Os primeiros dias de Rock in Rio VII foram um sucesso estrondoso. Apesar dos imprevistos, a nova Cidade do Rock foi a escolha mais acertada da organização do evento, assim como as novas atrações que foram inauguradas. Mas, o hiato entre domingo e quinta havia acabado e era hora do Parque Olímpico reacender.

O bom filho à casa torna

Ainda era cedo quando os primeiros roqueiros chegavam ao RiR, na quinta-feira (21). A Rock District já estava a todo vapor e, logo à tarde, Ana Cañas e Hyldon misturaram rock e soul no palco Sunset, seguidos por Tyler Bryant & The Shakedown The Kills. Mas bastou Alice Cooper pisar por lá, para a galera ir ao delírio. A apresentação contou com a participação especial de Arthur Brown e Joe Perry (que voltaria com o Aerosmith no fim da noite no festival) no encerramento do show, com  “Fire”“School’s Out”. Rolou até uma palinha de “Another Brick in the Wall (part II)“, do Pink Floyd. Melhor? Impossível! No palco Eletrônica, diversos nomes passaram por lá, como Rob Garza, Ney Faustini e Leo Janeiro, animando ainda mais o público.

Já no palco Mundo, o Scalene abriu os trabalhos. Os caras haviam saído há pouco tempo do Superstar, reality que os revelou para o Brasil, e a apresentação ajudou a levantar ainda mais a bola da banda. Depois, o Fall Out Boy iniciou seu show com “Sugar, We’re Going Down”, sob os berros da plateia. Embora não tenha sido escalado desde o início – Billy Idol viria, mas precisou cancelar algum tempo antes do festival -, o grupo não só agradou seus fãs, que cantaram em coro o tempo todo, como cativou quem não conhecia a vibe deles.

A penúltima atração da noite, Def Leppard, cumpriu sua promessa e veio para o Rock in Rio. Para quem não sabe, eles haviam sido escalados para a primeira edição, em 1985. Porém, um acidente com o baterista Rick Allen há quinze dias do início do evento, fez com que a apresentação fosse cancelada e o Whitesnake entrasse no lugar. E a abertura em 2017 foi bem digna: “Let’s Go”, que aqueceu os fãs para as pedradas que viriam ao longo do show. Entre sucessos novos e antigos, como a clássica “Love Bites”, os ingleses mostraram que o tempo só fez bem para eles.

O Aerosmith, que fechou 21 de setembro, deu uma aula de rock’n’roll. Steven Tyler, mesmo com seus (então) 69 anos, mostrou que sua voz não mudou praticamente nada, se comparado aos primeiros discos da banda, assim como o pique para correr pelo palco. Diversos hits, como “Crazy”, “Cryin” e “Dream On”, foram entoados pelos presentes. Mas foi em “I Don’t Wanna Miss A Thing”, que a emoção foi geral. 100 mil pessoas cantando em coro, num momento que ficou para a história. Rolaram covers de Fleetwood Mac e The Beatles, com uma versão de “Come Together”.

A sexta-feira (22), apesar de quente, em nada atrapalhou quem chegava ao Parque Olímpico para mais uma maratona de música. Na Rock District, além da Rock Street Band, que tocou todos os dias, Evandro Mesquita & The Fabulous Tab deram as caras durante a tarde, trazendo clássicos do cenário nacional e internacional. Na área de eletrônica, Maya Jane Coles, Paranoid London, L_cio, Tessuto, Manimal e IAO Live mandaram tracks com o melhor do house e deep. Já no Sunset, teve de BaianaSystem – que foi um dos shows mais comentados da tarde – ao Grande Encontro de Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, encerrando com Ney Matogrosso & Nação Zumbi. 

Os mineiros do Jota Quest dariam o start no palco Mundo com “Na Moral”, sendo ovacionados pela plateia. Não teve quem ficasse parado com a série de hits, como “Dias Melhores”, “De Volta ao Planeta”, “Só Hoje” e “Do Seu Lado”, passando por alguns covers (“Além do Horizonte”, de Roberto Carlos e “Tempos Modernos”, de Lulu Santos). Depois, apesar de destoada da escalação do dia, o Alter Bridge carregou bem o público, trazendo o que um rock raiz tem de melhor: riffs potentes, solos eternos, camisas abertas e uma ida à plateia em “Metalingus”.

A penúltima atração da noite, Tears For Fears, abriu seu show com o megahit “Everybody Wants to Rule the World”, precedido por uma versão da mesma, lançada por Lorde em 2013. O setlist foi basicamente de sucessos da década de 80, incluindo “Head Over Heels”. Outro acerto, foi o cover de “Creep”, do Radiohead, cantado em uníssono pelas 100 mil pessoas que estavam na Cidade do Rock.

