Edição reuniu 595 mil pessoas, marcou o retorno do Queen após três décadas e movimentou mais de R$ 500 milhões na economia carioca
O Rock in Rio 2015 aproveitou a comemoração de seus 30 anos para revisitar a própria história. Realizada nos dias 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de setembro, a sexta edição carioca recebeu 595 mil pagantes, reuniu aproximadamente 150 atrações e ofereceu mais de 90 horas de entretenimento. Durante duas semanas, nomes como Queen, Metallica, System of a Down, Slipknot, Rihanna, Katy Perry, Elton John e Rod Stewart passaram pela Cidade do Rock.
A edição também funcionou como um grande teste de mobilidade e operação urbana para a Barra da Tijuca, que se preparava para receber os Jogos Olímpicos de 2016. Com o transporte concentrado no BRT, restrições para veículos particulares e milhares de profissionais trabalhando diariamente, o Rock in Rio mostrou que já havia deixado de ser apenas uma sequência de apresentações musicais. O festival funcionava como uma verdadeira cidade de entretenimento, com shows, brinquedos, gastronomia, ativações e experiências espalhadas por todo o espaço.
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Uma edição planejada para celebrar a própria história
A programação de 2015 foi construída para conectar diferentes gerações. O maior símbolo dessa proposta foi o retorno do Queen, exatamente três décadas depois da participação histórica da banda na primeira edição do Rock in Rio, em 1985.
Sem Freddie Mercury, falecido em 1991, Brian May e Roger Taylor voltaram à Cidade do Rock acompanhados por Adam Lambert. A missão não era simples. A banda precisava revisitar músicas que fazem parte da memória afetiva do público brasileiro sem transformar o novo vocalista em uma imitação de Mercury.
O repertório reuniu clássicos como “One Vision”, “Another One Bites the Dust”, “Somebody to Love”, “Radio Ga Ga”, “Bohemian Rhapsody”, “We Will Rock You” e “We Are the Champions”. O momento mais simbólico aconteceu durante “Love of My Life”, quando o público assumiu parte da canção e repetiu uma das cenas mais lembradas do festival de 1985.
A apresentação dividiu opiniões. Parte da crítica questionou a postura teatral de Adam Lambert, enquanto muitos espectadores destacaram sua capacidade vocal e o respeito demonstrado ao legado do Queen. Independentemente das avaliações, aquele foi o show que melhor resumiu a proposta comemorativa da edição.
Outros artistas também ajudaram a reconstruir a trajetória do festival. Rod Stewart, Al Jarreau e Lulu Santos estiveram na primeira edição. A-ha e Faith No More retomavam a memória de 1991, enquanto Rihanna e Katy Perry retornavam após suas apresentações em 2011. O aniversário de 30 anos não ficou preso somente ao passado, mas usou diferentes momentos da história do Rock in Rio para formar a programação.
Rock pesado, clássicos e pop dividiram a Cidade do Rock
Depois da abertura marcada pelo retorno do Queen, o festival passou a alternar noites dedicadas ao metal, ao rock clássico e ao pop contemporâneo.
No dia 19 de setembro, o Metallica encerrou uma programação que também contou com Gojira, Royal Blood e Mötley Crüe. A banda norte-americana apresentou sucessos como “Master of Puppets”, “One”, “Nothing Else Matters” e “Enter Sandman”, além de recuperar músicas que não apareciam com tanta frequência em seus shows.
A apresentação, porém, ficou marcada por reclamações relacionadas ao áudio. Parte do público apontou volume baixo e dificuldade para ouvir alguns instrumentos. Mesmo com os problemas, o Metallica mostrou mais uma vez por que se tornou uma das atrações mais recorrentes da história do Rock in Rio.
O dia seguinte assumiu um clima completamente diferente. Paralamas do Sucesso, Seal, Elton John e Rod Stewart formaram uma sequência baseada em grandes sucessos e carreiras que atravessaram décadas. Elton John apresentou músicas como “Tiny Dancer”, “Rocket Man”, “Your Song” e “I’m Still Standing”, enquanto Rod Stewart encerrou a noite com um repertório carregado de clássicos.
Na segunda semana, o System of a Down comandou uma das apresentações mais intensas daquela edição. A banda trouxe um repertório extenso, com poucas pausas, sucessos como “B.Y.O.B.”, “Aerials”, “Chop Suey!” e “Lonely Day”, além de músicas que estavam havia anos fora dos shows.
Na mesma noite, o Hollywood Vampires fez sua primeira apresentação no Brasil. O supergrupo formado por Alice Cooper, Joe Perry e Johnny Depp chamou atenção tanto pelas músicas quanto pela presença do ator, que rapidamente se tornou uma das personalidades mais fotografadas da edição.
