Está chegando aí a 4ª edição de The Game Awards, o Oscar dos videogames, com mais de cem indicados, nas mais diversas categorias. Elas vão desde premiações para melhor jogo de certo gênero, como Melhor jogo de Ação, de Estratégia, Multiplayer e até Jogo do Ano, Jogo Independente, entre outras. Mas a categoria que mais se destaca é a Games for Impact (ou Jogos para Impacto, numa tradução livre).

Esta categoria traz jogos de impacto social: que abordam os pontos de vista e histórias de minorias sociais, trazem assuntos históricos ou do dia a dia, tratando até de doenças até tensões políticas… São histórias que precisam ser contadas – e ouvidas – em títulos que provam o valor do videogame como cultura e forma de expressão artística.

Para exemplificar melhor o tipo de jogo que esta categoria apresenta, podemos citar o vencedor deste prêmio no ano anterior, o título independente, That Dragon, Cancer – um game que conta a jornada de uma família que está prestes a perder seu filho para o câncer. Dos anos anteriores, também temos Life is Strange, que faturou o prêmio em 2015, e este ano tem sua sequência concorrendo mais uma vez; já em 2014, na primeira edição do Game Awards, foi Valiant Hearts: The Great War, que cativou o público com suas emocionantes histórias sobre a primeira guerra mundial e levou o troféu.

Temos mais uma vez, uma diversa lista de histórias e pontos de vista para 2017. Vamos falar um pouco mais sobre cada um deles a seguir:

Please Knock on My Door

Desenvolvido por Levall Games
Plataforma: PC
(Página Oficial | Facebook)

Basicamente, um simulador de depressão e ansiedade social. Soa frio e sádico, quando descrito desta maneira, mas Please Knock on My Door é aquele jogo que fala verdades duras, sem perder a sensibilidade. Nele, você controla o protagonista em seu dia a dia, tendo suas ações afetadas pela sua condição mental e emocional. Você é guiado em ações cotidianas por um narrador – bondoso nos seus momentos bons e cruel nos momentos ruins –, dizendo, sem restrições ou censuras, aqueles pensamentos extremos que temos pessoalmente. E é claro que, quando o personagem que controlamos está extremamente afetado por depressão e pensamentos negativos, até tarefas simples, como tomar um banho, podem tornar-se impossíveis. Um olhar duro, mas empático, sobre alguém lidando com depressão, baseado em experiências pessoais de Michael Levall, o criador do jogo.

Night in the Woods

Desenvolvido por Infinite Fall
Plataformas: PS4, PC, Mac e Linux
(Página Oficial | Facebook)

Um game de aventura e exploração, com ênfase em sua história. Com um elenco antropomórfico, o título é protagonizado por Mae, uma (literalmente) gata que largou a faculdade e volta para Possum Springs. No entanto, sua cidade não é mais a mesma. Seus amigos e suas vidas mudaram completamente, extremamente afetados pelo fechamento das minas, que eram basicamente a vida econômica da cidade. Agora, ela terá que lidar com estas mudanças, enquanto investiga também o desaparecimento de sua melhor amiga, Casey.

O que faz com que o jogo concorra ao prêmio de Jogos por Impacto é uma rica narrativa, que mostra a estagnação econômica – senão a morte – de uma pequena cidade americana, e como isto afeta a vida de seus habitantes.

Life is Strange: Before the Storm

Desenvolvido por Deck Nine Games
Plataformas: PC, PS4 e Xbox One
(Página Oficial | Facebook)

Prequel de Life is Strange, de 2015, (que venceu o prêmio de Jogo para Impacto, no ano em que foi lançado, conforme mencionamos antes), Before the Storm é certamente um dos favoritos para vencer este ano, também. Assim como o original, BtS é lançado por episódios. Desta vez, a protagonista é Chloe Price, e o jogo foca em seu relacionamento com Rachel Amber – história esta que tem grande peso no game anterior, protagonizado por Max Caufield.

A grande diferença neste jogo para seu antecessor é a ausência da viagem no tempo, afinal, estas só eram possíveis devido aos poderes de Max. No lugar, temos a opção Bate-boca (Backtalk, no original), onde Chloe basicamente usa seu senso de humor único e língua afiada, podendo ajudá-la a sair de situações complicadas… ou complicando estas situações mais ainda.

Assim como no primeiro game da série, Before the Storm é uma aventura empática, com desenvolvimento de personagens bem escritas, além de toda representatividade feminina (e livre de clichês). O título aborda de forma franca os problemas de relacionamentos e de crescimento num mundo onde você sente que não se enquadra.

Bury Me, My Love

Desenvolvido por The Pixel Hunt
Plataforma: Android e iOS.
(Página Oficial | Facebook)

Além de ser um game de impacto, Bury Me, My Love é um dos mais diferentes, entre todos indicados em todas categorias do Game Awards este ano. É uma obra de ficção interativa, exclusiva para smartphones. Nele, você é Majd, marido de Nour, uma mulher tentando fugir da guerra civil da Síria, indo para a Europa. Como já demos a entender, este não é um jogo convencional: toda história e jogabilidade acontece por meio da troca de mensagens de texto do casal, e é feita pelo seu próprio smartphone, enquanto a esposa progride e interage com o jogador em tempo real.

