Com estruturas diferentes de 2004, quando rolou a primeira edição do evento em Portugal, o Rock in Rio Lisboa 2006 mostrou aos portugueses que havia chegado para ficar. Em cinco dias de shows, o Parque Bela Vista recebeu 350 mil pessoas. Em toda a área do local, foram montados o Palco Mundo – com uma estrutura metálica futurística e semelhante a utilizada atualmente nas edições brasileiras -, o Hot Stage e a Tenda Eletrônica, que foi muito elogiada pelo público. Outra novidade, foi uma pista de neve verdadeira no parque.

A responsabilidade social, que é uma grande marca do festival, não ficou de fora. O projeto social do RiR Lisboa II arrecadou 552.984 euros, que foram entregues à SIC Esperança, parceira do evento.

Line-up completo do Rock in Rio Lisboa 2006. Imagem: Divulgação/Rock in Rio

O primeiro fim de semana

Aquele 26 de maio prometia. O D’ZRT abriu os trabalhos do Palco Mundo, em sua primeira vez no festival. A banda, composta por Angélico Vieira, Cifrão, Edmundo Vieira e Paulo Vintém, fora criada um ano antes, na série portuguesa “Morangos com Açúcar”, semelhante à brasileira “Malhação”. Em seguida, Ivete Sangalo trouxe a folia brasileira para os lusitanos. No repertório, hits como “Abalou”, que abriu o show, “Céu da Boca”, “Arerê” e “A Galera” animaram o público.

Jamiroquai foi a penúltima atração da noite. Apesar de seu megassucesso “Virtual Insanity” ficar de fora do setlistJay Kay e sua trupe agradaram a galera. E, encerrando a sexta-feira, Shakira surgiu deslumbrante, abrindo sua apresentação com “Estoy Aquí”. A colombiana era só sorrisos e sensualidade a cada música. “Hips Don’t Lie” que estourava mundialmente naquele ano, claro, não ficou de fora.

Já no sábado, foi a vez do Brasil começar a maratona de rock. Pitty foi bastante elogiada por sua desenvoltura no palco, sabendo carregar bem a plateia, seguida dos portugueses do Xutos & Pontapés. Consagradíssimos em seu país de origem, os músicos arrasaram com sucessos como “Perfeito Vazio“, “Ai Se Ele Cai” e “A Minha Casinha“, que fechou o show. The Darkness deram o gostinho que os fãs do Guns N’ Roses, que encerrariam a noite, precisavam. Rolou cover de AC/DC (“Highway to Hell” e “Thunderstruck”) e muita pauleira. Porém, bastou a voz de Axl Rose ecoar pelo Parque Bela Vista, para os fãs irem abaixo. E quem achou que era hora de dar tchau ao RiR, se enganou. Sexta-feira a maratona recomeçaria.

Shakira no Palco Mundo. Imagem: Reprodução/YouTube/Rock in Rio

A volta após o descanso

Cinco dias foram suficientes para os lusitanos darem aquela relaxada, porque o fim de semana começaria mais cedo no Rock in Rio. Junho começou em grande estilo, com os mineiros do Jota Quest, seguidos de Rui Veloso. Foram show para a galera cantar junto e curtir no maior clima de romance. Carlos Santana e seus riffs inconfundíveis deram o ar de sua graça, precedendo Roger Waters, a grande estrela da noite. O setlist foi impecável, só de sucessos do Pink Floyd, incluindo a lendária “Another Brick in The Wall”. Melhor? Impossível!

No sábado, foi a vez dos cubanos mostrarem seu talento, com o grupo de hip-hop Orishas. Graças ao show do RiR, a visibilidade dos caras ao redor do mundo ficou ainda maior. O Kasabian veio depois, com uma apresentação bastante aplaudida pelo público. Da Weasel aqueceu a galera, com diversos sucessos conhecidos pelos portugueses, para o show da noite: Red Hot Chili Peppers. O grupo de Anthony Kiedis não deixou barato. Só megahits, como “Can’t Stop” e “Californication”uma homenagem justíssima aos Bee Gees em “How Deep is Your Love?” e um final emocionante com “Under The Bridge” “Give It Away”. 

Anthony Kiedis, durante a apresentação do RHCP. Imagem: Reprodução/Rock in Rio (Créditos: Rita Carmo)

Bye, bye Lisboa!

Já no último dia (4), Marcelo D2 comandou o Palco Mundo, precedendo a dona de “Put Your Records On“, Corinne Bailey Rae. A cantora fez um show tranquilo e agradável, sendo elogiada pela crítica. Anastacia, que tem, até hoje, um sucesso estrondoso pela Europa, foi a penúltima atração. Ela estava em turnê de divulgação de seu mais recente DVD, “Live At Last“. E encerrando o Rock in Rio Lisboa, o ex-The Police, Sting, arrasou. Seguindo a mesma linhagem que Roger Waters, o repertório do cantor foi basicamente de sua antiga banda, inclusive abrindo com “Message In A Bottle”. 

Por hoje, é só! Fiquem ligados que, em breve, falaremos sobre a dobradinha que rolou em 2008: a terceira edição em Lisboa e a primeira em Madrid, na Espanha. Até lá!