Cantor retorna à Cidade do Rock como protagonista de um espetáculo inédito que une samba, pagode, soul e o legado da música negra mundial
O Péricles construiu uma trajetória que atravessa diferentes gerações da música brasileira. Antes de se transformar em uma das principais vozes do samba e do pagode, o artista trabalhou em escolas públicas, passou por uma montadora de automóveis e percorreu as rodas de samba do ABC Paulista em busca de espaço.
Quatro décadas depois do início de sua caminhada profissional, o cantor chega a um novo capítulo da carreira. Em 7 de setembro de 2026, ele sobe ao Palco Sunset do Rock in Rio para apresentar “Péricles Canta Motown”, espetáculo criado especialmente para homenagear uma das gravadoras mais importantes da história da música negra mundial.
O show representa a consolidação de uma relação que começou a ganhar força na edição comemorativa de 40 anos do festival. Em 2024, Péricles participou da música oficial “Deixa o Coração Falar” e estreou na Cidade do Rock durante uma homenagem a Alcione. Agora, retorna como protagonista de uma apresentação conceitual que aproxima samba, pagode, soul, R&B e black music.
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Das escolas públicas às rodas de samba do ABC
Péricles Aparecido Fonseca de Faria nasceu em 22 de junho de 1969, em Santo André, no ABC Paulista. Cantor, compositor e multi-instrumentista, tornou-se conhecido pelo timbre grave, pela interpretação emocional e pela facilidade de criar uma conexão direta com o público.
Antes de viver exclusivamente da música, trabalhou como inspetor de alunos em duas escolas estaduais e também foi funcionário de uma montadora em São Bernardo do Campo. Enquanto mantinha os empregos, continuava frequentando rodas de samba, festas comunitárias, bares e pequenos eventos da região.
A experiência musical não se limitava aos vocais. Péricles também tocava banjo, violão e cavaquinho, além de participar da construção dos arranjos e das composições. Essa formação ajudaria a moldar a identidade do grupo que mudaria definitivamente sua vida.

A construção do Exaltasamba
A história de Péricles está diretamente ligada ao Exaltasamba, grupo surgido na segunda metade da década de 1980 e que se tornaria um dos maiores representantes do pagode brasileiro.
Durante os primeiros anos, o conjunto se apresentou em rodas de samba, eventos e pequenas casas de espetáculo. Também chegou a acompanhar Jovelina Pérola Negra em apresentações realizadas em São Paulo, experiência importante para músicos que ainda buscavam reconhecimento.
Antes de lançar um trabalho próprio, o Exaltasamba participou da coletânea “Choppapo”, em 1991, com a música “Deixa Como Está”. No ano seguinte, chegou o álbum de estreia, “Eterno Amanhecer”.
Péricles apareceu no projeto como cantor, instrumentista e compositor. Entre as faixas assinadas por ele estavam “Quero Sentir de Novo”, “Bem Súito” e a própria canção que deu nome ao disco.
A projeção nacional cresceu ao longo da década de 1990, especialmente depois do lançamento de “Luz do Desejo”, em 1996. Na sequência, o grupo emplacou uma série de discos e sucessos que ajudaram a definir o pagode romântico daquele período.
Canções como “Me Apaixonei Pela Pessoa Errada”, “Telegrama”, “Desliga e Vem”, “Cartão Postal”, “Eu e Você Sempre”, “Livre pra Voar”, “Abandonado”, “Tá Vendo Aquela Lua” e “Fugidinha” atravessaram gerações e permaneceram presentes em shows, festas e rodas de samba.
A combinação entre letras românticas, instrumentos tradicionais, arranjos acessíveis ao rádio e forte presença na televisão transformou o Exaltasamba em um fenômeno popular.
Muito além da voz principal
Apesar de ter se tornado conhecido principalmente como vocalista, Péricles teve participação importante em toda a construção musical do grupo.
Ele assinou ou colaborou em diversas composições gravadas pelo Exaltasamba, incluindo “Presença de Paz”, “Teu Olhar”, “Jeitinho Manhoso”, “Mais Forte Que Eu”, “Pago pra Ver”, “Beco Sem Saída”, “Bons Momentos” e “O Grande Amor”.
Esse envolvimento ajuda a explicar a longevidade de sua carreira. Péricles não ocupava apenas a posição de intérprete dos sucessos. Ele fazia parte do processo criativo, conhecia a estrutura instrumental das músicas e ajudava a definir a sonoridade do conjunto.
Durante os anos 2000, a chegada de Thiaguinho abriu uma nova fase. Os dois passaram a dividir os vocais e criaram uma combinação que aproximava diferentes gerações.
Péricles representava a voz grave e madura, ligada à tradição do samba, enquanto Thiaguinho adicionava uma identidade mais jovem ao repertório. A parceria se tornou uma das marcas do período final daquela formação e continuou depois da saída de ambos do grupo.

