Artista que mais vezes subiu aos palcos do festival, Ivete transformou axé em linguagem universal e volta ao Rock in Rio 2026 para abrir o último dia no Palco Mundo
Ivete Sangalo e Rock in Rio é mais do que uma combinação de artista e festival. É uma história de amor daquelas longas, barulhentas, cheias de reencontros e com público cantando junto em vários idiomas. Porque, quando o Rock in Rio foi criado em 1985, talvez Roberto Medina não imaginasse que uma das figuras mais presentes da história do evento seria uma cantora de axé da Bahia.
Mas foi exatamente isso que aconteceu.
Ivete Sangalo se tornou a artista que mais vezes subiu aos palcos do Rock in Rio, considerando as edições realizadas no Brasil e no exterior. Ao longo dessa trajetória, passou por Rio de Janeiro, Lisboa, Madri e Las Vegas, as quatro cidades que receberam o festival. Isso não é apenas participação. É casamento.
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Ivete Sangalo e Rock in Rio: Uma estreia em Lisboa
A estreia de Ivete Sangalo no Rock in Rio aconteceu em 2004, em Lisboa. E já foi do jeito que combina com ela: grande. A cantora chegou ao festival em uma edição histórica, justamente quando o Rock in Rio iniciava sua expansão internacional, levando a marca criada no Brasil para Portugal.
O público português talvez ainda não soubesse exatamente o que esperar de uma cantora brasileira de axé em um festival com “rock” no nome. Mas bastou Ivete subir ao palco para o protocolo acabar.
Ali, o que poderia soar como aposta virou certeza. Ivete transformou o Palco Mundo em uma micareta, costurando carisma, voz, presença e aquela capacidade muito rara de fazer uma multidão entrar no jogo antes mesmo de perceber.
Portugal nunca mais foi o mesmo.
De Lisboa ao mundo: Rio, Madri e Las Vegas
Com o tempo, a relação entre Ivete e o Rock in Rio deixou de ser apenas uma participação bem-sucedida e virou parte da identidade do festival. A cantora passou por todas as cidades em que o evento foi realizado: Rio de Janeiro, Lisboa, Madri e Las Vegas.
Em 2008, ela esteve na primeira edição do Rock in Rio Madrid. Em 2015, se apresentou no Rock in Rio USA, em Las Vegas, levando o axé para o palco principal da edição norte-americana. No Brasil, marcou presença em diferentes edições na Cidade do Rock, reforçando a imagem de artista capaz de dialogar com públicos muito diferentes.
Essa é a chave da relação.
Ivete nunca precisou fingir ser outra coisa para caber no festival. Ela levou o axé, a Bahia, o trio, o carisma e o domínio de palco para dentro de uma estrutura que nasceu ligada ao rock, mas sempre cresceu pela mistura.
E talvez seja exatamente por isso que ela funciona tão bem ali.

Quando Ariana Grande saiu, Ivete entrou
Um dos capítulos mais simbólicos dessa história aconteceu no Rock in Rio Lisboa, em 2016. Ariana Grande cancelou sua apresentação de última hora por questões de saúde, e a organização precisou agir rápido.
A solução foi chamar Ivete. E ela não só aceitou como fez dois shows no mesmo fim de semana: um no sábado e outro no domingo, ocupando o espaço deixado pela artista norte-americana.
No palco, Ivete brincou dizendo que, quando existe uma cantora luso-brasileira no camarim, não há problema para o festival. A frase virou quase um resumo perfeito da relação dela com o Rock in Rio: onde falta solução, entra Ivete.
Rainha. Sem discussão.
Por que Ivete virou a cara do festival?
Roberto Medina já explicou que a presença constante de Ivete no Rock in Rio passa pela capacidade da artista de conversar com diferentes públicos e se aproximar do pop. E faz sentido.
Poucos artistas brasileiros dominam um palco grande como Ivete. Ela consegue cantar para quem foi ver pop, para quem estava esperando rock, para quem chegou sem conhecer o repertório e para quem já sabia cada resposta de “Sorte Grande”.
Esse é o tipo de domínio que não se compra e não se aprende apenas com técnica.
Ivete entende o público como parte do show. Ela não canta para uma multidão. Ela conversa com ela. Brinca, improvisa, chama, provoca, acolhe. Em poucos minutos, transforma festival em carnaval fora de época.
E quando isso acontece no Rock in Rio, ganha outro tamanho.
A artista mais presente do Rock in Rio
Ao longo de sua história com o festival, Ivete acumulou quase 20 apresentações, passando por diferentes países, públicos e fases da própria carreira. Em algumas edições, foi chamada para abrir o Palco Mundo. Em outras, segurou horários de destaque. Em todas, levou a mesma certeza: o show dela não depende do contexto para virar festa.
Essa constância também diz muito sobre a própria transformação do Rock in Rio.
O festival nasceu com rock no nome, mas sempre foi maior do que um gênero. Com o tempo, se tornou um espaço de encontro entre estilos, gerações, países e públicos. E Ivete talvez seja uma das artistas que melhor representam essa vocação.
Ela é axé, pop, carnaval, Bahia, televisão, rádio, trio elétrico e estádio. Tudo ao mesmo tempo.
Só no Brasil mesmo uma cantora de axé vira símbolo mundial de um festival chamado Rock in Rio. E ainda faz todo mundo achar óbvio.

Ivete Sangalo no Rock in Rio 2026
Ivete Sangalo está confirmada no Rock in Rio 2026 para o dia 13 de setembro, no Palco Mundo. A artista será responsável por abrir os shows do último dia do festival, em uma edição que já chega carregada de expectativa.
O detalhe é bonito: o festival começa com Foo Fighters no dia 4 de setembro e encerra sua última noite com Ivete no dia 13. Começa com rock. Termina com axé. Perfeito demais para parecer coincidência.
A volta de Ivete ao Palco Mundo não é apenas mais um show na agenda. É mais um capítulo de uma história que atravessou continentes, edições e públicos. Uma relação construída na base da entrega, do carisma e de uma verdade simples: Ivete sabe fazer festival parecer festa de casa.
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Uma baiana maior que qualquer rótulo
Ivete Sangalo virou parte da memória afetiva do Rock in Rio porque nunca tratou o festival como terreno alheio. Ela ocupou. Levou sua música, seu sotaque, sua energia e sua forma de comandar multidões.
Quase 20 apresentações. Quatro países. Uma baiana que transformou o axé em idioma universal dentro de um festival que carrega “rock” no nome.
No fim, talvez essa seja a grande beleza da história entre Ivete e o Rock in Rio: ela prova que um festival gigante não se constrói apenas com gênero musical. Se constrói com momentos, presença e artistas capazes de fazer o público inteiro levantar o braço antes mesmo do refrão.
E nisso, convenhamos, Ivete joga em outra liga.
Qual show dela no Rock in Rio você nunca esqueceu?
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio


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