Dia 25 de julho é o dia nacional do escritor no Brasil, e hoje, iremos falar merecidamente de ninguém menos que Jorge Amado. O homem que deu status internacional à Bahia antes mesmo do axé music, dos trios elétricos, de Caetano, Gal Costa, Gilberto Gil, Novos Baianos e o Rock baiano.

Este autor brasileiro possui inúmeros fãs no mundo inteiro, famosos e desconhecidos, e dentre os seus admiradores mais requisitados está o já citado Caetano, seu conterrâneo, cantor e compositor de músicas especialmente compostas para a adaptação de algumas de suas obras, como “Tieta do Agreste“. Outro dos seus fãs conhecidos é Paulo Coelho, também escritor além de recorde e ícone mundial de vendas dentro do mercado literário.

Jorge Amado foi um dos primeiros a tratar da marginalidade de sua terra natal, sem necessariamente estereotipá-la. Ele realmente conseguiu romantizar os velhos cargueiros, os homens do Cais do porto, os pescadores, meninos de rua, mães e pais de santo, meretrizes, malandros, bêbados e por aí vai… Foi por intermédio das maravilhas escritas em suas páginas que muitas das pessoas conseguiram sentir um pouco do calor e do frescor baiano nas festas e costumes típicos. Entretanto, seu trabalho não se restringe somente as abordagens festivas. A questão social como a situação dos oprimidos em larga escala, devido à miséria cotidiana que os personagens sofrem são apresentados por meio da coloquialidade, porém, nem por isso menos literária.

Seu tom popular levou o público, desde os anos 1930 e também de 1940, a se identificar rapidamente com as suas histórias, para que posteriormente fosse reconhecido mundialmente como o grande literato que foi (e ainda é apesar de não estar mais entre nós).

Seu sucesso fenomenal ultrapassa a literatura. “Capitães de areia”, “Tieta do Agreste“, “Gabriela Cravo e Canela“, “A morte de Quincas Berro D’água” e “Dona Flor e seus dois maridos” chegaram às telas das casas dos brasileiros e também foram adaptadas para o cinema. Muitos já conhecem e quem não viu, recomendamos a leitura de seus livros para que posteriormente possam fazer suas comparações. Sem dúvida, vale a pena!

Reconhecer Jorge Amado, que é fruto da nossa cultura, é valorizá-lo além de ser imprescindível aqueles onde o exercício da leitura se faz presente. E mais ainda ao que lhe importa a escrita, pois são palavras da sua própria língua mãe, ainda que variantes vindas do Estado da Bahia.

Além do que, as problemáticas de seus Romances ainda são atuais, seja com relação ao tema da violência, do adultério, da cachaça ou do menor abandonado, que ele retratou tão bem em “Capitães de Areia”.

Outro aspecto extremamente válido no conjunto do seu trabalho que não podemos esquecer é o respeito à religião africana, sempre tão estigmatizada dentro da nossa sociedade.

Nosso querido autor faleceu em 2001, aos 88 anos, tendo nos deixado um legado enorme como Romancista, Cronista, Contista, Crítico Literário e também Dramaturgo para que carinhosamente possamos ter motivos e pessoas de quem nos orgulhar quando falamos em Brasil.

Um pouco mais da sua vasta obra, embora, não estejam todas as suas criações aqui:

  • O Gato Malhado e Andorinha Sinhá (Infantil) 1976
  • O Amor do Soldado (Peça de Teatro) 1947
  • Hora da Guerra (Crônicas) 1942 a 1945
  • Mar Morto (Romance) 1936
  • O Sumiço da Santa (Romance) 1988
  • Do Recente Milagre dos Pássaros (Contos) 1979
  • A Estrada do Mar (Poesia) 1938
  • Os Subterrâneos da Liberdade (Romance) 1954

O mundo só vai prestar
Para nele se viver
No dia em que a gente ver
Um gato maltês casar
Com uma alegre andorinha
Saindo os dois a voar
O noivo e sua noivinha
Dom Gato e Dona Andorinha

(Poesia extraída do Livro infantil O Gato Malhado e Andorinha Sinhá, de Jorge Amado)


Por Susana Savedra


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