Já na madrugada do dia 23, Bon Jovi encerrou a programação da sexta-feira. Começando com “This House is not for Sale”, do álbum de mesmo nome, lançado em 2016, o início da apresentação foi um tanto morna, mais voltada para os fãs direto da banda. Mas, a partir de “You Give Love a Bad Name”, as coisas começaram a esquentar, passando por “Wanted Dead or Alive”, “It’s My Life” “Bad Medicine”, que antecederam o bis. Quando Jon Bon Jovi retornou, a galera aguardava ansiosamente por “Always”, “Blaze of Glory” e “Misunderstood”, porém apenas “Have a Nice Day” e “Livin’ on a Prayer” foram executadas, o que deixou muitos decepcionados e querendo mais. Fica a dica para esse ano, Jon!

Steven Tyler e Joe Perry no Palco Mundo.
Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Créditos: Fábio Tito/G1)

Haja fôlego!

Mais um dia de puro rock’n’roll no palco Mundo, se iniciava no sábado (23). No Sunset, a vibe foi mais alternativa, começando com Quabales e Margareth Menezes, Cidade Negra com Digitaldubs & Maestro Spok, Bomba Estéreo Karol Conka, e fechando com Cee Lo Green IZA. Na Rock District, Dinho Ouro Preto Kisser Clan soltaram a voz, além da Rock Street Band. E na EletrônicaIllusionize, Bruno Martini, Nytron Ely + Sha foram os headliners. 

Para abrir a noite, os Titãs foram convocados e fizeram um excelente show, bastante barulhento e com letras queridinhas da galera, como “Homem Primata”, “Sonífera Ilha”, “Polícia” “Epitáfio”. O Incubus fez uma apresentação correta, apesar de um público fraco que esperava pelas próximas bandas. Já os veteranos do The Who, que tocavam pela primeira no Rio de Janeiro, arrebentaram do início ao fim. Foram 19 canções, sendo a maioria de discos mais antigos como “Who’s Next”, de 1971 e “Quadrophenia”, de 1973.

E quando o pessoal achou que o cansaço havia batido, o Guns ‘n Roses chegou com a corda toda. E põe corda nisso! Foram 3 horas e meia de show, fazendo com que a performance fosse eleita como uma das melhores da edição. Trazendo na bagagem, sucessos como “Welcome To The Jungle”, “Rocket Queen”, “Sweet Child O’ Mine”, “Patience”, e vários outros, Axl Rose, Slash, Duff McKagan (que não tocavam juntos desde 1993) e todo o time, seguraram a plateia até 4 da manhã.

Roger Daltrey e Pete Townshend, do The Who.
Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Créditos: Fábio Tito/G1)

Bye, bye Rio

Para o último dia, mais rock estava guardado para quem chegasse ao RiR. No palco Sunset, Ego Kill Talent abriu os trabalhos, passando o batente para Doctor Pheabes e Supla. Mais tarde, Republica Sepultura encerrariam os sete dias em que a área não parou. Na Rock District, Rogério Flausino Wilson Sideral cantaram sucessos de Cazuza, precedidos pela Rock Street Band. Já no palco de música eletrônica, teve Robert Owens Live PA, Gabriel Boni, Cat Dealers, Bruno Furlan e Zerb.  

No palco Mundo, o Capital Inicial fez um dos shows mais empolgantes entre as atrações brasileiras. Com “Que País é Este?” dedicada ao então presidente Michel Temer, Dinho Ouro Preto foi ovacionado pelo público. Outros singles como “Independência”, “Fátima” e “Natasha” foram relembrados, exatamente seis anos após a apresentação de 2011. Logo depois, The Offspring fez sua volta triunfal, após um ano do último concerto em terras brasileiras e pela segunda vez no Rock in Rio. O grupo incendiou a plateia, com hits como “Come Out and Play” “Why Don’t You Get a Job”. 

Com o final se aproximando, o Thirty Seconds to Mars fez a festa na Cidade do Rock. Com direito à açaí no palco, aquela passadinha na tirolesa e uma bagunça (organizada) com os fãs, Jared Leto não só se divertiu, como segurou o público. Apesar do setlist curto, com 10 canções, “This is War”, “Kings and Queens” “Closer to the Edge” não faltaram. O rapper Projota fez uma participação especial em “Walk on Water”, single recém-lançado pelo grupo, que se despediu do guitarrista Tomo Miličević poucos meses após o festival.

Já era segunda-feira, quando o Red Hot Chili Peppers assumiu o comando e com um motivo a mais para comemorar: 26 anos antes, “Blood Sugar Sex Magik” era lançado e logo se tornaria um dos melhores discos de todos os tempos. E, claro, os maiores hits do álbum não ficaram de fora, “Under the Bridge” e “Give it Away”. O set foi bem variado e a performance, bastante elogiada. Definitivamente, fecharam com chave de ouro.

O Rock in Rio VIII vem aí!

Mas agora, o que seria um “tchau”, é um “até breve”, afinal está chegando mais um Rock in Rio. A Woo! Magazine vai acompanhar tudo sobre o RiR VIII, que mais uma vez rolará no Parque Olímpico. São prometidas para esse ano, além do uso de três arenas olímpicas, mais de 250 shows, 670 artistas e mais de 300 horas de muita música, fazendo do evento o maior de todos até aqui.

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