Prêmios e reconhecimento nacional
Com Péricles entre seus principais integrantes, o Exaltasamba acumulou importantes conquistas.
O grupo recebeu prêmios no Video Music Brasil, no Troféu Raça Negra, no Troféu Imprensa e no Prêmio Multishow. Também venceu duas vezes o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode, em 2009 e 2011.
Essas vitórias pertencem à trajetória coletiva do Exaltasamba e não devem ser confundidas com as indicações individuais recebidas posteriormente por Péricles. Em carreira solo, o cantor acumulou três indicações ao Grammy Latino, sem vitória individual até a atualização disponível em 2026.

A despedida no auge
Em 2011, o Exaltasamba anunciou que encerraria as atividades naquela configuração. A despedida aconteceu no início de 2012, depois de uma sequência de shows e da gravação de um projeto audiovisual.
Péricles havia passado aproximadamente 26 anos ligado ao grupo. A decisão foi tomada em um momento no qual o Exaltasamba ainda mantinha forte presença nas rádios, na televisão e nos principais eventos do país.
Mais tarde, o cantor revelou que ficou assustado diante da possibilidade de seguir sozinho. Apesar de toda a experiência acumulada, ele ainda precisava formar uma banda, construir uma nova equipe e organizar uma estrutura profissional independente.
A insegurança era compreensível. Sair de um grupo extremamente popular significava abandonar uma marca consolidada e provar que o público continuaria interessado em sua música fora daquela formação.
O nome Exaltasamba voltaria a ser utilizado em 2016, com integrantes de outras fases e novos vocalistas. Péricles e Thiaguinho, porém, não retornaram como membros fixos. Por isso, a despedida de 2012 é lembrada principalmente como o encerramento da formação mais popular do conjunto.

“Sensações” abre a carreira solo
A nova etapa começou oficialmente em 2012 com “Sensações”, lançado em CD, DVD e Blu-ray.
Gravado em São Paulo, o projeto contou com uma estrutura de grande porte, reunindo aproximadamente 30 músicos, orquestra de cordas e backing vocals. A produção mostrou que Péricles não pretendia tratar a carreira solo como uma experiência provisória.
O repertório apresentou músicas como “Amei”, “Depois da Briga”, “Cuidado Cupido”, “Minha Razão” e “Linguagem dos Olhos”. O trabalho também contou com participações de Luan Santana e Lucas Morato, filho do cantor.
“Linguagem dos Olhos” se transformou em uma das músicas mais importantes da transição. A faixa ajudou Péricles a manter a relação afetiva construída com o público do Exaltasamba, enquanto apresentava uma identidade individual.
O projeto preservava o romantismo que já fazia parte de sua história, mas ampliava os arranjos, a instrumentação e o protagonismo vocal.
Os sucessos que consolidaram a nova fase
Em 2013, Péricles lançou “Nos Arcos da Lapa”, gravado no Rio de Janeiro. O trabalho reforçou sua conexão com o samba carioca e trouxe canções como “Se Eu Largar o Freio”, “Aquela Foto” e “Final de Tarde”.
“Se Eu Largar o Freio” ganhou popularidade pelo tom bem-humorado e mostrou que o cantor poderia circular entre histórias de amor, separações e situações cotidianas.
Dois anos depois, o álbum “Feito pra Durar” apresentou um dos maiores sucessos de sua trajetória individual: “Melhor Eu Ir”. A música se transformou em presença constante nos shows, nas rodas de samba e nos projetos audiovisuais posteriores.
Em 2017, chegou “Deserto da Ilusão”, álbum que reuniu convidados de diferentes segmentos, como Djavan, Sorriso Maroto, Jorge & Mateus e Chrigor. A variedade de parcerias reforçou uma característica frequente em sua obra: a disposição para dialogar com outros gêneros sem abandonar as raízes do samba.
O álbum “Em Sua Direção”, lançado em 2018, recebeu indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode. A turnê teve direção de Lázaro Ramos, em sua primeira experiência à frente de um espetáculo musical.
Entre as faixas do período, “Até Que Durou” se destacou com uma narrativa sobre desgaste, frustração e o encerramento de um relacionamento. A interpretação de Péricles ajudou a transformar a música em outro grande sucesso popular.

