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Literatura

Resenha: Sobre Meninos e Lobos, de Dennis Lehane

“Sobre Meninos e Lobos” é um livro que queríamos ler fazia muito tempo, mas que nunca parecia ser o momento certo. Já dizia o ditado antes tarde do que nunca e certos livros necessitam de uma maturidade para ler e compreender a maior parte das mensagens que se quer passar. Foi o caso com “Mystic River”, como também é conhecido.

O livro foi adaptado para o cinema em 2003 pelo diretor Clint Eastwood tornando o Dennis Lehane mundialmente famoso pouco tempo depois. Ele também é autor de “Shutter Island” (Ilha do Medo), então para quem conhece a história, já dá para ter uma ideia do estilo de escrita e de atmosfera de Lehane.

O livro começa com a vida de três meninos que vivem em bairros próximos, mas não necessariamente iguais de Boston. Sean Devine vive em uma área nobre, enquanto que Jimmy Marcus e Dave Boyle moram em uma pobre. No entanto, os três são colegas de bairros e fazem coisas juntas como três crianças normais.

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Os três brincavam na rua quando foram abordados por falsos policiais que raptaram Dave e o submeteram a abusos sexuais. Dave consegue escapar, mas fica marcado para sempre pelos maus-tratos que sofreu, não conseguindo se inserir de volta à sociedade, mesmo que seja algo velado.

Apesar de Dave ter sido o único a entrar no carro, os três meninos, agora homens, foram profundamente traumatizadas pelo acontecimento e isso se reflete na vida de cada um. Sean torna-se policial, enquanto Jimmy segue pelo caminho oposto, e se envolve em crimes precocemente, sendo preso em seguida e tendo que recomeçar sua vida.

Muitos anos depois, os três irão se reencontrar, desta vez em função de outro ato de violência: a filha adolescente de Jimmy, Katie, é assassinada. Em um determinado momento, as suspeitas recaem sobre Dave.

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Podemos dizer que é um livro do qual gostamos muito. É muito bem trabalhado, tanto na temática policial quanto à construção dos personagens. Sean e Jimmy, apesar de seguirem rumos opostos, têm os mesmos valores expostos no livro de formas diferentes. Ambos vivem presos a um sentimento de culpa (será que eles deviam ter entrado no carro? Por que não entraram?) expresso por meio da autoridade pela força, tentando a todo custo proteger aqueles que consideram mais fracos.

No início do livro observamos Katie Marcus, filha de Jimmy, sair com as amigas e passar por uma série de bares até estar sozinha voltando para casa. Ela já tem a impressão de que algo está errado quando precisa desviar de algo no chão e bate o carro, logo em seguida, ela recebe a ajuda de um estranho armado. Depois disso não temos mais notícias de Katie, só que ela está desaparecida.

Nesse interím, Dave Boyle chega em casa machucado, com um sangue que não é dele, e uma facada na barriga. Ele conta a sua esposa Celeste que lutou com um assaltante e pede a ela ajuda para lidar com aquela bagunça. Celeste, no entanto, percebe que o marido está mentindo, mas decide ajudá-lo por hora.

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Durante as investigações descobrimos que Katie pretendia fugir com o namorado Bredan para Las Vegas e Jimmy não aprovava o namoro. Não havia, à princípio, nenhum motivo para isto, mas o ranço de Jimmy pelo menino e seu irmão mais novo, Ray, fica explícito em muitas partes do livro.

No desenrolar da trama Celeste (e nós também, apesar de não entendermos o motivo) acaba suspeitando do marido. Chega a tal ponto que ela confidencia seus pensamentos a Jimmy, que pretende tirar a história a limpo com Dave. Foi muito interessante Lehane ter nos feito suspeitar de um personagem que deveríamos sentir pena.

Sabemos de todo o trauma que Dave sofreu, da infância difícil que teve e dos abusos (não necessariamente sexuais) pelos quais passou, mas também não somos capazes de aceitar um assassinato, ainda mais de uma pessoa que ele conhece e convive. Você se pergunta o tempo todos se ele teria sido capaz, ou porque teria feito isso.

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“Sobre Meninos e Lobos” é um livro que recomendaríamos de olhos fechados, pois é pungente, melancólico e tão real quanto possível. É um livro no qual a história já existia antes da primeira página e continuará bem depois dela. Quando acaba, ficamos com a sensação de um vazio no peito e um gostinho de quero mais.


Por Paula Arbex

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