Slipknot comandou a noite mais pesada do festival
O dia 25 de setembro concentrou a programação mais pesada do Rock in Rio 2015. De La Tierra, Mastodon, Faith No More e Slipknot ocuparam o Palco Mundo, enquanto o Sunset recebeu encontros como Nightwish com Tony Kakko, Moonspell com Derrick Green e Steve Vai acompanhado pela Camerata Florianópolis.
O Slipknot encerrou a noite com máscaras, pirotecnia, plataformas de percussão e uma interação constante com o público. Durante “Spit It Out”, Corey Taylor pediu que os espectadores se agachassem antes de saltarem juntos, criando uma das imagens mais marcantes daquela edição.
O repertório misturou músicas do então recente álbum “.5: The Gray Chapter” com faixas dos primeiros trabalhos da banda. “Wait and Bleed”, “Duality”, “Before I Forget”, “Psychosocial” e “People = Shit” estiveram entre os destaques de uma apresentação que entregou exatamente o que os fãs esperavam do grupo.
Rihanna e Katy Perry ficaram responsáveis pelo encerramento
Os dois últimos dias do Rock in Rio foram voltados principalmente ao pop. Em 26 de setembro, Rihanna assumiu o Palco Mundo depois de apresentações de Lulu Santos, Sheppard e Sam Smith.
A cantora apresentou uma sequência acelerada de sucessos, passando por músicas como “Only Girl (In the World)”, “S&M”, “Rude Boy”, “Umbrella”, “Stay”, “Diamonds” e “We Found Love”. A quantidade de hits gerou grandes coros, mas o show também recebeu críticas pelo uso de versões reduzidas e pela velocidade com que algumas faixas foram executadas.
Sam Smith também chamou atenção naquela noite. Meses antes, o cantor havia passado por uma cirurgia nas cordas vocais e chegou a cancelar sua participação no Rock in Rio realizado em Las Vegas. Recuperado, conseguiu se apresentar no Rio de Janeiro e entregou um dos shows mais aguardados do dia.
Katy Perry encerrou o festival em 27 de setembro com a apresentação mais teatral da programação. Inspirado na “Prismatic World Tour”, o show reuniu trocas de figurino, bailarinos, efeitos visuais e sucessos como “Roar”, “Dark Horse”, “Teenage Dream”, “California Gurls” e “Firework”.
Um dos momentos mais comentados aconteceu quando Katy chamou ao palco uma fã chamada Rayane. Visivelmente emocionada, a jovem abraçou e beijou repetidamente a cantora, que tentou conduzir a situação com bom humor. O vídeo rapidamente se espalhou pelas redes sociais e ganhou repercussão internacional, tornando-se um dos episódios mais lembrados da edição.
Cidade do Rock foi montada no Parque dos Atletas
Apesar da confusão comum em registros posteriores, o Rock in Rio 2015 não aconteceu no Parque Olímpico, espaço que passou a receber o festival a partir de 2017.
A Cidade do Rock foi montada no Parque dos Atletas, na Avenida Salvador Allende, em frente ao Riocentro. O local, que também havia recebido as edições de 2011 e 2013, ocupava aproximadamente 150 mil metros quadrados.
O público encontrava cinco grandes polos de entretenimento dentro do complexo: Palco Mundo, Palco Sunset, Eletrônica, Rock Street e Street Dance. Além das apresentações musicais, havia atrações como roda-gigante, tirolesa, montanha-russa e o brinquedo X-treme.
O Palco Sunset manteve a proposta de promover encontros exclusivos. Entre os destaques estavam Angra com Dee Snider e Doro Pesch, Steve Vai com a Camerata Florianópolis, Nightwish com Tony Kakko, Moonspell com Derrick Green e Sérgio Mendes com Carlinhos Brown.
Essas apresentações ajudavam a dar ao festival uma programação que não dependia somente dos grandes nomes do Palco Mundo. Para muitos visitantes, os encontros do Sunset estavam entre os momentos mais interessantes de cada dia.

BRT virou a principal opção para chegar ao festival
A edição de 2015 marcou uma mudança importante na mobilidade. Pela primeira vez, o BRT foi definido como o principal meio de transporte público regular para chegar à Cidade do Rock.
Os passageiros embarcavam pelo Terminal Alvorada e seguiam até uma estação temporária próxima ao evento. Após passarem por uma catraca especial, recebiam uma pulseira que também era utilizada para organizar o retorno depois dos shows.