O mensageiro das histórias de amor
Em julho de 2019, Péricles gravou “Mensageiro do Amor” na Arena Fonte Nova, em Salvador, diante de mais de 30 mil pessoas.
O audiovisual reuniu 26 faixas, nove músicas inéditas e participações de artistas como Xanddy, Jorge Vercillo, Jeniffer Nascimento e Tiee.
O título resume uma característica central de sua carreira. Ao longo dos anos, Péricles se especializou em interpretar encontros, términos, reconciliações, culpa, desejo e saudade.
Mesmo quando canta músicas que não são de sua autoria, ele consegue transformar as faixas por meio da interpretação. Sua voz grave e o cuidado com cada frase fazem com que as histórias pareçam pessoais, próximas e reconhecíveis para o público.
Pagode do Pericão conecta diferentes gerações
Também em 2019, o artista criou o “Pagode do Pericão”, projeto inspirado na experiência das grandes rodas de samba.
A proposta permite que Péricles misture sucessos da carreira solo, músicas do Exaltasamba, clássicos de outros grupos e sambas que fizeram parte de sua formação.
A primeira edição contou com Thiaguinho e Chrigor, dois nomes importantes da história do Exaltasamba. Em registros posteriores, o projeto recebeu convidados como Seu Jorge e Maria Rita, além de reunir públicos de diferentes idades.
O formato posiciona Péricles como uma ponte entre épocas. De um lado, estão os fãs que acompanharam o crescimento do pagode durante as décadas de 1990 e 2000. Do outro, uma geração que conheceu o cantor por meio das plataformas digitais, colaborações recentes e vídeos publicados na internet.

Lives e novos projetos durante a pandemia
Com a paralisação dos shows presenciais em 2020, Péricles investiu nas transmissões ao vivo. As apresentações alcançaram milhões de visualizações e tiveram grande repercussão nas redes sociais.
Parte do material registrado originou o EP “Pericão Retrô”, com releituras de músicas conhecidas.
No mesmo período, ele lançou “Tô Achando Que É Amor”, projeto dividido em cinco EPs, com músicas inéditas, regravações e participação de Projota.
As lives ajudaram a manter o contato com o público e mostraram a força de seu repertório mesmo fora das grandes estruturas de palco.