O aplicativo do jogo, basicamente simulará um aplicativo comum de mensagens, como o Whatsapp, e continuará rodando em seu telefone: você poderá receber mensagens de Nour a qualquer momento, enquanto ela precisa de sua ajuda para tomar decisões difíceis, que surgem ao longo do caminho. Você poderá respondê-la de forma similar aos diálogos de outros games, como Mass Effect ou The Walking Dead, e obviamente estas respostas influenciarão em como ela procederá em sua complicada jornada.

A grande inspiração do jogo veio da história de Dana S. – uma refugiada que teve sua história contada ao Le Monde, por meio de 250 prints de mensagens trocadas via smartphone com seus entes queridos, ainda na Síria, enquanto ela mesma tentava sobreviver. Outros refugiados também foram ouvidos pelo estúdio, a fim de que os dilemas enfrentados pelo casal no jogo, Nour e Majd, fossem as mais realistas possíveis.

What Remains of Edith Finch

Desenvolvido por Giant Sparrow
Plataformas: PC, PS4 e Xbox One
(Página Oficial )

Neste aponte-e-clique em primeira pessoa, você (também) encarda Edith Finch Jr. – o último membro vivo da família. Você explora a casa da família e seus cômodos, de forma bem similar ao hit de 2015, Gone Home, e vai revivendo os últimos momentos da vida de Finchs já falecidos. O jogador irá testemunhar a história dos Finch desde aproximadamente o ano de 1900, até os dias atuais, explorando o vasto passado de uma família supostamente amaldiçoada.

O que faz What Remais of Edith Finch um jogo de impacto é a forte carga emocional: em como o jogador se conecta fortemente com cada membro da família, para testemunhar o final de suas vidas, resultando num game que nos faz contemplar a fragilidade da vida.

Hellblade: Senua’s Sacrifice

Desenvolvido por Ninja Theory
Plataformas: PC e PS4
(Página Oficial | Facebook)

Hellblade traz a jornada da guerreira celta Senua, traumatizada após uma invasão Viking. O submundo que a protagonista enfrentará é a manifestação de sua mente, dando ao jogador a oportunidade de se colocar no lugar de um personagem que enfrenta sérios problemas mentais.

Para garantir que o jogo não estaria apenas “se aproveitando” da história de pessoas afetadas por psicoses, os desenvolvedores trabalharam consultando diretamente profissionais de neurociências, além de pessoas que tiveram experiências com doenças mentais, resultando no que eles declaram ser uma experiência “tão exata quanto sensível”.

Ao contrário dos demais jogos apresentados nesta lista, “Senua’s Sacrifice” é um game de ação, apesar de seu grande foco em história, com uma mecânica similar aos de outros títulos no estilo hack’n’slash, como Dark Souls e God of War.


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Cesar Rezende

Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

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9 thoughts on “Quando games vão além da diversão II

  1. Dá sua lista só conheço Life is Strange: Before the Storm, mas ainda não tive a oportunidade de joga-lo, apenas tive contato com Life is Strange, mas pelo que vi traz a mesma proposta sem a questão da viagem no tempo.

  2. Nunca tinha ouvido falar de games for impact, mas ja adorei a ideia logo de cara. Acho muito valido ter esse tipo de coisa em todo lugar: games, filmes, musica. Realmente fazer a pessoa se colocar no lugar da personagem e ver como é ter esse tipo de problema. Adorei o Please Knock on My Door, foi o meu favorito da lista. Também gostei muito do Bury Me, My Love, ja que apoio muito os refugiados da Síria. Quem sabe com ele alguns europeus tenham mais empatia e vejam como é difícil estar naquela situação e ainda nao ter nenhuma ajuda.

    Beijos
    Isa Nonemacher

  3. Mesmo não tendo jogado nenhum da lista, com toda certeza o meu queridinho (e o qual estou torcendo) é o Life is Strange: Before the Storm, já que Life is Strange está entre os meus games preferidos da vida e me fez ficar em prantos em vários momentos. Mas admito que também estou com muita vontade de jogar o Hellblade desde quando foi anunciado com aquele trailer incrível. Eu gostei da temática de todos e fiquei bastante curiosa, principalmente por Bury Me, My Love que traz uma jogabilidade diferente das demais, sendo até mesmo mais acessível.

    http://www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

  4. Pelas descrições Life is Strange e Hellblade foram os que mais me chamaram atenção. Já li algumas críticas positivas de Hellblade, destacando, por exemplo, que a protagonista é bem desenvolvida. Legal que os produtores tenham feito pesquisas séries para poderem retratarem os transtornos mentais, claro que isso contribuiu na construção da personagem.

  5. Oii, tudo bem? Para ser sincera não sabia que havia uma premiação para gamers desse jeito e já vou logo dizendo que adorei. Já tinha ouvido falar de Life os Stranger e tinha visto uns vídeo dele que me deixou bem curiosa para jogar.

  6. Oi César, tudo bem? Uau quantos jogos. Realmente nunca parei pra pensar que houvesse tanto conhecimento, tanta história e consciência por trás de “simples” jogos. Faz bastante tempo que não me aventuro num jogo o último que tentei jogar foi Need for Speed amo jogos de corrida. Achei interessante a forma como você apresentou cada um deles. Fiquei curiosa pra conhecer mais o último sobre Vikings. Beijos, Érika =^.^=

  7. Me senti meio tiozona por não saber que existe essa premiação hahahah.
    Bom saber que temos tantos jogos que ajudam as pessoas de alguma forma, e que mais incluem do que excluem. Além desses, ainda existem aqueles jogos bem mais simples que são educativos para as crianças pequenas.

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