleitores americanos apertavam em Obama, a urna registrava para a imagem de Mitt Romney.

Momento em que os votos para Obama quase são computados para Mitt Romney (Foto: Reprodução)
Momento em que os votos para Obama quase são computados para Mitt Romney (Foto: Reprodução)

Infelizmente, as coincidências para notícias tristes também aconteceram. Uma delas foi em um programa de 1993, quando os mágicos Sigfried e Roy foram atacados pelo próprio tigre branco. Por incrível que pareça, dez anos depois Roy foi mordido por um de seus tigres brancos, o que fez com que passasse vários dias internado em estado grave.

Não podemos esquecer, por último, da copa de 2014, quando Homer foi juiz de um dos jogos no episódio “You Don’t Have to Live Like a Referee”. Na ocasião, “El Divo”, craque da seleção brasileira, se lesionou, ficando fora do jogo. O fato é que, na vida real, Neymar acabou se lesionando no jogo contra a Colômbia e desfalcou o clássico contra a Alemanha, que, no desenho, ganhou do Brasil por 2X0, mas na verdade… bem, deixa pra lá.
De fato, várias coincidências ou, para quem preferir, previsões, aconteceram. Os Simpsons vai para a casa do 600º episódio e mostra que, desde seu lançamento, ele ultrapassa as barreiras do tempo com suas críticas atuais, que acabam por deixar o virtual e se tornam fatos reais.


Por Michele Matos


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