Primeiro longa de Priscilla Kellen aposta em uma animação praticamente sem diálogos, com muita cor e uma história sobre crescimento, natureza e pertencimento
O longa “Papaya” chega aos cinemas brasileiros em 24 de setembro de 2026 com uma proposta diferente para uma animação voltada principalmente ao público infantil. Primeiro longa-metragem dirigido por Priscilla Kellen, o filme acompanha uma pequena semente de mamão em uma jornada de descobertas, praticamente sem utilizar diálogos. São as cores, os movimentos, a música e os efeitos sonoros que assumem a tarefa de contar a história.
Com 74 minutos de duração, a animação segue um ritmo tranquilo e pode causar certa estranheza nos primeiros minutos justamente pela falta de falas. O filme não fica explicando constantemente o que está acontecendo e deixa algumas situações abertas à interpretação. A partir daí surge um desafio interessante: será que uma animação infantil consegue segurar a atenção das crianças sem personagens explicando cada acontecimento?
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Uma pequena semente descobrindo seu lugar no mundo
A história acompanha Papaya, uma pequena semente de mamão que sonha em voar e procura permanecer sempre em movimento para evitar criar raízes. Durante sua aventura, ela começa a descobrir que aquilo que tanto evitava pode ser importante para sua própria existência. Suas raízes passam a conectá-la com outras formas de vida e também provocam mudanças no ambiente ao seu redor.
A natureza está presente durante praticamente toda a jornada. Insetos, animais, frutas, sementes e plantas aparecem conectados de alguma maneira, apresentando para as crianças como diferentes seres possuem sua importância dentro de um ecossistema. Abelhas e pólen, por exemplo, entram nessa construção e ajudam a mostrar o surgimento de novas plantas sem fazer o filme parecer uma aula de ciências.

As cores contam boa parte da história
O visual é facilmente um dos pontos que mais chamam atenção em “Papaya”. Priscilla Kellen, que também assina a direção de arte, cria um universo muito colorido, utilizando formas bidimensionais, colagens e referências aos grafismos latino-americanos e aos recortes de papel de Henri Matisse. A própria diretora definiu a estética criada para o longa como um “tropicalismo pós-apocalíptico”.
E toda essa escolha visual faz ainda mais sentido em uma produção que quase não utiliza palavras. As cores ajudam a diferenciar ambientes e emoções, enquanto os movimentos dos personagens precisam deixar claro o que está acontecendo em cada situação.
O meio ambiente também ganha bastante espaço. Durante a viagem de Papaya, aparecem locais naturais modificados por máquinas e pelo consumo, além de situações envolvendo poluição e exploração da natureza. O assunto é apresentado de maneira simples para que as crianças consigam entender o que está acontecendo sem transformar a aventura em um grande discurso ambiental.

Quando não existem diálogos, o som precisa falar
Com praticamente nenhum diálogo durante os 74 minutos, o trabalho sonoro do Submarino Fantástico se torna fundamental. Barulhos da natureza, movimentos das criaturas e mudanças nos ambientes ajudam a transmitir informações que normalmente seriam apresentadas através das falas.
A trilha sonora de Talita Del Collado segue o mesmo caminho e acompanha muito bem o ritmo mais calmo da animação. A música ajuda a marcar descobertas, perigos e mudanças durante a viagem, enquanto Tulipa Ruiz também participa dessa parte musical.
Produzido durante sete anos pela Boulevard Filmes, em coprodução com o Birdo Studio, Priscilla Kellen e Alê Abreu, “Papaya” mostra bastante cuidado principalmente na construção de seu universo e na maneira escolhida para apresentar essa aventura.
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Uma animação que sabe para quem está falando
A narrativa pode causar alguma confusão em determinados momentos, principalmente para quem espera uma história convencional, com diálogos e explicações para tudo. Ainda assim, “Papaya” deixa bem claro qual público pretende alcançar. É uma animação infantil, tranquila e contemplativa, que encontra maneiras simples de falar sobre natureza, crescimento, diversidade e pertencimento.
Para as crianças, existe um universo cheio de cores, criaturas e descobertas. Para os adultos que estiverem acompanhando, algumas das mensagens ambientais e dos simbolismos podem ganhar outra interpretação.
“Papaya” encontra nas imagens sua melhor forma de comunicação. A pequena semente não precisa falar para conduzir sua aventura, e essa escolha acaba dando personalidade ao filme. Com muita cor e criatividade, a animação brasileira encontra um jeito diferente de apresentar às crianças uma história sobre descobrir o mundo e, principalmente, entender qual é o seu lugar dentro dele.
Imagem Destacada: Divulgação/Cajuína Audiovisual



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