Responsável pela gravação do histórico tema do Rock in Rio, grupo retorna ao festival em 2026 para encontro especial com Guilherme Arantes
Poucos artistas brasileiros possuem uma ligação com o Rock in Rio tão antiga quanto o Roupa Nova. A relação entre a banda e o festival começou antes mesmo de seus integrantes subirem ao palco do evento. Em 1985, quando a primeira Cidade do Rock ainda apresentava ao Brasil a dimensão do projeto idealizado por Roberto Medina, eram justamente as vozes do grupo que ajudavam a transformar a música oficial do festival em parte da memória do público.
Mais de quatro décadas depois, essa história ganhará um novo capítulo. Em 7 de setembro de 2026, o Roupa Nova retorna ao Rock in Rio para uma apresentação especial no Palco Sunset, tendo Guilherme Arantes como convidado. O reencontro acontece 35 anos depois da primeira vez em que a banda efetivamente tocou no festival, durante a histórica edição de 1991, realizada no Maracanã.
E é justamente essa trajetória que faz com que a presença do grupo em 2026 carregue um significado diferente. O Roupa Nova não está apenas voltando ao Rock in Rio. Está retornando a um festival do qual ajudou a construir a identidade antes mesmo de fazer parte de sua programação.
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A banda que ajudou a criar a identidade sonora do Rock in Rio
A música que se tornaria um dos maiores símbolos do festival foi composta por Eduardo Souto Neto e Nelson Wellington e gravada pelo Roupa Nova para a edição inaugural, realizada em janeiro de 1985.
“Todos numa direção, uma só voz, uma canção…”
O trecho atravessou gerações e continuou diretamente ligado ao Rock in Rio mesmo décadas após sua criação. A expressão “Uma só voz, uma canção” permaneceu presente na comunicação do evento e chegou a dar nome a um livro lançado pelo próprio festival sobre seu legado socioambiental.
Existe, porém, uma curiosidade importante nessa história: apesar de ter gravado o tema oficial, o Roupa Nova não fazia parte do line-up da primeira edição. Na prática, o grupo ajudou a dar voz ao Rock in Rio antes mesmo de pisar no palco do festival.
Naquele período, a banda ainda estava nos primeiros anos de uma trajetória iniciada oficialmente em 1980. Suas origens, entretanto, remontam ao grupo de baile Os Famks, fase em que os músicos já começaram a desenvolver uma das principais características que acompanharia o Roupa Nova pelas décadas seguintes: o grande entrosamento e a facilidade para transitar por estilos diferentes.
A mudança de nome aconteceu em 1980, quando os integrantes participaram da gravação de um tema de fim de ano para a Rádio Cidade. Foi nesse contexto que o produtor Mariozinho Rocha sugeriu que o grupo adotasse definitivamente o nome Roupa Nova.
A partir dali começava uma trajetória que renderia dezenas de discos e músicas que se transformariam em clássicos da música popular brasileira.

Da televisão ao palco do Maracanã
Quando o Roupa Nova finalmente subiu ao palco do Rock in Rio, seis anos já haviam se passado desde a gravação do tema oficial.
A estreia aconteceu em 22 de janeiro de 1991, durante o Rock in Rio II. Aquela edição teve uma característica única dentro da história do festival no Brasil: a Cidade do Rock deu lugar ao Maracanã, que recebeu algumas das maiores atrações nacionais e internacionais daquele período.
O grupo chegou ao festival vivendo uma fase de enorme popularidade. Durante os anos 1980, músicas como “Canção de Verão”, “Anjo”, “Whisky a Go-Go”, “Dona”, “Volta pra Mim”, “Linda Demais”, “A Força do Amor” e “Seguindo no Trem Azul” haviam transformado o Roupa Nova em presença constante nas rádios, na televisão e nas trilhas sonoras.
Em 1990, pouco antes daquele Rock in Rio, o grupo ainda havia lançado o álbum Frente e Versos, responsável por apresentar outro de seus grandes sucessos: “Coração Pirata”.
O show no Maracanã colocou o Roupa Nova dentro de uma programação extremamente diversa. Naquele mesmo dia, nomes como New Kids on the Block, Run-D.M.C., Snap! e Inimigos do Rei também passaram pelo festival.