Música negra, identidade e representatividade
A relação de Péricles com a música negra ganhou ainda mais espaço em seus projetos recentes.
Em 2021, ele foi escolhido como um dos representantes brasileiros do programa internacional YouTube Black Voices, ao lado de artistas como Rael, MC Carol e Urias. Sua imagem chegou a ser exibida nos telões da Times Square, em Nova York.
Dentro da iniciativa, lançou “O Melhor do Mundo”, parceria com Liniker, além de um minidocumentário sobre a black music brasileira e a música “Eu Odeio Te Amar”.
O projeto ampliou discussões sobre racismo, identidade, ancestralidade e o papel dos artistas negros na indústria cultural.
No mesmo período, o cantor realizou um exame de ancestralidade. O resultado divulgado apontou uma origem majoritariamente africana, com referências a regiões como Angola, Benim e Uganda, além de parcelas europeias e ameríndias.
Essa descoberta se conectou ao interesse de Péricles pelos caminhos históricos da música negra, passando pelo samba, soul, gospel, funk, R&B e pagode.
A experiência como intérprete da Mangueira
Em 2018, Péricles realizou um antigo desejo ao se tornar intérprete oficial da Estação Primeira de Mangueira.
Ele dividiu o microfone com Ciganerey durante o Carnaval e viveu uma experiência que reforçou sua ligação com o samba para além do mercado do pagode romântico.
Cantar um samba-enredo na avenida exige resistência vocal, domínio rítmico, potência e capacidade de conduzir milhares de componentes durante o desfile. A participação mostrou outra dimensão de seu trabalho como intérprete.
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A primeira aproximação com o Rock in Rio
A ligação direta de Péricles com o Rock in Rio ganhou força em 2024, durante as celebrações pelos 40 anos do festival.
O cantor participou de “Deixa o Coração Falar”, música comemorativa que reuniu artistas de diferentes gêneros e gerações, como Maria Rita, Margareth Menezes, Paula Lima, Roberto Menescal, Rogério Flausino, Pedro Sampaio e Rael.
A proposta da canção era representar a diversidade da música brasileira e reforçar que a história do festival ultrapassa as fronteiras do rock.
No mesmo ano, Péricles fez sua estreia no evento durante uma homenagem a Alcione no Palco Sunset.
O espetáculo, realizado em 22 de setembro, reuniu a homenageada, Péricles, Mart’nália, Diogo Nogueira, Majur, Maria Rita e a Orquestra Sinfônica Brasileira.
Durante a apresentação, Péricles dividiu com Alcione a interpretação de “Me Vira a Cabeça”. A combinação entre duas das vozes graves mais reconhecidas da música brasileira se tornou um dos momentos do show.
O encontro também carregava uma história anterior. Alcione já havia participado de um trabalho do Exaltasamba na música “É Demais”, lançada em 2003. Mais de duas décadas depois, os artistas voltaram a dividir o palco em uma celebração da obra da cantora.
A trajetória de Péricles e sua aproximação com o festival estão documentadas na pesquisa que reúne sua origem no ABC Paulista, a passagem pelo Exaltasamba, a carreira solo e os projetos anunciados para 2026.
“Péricles Canta Motown” no Rock in Rio 2026
Depois de aparecer como convidado na edição de 2024, Péricles retorna ao Rock in Rio em uma posição diferente.
No dia 7 de setembro de 2026, o cantor apresentará “Péricles Canta Motown” no Palco Sunset. Será o primeiro espetáculo próprio do artista no festival.
A apresentação foi criada como uma homenagem ao catálogo e ao legado da Motown Records, gravadora norte-americana responsável por revelar ou consolidar nomes fundamentais da música mundial.
Entre os artistas associados à história da Motown estão Stevie Wonder, Marvin Gaye, Diana Ross, The Supremes, The Temptations, Smokey Robinson, The Jackson 5 e Four Tops.
O anúncio oficial cita Stevie Wonder, Marvin Gaye e The Jackson 5 entre as principais referências que devem orientar o repertório.
Como o show ainda não aconteceu, detalhes como convidados, duração, arranjos completos e lista definitiva de músicas ainda podem sofrer alterações.

Por que Péricles combina com a Motown
A homenagem pode parecer inesperada para quem relaciona Péricles exclusivamente ao pagode. No entanto, sua formação musical sempre esteve próxima do soul e do R&B.
A voz grave, a interpretação romântica, o uso de corais, as linhas marcantes de baixo e a capacidade de equilibrar músicas dançantes com letras sentimentais são elementos presentes tanto em sua obra quanto no catálogo da Motown.
Durante décadas, a gravadora norte-americana ajudou a levar artistas negros às principais paradas musicais, criando uma sonoridade capaz de dialogar com públicos diversos sem perder suas referências culturais.
No Brasil, o samba e o pagode seguiram caminhos próprios, mas também foram construídos a partir da experiência e da criatividade da população negra.
O espetáculo de Péricles abre espaço para aproximar essas histórias. A proposta conecta o soul norte-americano ao samba, ao pagode romântico, ao samba-rock, ao charme e a outras manifestações da black music brasileira.

De convidado a protagonista
A presença de Péricles no Rock in Rio pode ser compreendida em três etapas.
Em 2024, ele participou da música criada para celebrar os 40 anos do festival. Meses depois, estreou no evento como convidado da homenagem a Alcione.
Em 2026, retorna como protagonista de um show conceitual, criado especialmente para a programação do Palco Sunset.
A evolução mostra que a relação do cantor com o festival foi além de uma participação pontual. Péricles passou a ocupar um espaço ligado à valorização da música negra e à ampliação dos gêneros presentes na Cidade do Rock.

A transformação do Rock in Rio
Apesar do nome, o Rock in Rio recebe há décadas artistas de pop, MPB, rap, funk, música eletrônica, samba, soul e outros estilos.
A escalação de Péricles reforça essa diversidade e amplia a presença do pagode dentro de um dos maiores festivais do mundo.
O projeto também oferece uma oportunidade de apresentar outra faceta do cantor. Em vez de realizar apenas um show baseado nos sucessos do Exaltasamba e da carreira solo, ele poderá atuar como intérprete de um repertório associado a alguns dos maiores nomes da música internacional.
A proposta valoriza sua versatilidade e coloca a história da música negra no centro do espetáculo.