Veículos particulares não podiam se aproximar do recinto, e o festival não disponibilizou estacionamento oficial para o público. A operação mobilizou diariamente cerca de 950 agentes de trânsito, além de profissionais da Guarda Municipal, Secretaria de Ordem Pública, Comlurb, Vigilância Sanitária e outros órgãos públicos.
Somando espectadores e trabalhadores, aproximadamente 100 mil pessoas circulavam diariamente pelo complexo. A dimensão da operação mostrava como o Rock in Rio também havia se transformado em um enorme desafio logístico para a cidade.
Festival movimentou mais de R$ 500 milhões no Rio
Os efeitos econômicos da edição foram sentidos muito além dos portões da Cidade do Rock. Estudos ligados ao Observatório do Turismo da Universidade Federal Fluminense estimaram que aproximadamente 295 mil participantes eram turistas, número equivalente a quase metade do público total.
Os visitantes brasileiros permaneceram, em média, 4,8 dias no Rio de Janeiro, enquanto os estrangeiros ficaram aproximadamente 7,6 dias. Os gastos com hospedagem, alimentação, transporte, compras e lazer geraram um impacto estimado entre R$ 532 milhões e R$ 538 milhões na economia carioca.
Hotéis, hostels e imóveis de temporada registraram aumento na procura durante os dois fins de semana. Bairros como Copacabana, Leme, Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca estiveram entre os mais procurados pelos visitantes.
Os valores representam a movimentação turística provocada pelo festival, e não seu faturamento direto. A organização não divulgou um balanço auditado com receitas, despesas ou lucro da edição.
Casamentos, karaokê e novas experiências para o público
O Rock in Rio 2015 também ampliou as experiências oferecidas fora dos palcos. A Rock Street recebeu uma capela para a realização de casamentos, e o balanço final registrou oito uniões ao longo do evento.
No dia 26 de setembro, duas mulheres oficializaram o relacionamento diante de centenas de pessoas, no primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo realizado durante o festival. O momento ganhou repercussão e entrou para a lista de episódios simbólicos daquela edição.

Outra atração foi o Epic Stage, uma espécie de karaokê com banda profissional, telões e plateia. A proposta permitia que visitantes deixassem temporariamente o papel de espectadores e assumissem o centro das atenções, cantando diante do público.
A infraestrutura de alimentação e bebidas também ajuda a entender o tamanho da operação. Ao longo dos sete dias, foram vendidos aproximadamente 120 mil hambúrgueres, 27 mil cachorros-quentes, 75 mil paletas, 20 mil milk-shakes e 530 mil litros de cerveja.
Lei Rouanet colocou o festival no centro de uma polêmica
Antes do início da edição, a organização anunciou que devolveria R$ 4,04 milhões captados por meio da Lei Rouanet.
A decisão ocorreu após questionamentos sobre a diferença entre o valor do ingresso informado no projeto cultural e os preços cobrados durante a venda oficial. A edição havia recebido autorização para captar até aproximadamente R$ 12 milhões, mas os responsáveis decidiram realizar o evento sem utilizar os recursos incentivados.
A polêmica colocou o Rock in Rio novamente no centro do debate sobre o uso de incentivos fiscais por grandes eventos privados, especialmente aqueles que contam com patrocinadores, ingressos de valor elevado e grande capacidade comercial.
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Uma edição que preparou o festival para uma nova fase
O Rock in Rio 2015 foi uma edição de consolidação. A organização utilizou a memória de 1985 para comemorar a própria trajetória, mas também abriu espaço para artistas que ganhavam força naquele momento, como Sam Smith, Royal Blood, OneRepublic, The Script e AlunaGeorge.
Durante o evento, Roberto Medina confirmou que o festival voltaria em 2017 e 2019. A partir da edição seguinte, o Rock in Rio deixaria o Parque dos Atletas e passaria a ocupar o Parque Olímpico da Barra, com uma área maior e novas possibilidades de expansão.
A comemoração dos 30 anos reforçou um modelo que seria ampliado nas edições seguintes. O festival já não dependia somente de seus headliners. Brinquedos, gastronomia, encontros inéditos, ativações de marcas, casamentos e atrações participativas passaram a fazer parte da experiência de quem entrava na Cidade do Rock.
Entre reencontros históricos, shows que dividiram opiniões, episódios que viralizaram e uma operação urbana gigantesca, o Rock in Rio 2015 mostrou o quanto o festival havia mudado desde sua estreia. Três décadas depois, a música continuava sendo a principal atração, mas o evento já havia assumido uma escala muito maior, capaz de movimentar o turismo, a economia e a própria estrutura do Rio de Janeiro.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerado por Inteligência


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