Essa mistura mostra uma característica que acompanha o Rock in Rio desde suas primeiras edições. Apesar do rock carregado no nome, o evento nunca se limitou completamente ao gênero e sempre encontrou espaço para artistas de diferentes estilos.
Naquela apresentação, o Roupa Nova também recebeu Beto Guedes no palco. Juntos, os músicos passaram por músicas como “Lumiar” e “Todo Azul do Mar”, deixando registrado um dos encontros brasileiros daquela edição.
Uma formação que atravessou décadas
O show de 1991 acabou sendo a única apresentação do Roupa Nova no Rock in Rio pelas três décadas seguintes. Enquanto o festival continuava crescendo, a banda também consolidava uma das carreiras mais longevas da música brasileira. Um dos principais diferenciais dessa trajetória foi justamente a estabilidade de sua formação.
Paulinho, Serginho Herval, Nando, Kiko, Cleberson Horsth e Ricardo Feghali permaneceram juntos durante aproximadamente quatro décadas, algo raro dentro de um mercado marcado por mudanças frequentes de integrantes.
Ao mesmo tempo, o repertório continuou alcançando diferentes gerações, muito por causa da forte relação do grupo com as novelas brasileiras.
“Canção de Verão” apareceu em As Três Marias. “Anjo” integrou Guerra dos Sexos. “Dona” ficou marcada por Roque Santeiro, enquanto “Coração Pirata” esteve em Rainha da Sucata. Outras músicas, como “Felicidade”, “Começo, Meio e Fim” e “A Viagem”, também passaram pela televisão.
Essa presença constante ajudou a criar uma característica muito particular na carreira do Roupa Nova: pessoas de idades completamente diferentes acabaram crescendo ouvindo as mesmas músicas, ainda que em momentos distintos.

Além dos próprios sucessos, os integrantes construíram uma extensa trajetória como músicos de estúdio e colaboraram com nomes como Roberto Carlos, Gal Costa, Milton Nascimento, Rita Lee e Fafá de Belém.
Outra gravação histórica também contou com integrantes do grupo: o “Tema da Vitória”, composição de Eduardo Souto Neto que ficou eternizada principalmente pelas conquistas de Ayrton Senna na Fórmula 1.
Em 2009, o reconhecimento também chegou internacionalmente. O Roupa Nova conquistou o Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro por Roupa Nova em Londres, projeto gravado nos lendários estúdios Abbey Road.
A ausência de Paulinho mudou a história da banda
A trajetória do grupo sofreu uma mudança profunda em dezembro de 2020, com a morte de Paulinho, aos 68 anos. Vocalista e percussionista, ele fazia parte da formação que atravessou praticamente toda a história do Roupa Nova e também estava entre as vozes presentes na gravação do tema do primeiro Rock in Rio.Na época, o próprio festival prestou homenagem ao músico e relembrou justamente essa participação na canção de 1985.
Posteriormente, Fábio Nestares passou a integrar a formação ao lado de Cleberson Horsth, Ricardo Feghali, Kiko, Nando e Serginho Herval. Por isso, o retorno em 2026 também carregará uma diferença impossível de ignorar. Será a primeira apresentação do Roupa Nova no Rock in Rio sem Paulinho.
Mesmo assim, sua presença continua diretamente ligada à história que conecta a banda ao festival. Basta o tema de 1985 tocar para que aquela formação imediatamente volte à memória.

O reencontro com o Rock in Rio depois de 35 anos
Roupa Nova e Rock in Rio voltam a se encontrar em 7 de setembro de 2026. A apresentação será realizada no Palco Sunset e contará com Guilherme Arantes como convidado especial, dentro da proposta do espaço de criar encontros pensados especialmente para o festival.
A combinação reúne artistas que ajudaram a construir diferentes capítulos da música brasileira, com carreiras marcadas por grandes melodias, teclados, baladas e uma extensa relação com rádio e televisão. O mesmo dia terá ainda nomes como Elton John, Gilberto Gil, Jon Batiste e Luísa Sonza no Palco Mundo, enquanto o Sunset também receberá atrações como Laufey, Péricles e Vanessa da Mata.
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Para o Roupa Nova, porém, existe uma história muito particular por trás dessa volta. Em 1985, a banda ajudou a dar voz ao nascimento do Rock in Rio. Em 1991, finalmente entrou no palco do festival diante de um Maracanã transformado em Cidade do Rock. Depois disso, atravessou mudanças na indústria musical, novas gerações de público, dezenas de sucessos e a perda de um de seus integrantes históricos.
Agora, 35 anos depois daquele show e 41 anos após gravar a música que ajudou a apresentar o Rock in Rio ao Brasil, o Roupa Nova retorna a um festival do qual, de certa forma, nunca deixou de fazer parte.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial


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