Uma carreira que continua em movimento
Péricles chega ao Rock in Rio 2026 em plena atividade.
Em 2025, participou da versão brasileira do Tiny Desk, formato conhecido por apresentações intimistas e pela proximidade entre artistas e músicos.
O ambiente reduzido valorizou sua afinação, sua musicalidade e a capacidade de sustentar uma apresentação centrada na voz, sem depender dos efeitos presentes nos grandes palcos.
Também participou da segunda temporada do programa “Voz da Consciência”, dedicado à história e às conquistas da música negra produzida em São Paulo.
Em 2026, uniu forças com Ferrugem no projeto “As Vozes”. O primeiro volume do registro ao vivo foi lançado em junho e aproximou Péricles de um dos principais representantes da geração seguinte do pagode.
Além disso, o cantor segue realizando apresentações solo e novas edições do “Pagode do Pericão”.
Uma voz que atravessou gerações
Ao longo da carreira, Péricles gravou ou se apresentou com artistas como Alcione, Djavan, Liniker, Maria Rita, Thiaguinho, Chrigor, Ferrugem, Marília Mendonça, Jorge & Mateus, Luan Santana, Projota, Seu Jorge, Tiee e Ana Castela.
A variedade de encontros mostra sua capacidade de circular por diferentes estilos e gerações.
O artista que começou tocando em rodas de samba do ABC Paulista tornou-se uma referência para músicos que cresceram ouvindo o Exaltasamba. Ao mesmo tempo, continuou aberto a novos formatos, parcerias e repertórios.
Sua permanência também está ligada à capacidade de reconhecer o próprio passado sem depender exclusivamente dele. As músicas do Exaltasamba continuam presentes nos shows, mas convivem com sucessos da carreira solo e com projetos que apontam para outros caminhos.

Curiosidades sobre Péricles
Antes da fama, o cantor trabalhou como inspetor de alunos em escolas públicas e como funcionário de uma montadora de automóveis.
Embora seja reconhecido principalmente pela voz, também toca banjo, cavaquinho e violão. Nos primeiros trabalhos do Exaltasamba, exercia funções importantes como instrumentista e compositor.
Péricles participou da composição do álbum de estreia do grupo, lançado em 1992.
Mesmo depois de mais de duas décadas de sucesso, sentiu medo ao deixar o Exaltasamba e iniciar a carreira solo.
Seu primeiro DVD individual contou com aproximadamente 30 músicos, orquestra de cordas e backing vocals.
O filho Lucas Morato participou de “Linda Voz (Olá)”, faixa presente no projeto “Sensações”.
Em 2018, tornou-se intérprete oficial da Mangueira.
Em 2021, teve sua imagem exibida na Times Square por causa da participação no YouTube Black Voices.
A turnê “Em Sua Direção” foi dirigida por Lázaro Ramos.
Em 2024, estreou no Rock in Rio durante uma homenagem a Alcione.
Em 2026, fará seu primeiro show próprio no festival com um repertório dedicado à Motown.

Do ABC Paulista à Cidade do Rock
A carreira de Péricles foi construída sobre voz, musicalidade e permanência.
Sua trajetória começou em empregos comuns e rodas de samba do ABC Paulista, atravessou mais de duas décadas de sucesso com o Exaltasamba e entrou em uma nova fase quando o cantor precisou reconstruir sua vida profissional fora do grupo.
A carreira solo mostrou que sua importância não dependia apenas da história construída coletivamente. “Linguagem dos Olhos”, “Melhor Eu Ir”, “Até Que Durou”, “Mensageiro do Amor” e o “Pagode do Pericão” ajudaram a formar uma identidade própria.
A ligação com o Rock in Rio resume essa evolução. Primeiro, Péricles participou da música comemorativa dos 40 anos. Depois, estreou no festival reverenciando Alcione. Agora, retorna como protagonista de um espetáculo que conecta samba, pagode, soul e o legado internacional da música negra.
“Péricles Canta Motown” representa mais um passo em uma trajetória marcada por transformações. Aos 57 anos, o cantor chega à Cidade do Rock com a experiência de quem ajudou a escrever a história do pagode e com a disposição de mostrar ao público uma nova dimensão de sua voz.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerado por Inteligência Artificial


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