Crítica: Como se tornar um conquistador

Diariamente, as grandes mídias nos apresentam inúmeras fórmulas de sucesso, cultuando figuras midiáticas para gerar uma grande ambição social. E, por que não, casais socialmente excêntricos? Uma dessas figuras é a do “mulherengo”, que casa-se com uma pessoa mais velha por interesse financeiro, ou até mesmo, o contrário. Fórmula muito abordada dentro da indústria cinematográfica que, contudo, ainda faz sucesso. Esse é o segredo de “Como se Tornar um Conquistador”.

O filme conta a história de Máximo (Eugenio Derbez), um mulherengo latino que vive às custas de Peggy (Renée Taylor), uma senhora milionária. Máximo se aproximou de Peggy quando era mais novo e desde então, nunca precisou trabalhar. Anos depois, Peggy o troca por um rapaz mais novo e Máximo se encontra sem nenhum dinheiro. Ele vai atrás de sua irmã Sara (Salma Hayek) e passa a morar com ela e com seu sobrinho Hugo (Raphael Alejandro). É no tímido e inocente Hugo que Máximo vê a oportunidade de continuar com as suas regalias e vida fácil, além de ajudar o sobrinho a lidar com sua primeira paixão.

Quem assume a direção do longa é o autor Ken Marino, desta vez sozinho, apesar de já ter participado em outras produções fora das telas. Ele nos apresenta um filme bacana, cômico na medida certa, que mostra os benefícios e malefícios de uma vida pautada na dependência financeira do outro.

Aliado ao trabalho de Marino, temos Chris Spain e Jon Zack se dividindo na criação do roteiro. O trabalho dos dois roteiristas nos apresentam personagens bem distintos, mas que se complementam muito também, além de uma história envolvente, com seus toques de drama e humor que são bem distintos entre si. Toda a composição de Maximo, bem como de sua irmã Sara, são essenciais para o desenrolar da história, uma vez que ambos possuem um estilo de vida distintos.

A produção fica por conta de Eugenio Derbez, que também é o protagonista do longa. Derbez realiza um trabalho bom também na área da produção, com sets que distinguem bem o embate financeiro no qual se encontra o personagem principal, uma vez que antes morava em uma casa enorme e, depois, passa a morar no pequeno conjugado de sua irmã.

Apesar de sua atuação convincente, Eugenio Derbez provavelmente dividirá as atenções do seu protagonismo com Salma Hayek e Raphael Alejandro. Eugenio se encaixa perfeitamente no papel de Maximo, desde a sua crença de ser irresistível até nos momentos em que é mais solidário com Hugo. A atuação do protagonista é boa, capaz de cativar o público.

Salma Hayek, que viveu Frida Kahlo em “Frida” (2002), mais uma vez nos apresenta uma personagem feminina a frente do seu tempo. Sara, é o oposto de seu irmão, e precisa fazer o papel “masculino” no espaço familiar, tentando sempre mostrar pra Hugo os verdadeiros valores que compõem um ser humano. Para ela, a vida de Máximo não é algo sólido, pois o mesmo nunca precisou correr atrás de algo ou fazer esforço, além de ser um pouco imprudente. A atriz compõe muito bem a personagem, sendo solidária quando necessário, mas sempre colocando sua família em primeiro lugar.

O pequeno Raphael Alejandro (“Once Upon a Time”) interpreta Hugo, o filho de Sara. Hugo é extremamente cativante, ainda que muito tímido e até mesmo melancólico, pela falta do pai. Todavia, a atuação do ator chama a atenção, até mesmo sua interação com Eugenio e Salma. Todo elenco se compõe bem, com seus papéis bastante distintos, mas que funcionam perfeitamente quando juntos um do outro.

Outro ponto importante é o figurino, que é essencial na hora de compor os personagens. Máximo, por exemplo, está sempre de terno ou blusa polo, roupas que socialmente parecem mostrar um status social maior.

“Como se Tornar um Conquistador” é uma comédia que foge do clichê, mas que utiliza a velha fórmula “familiar” para garantir finais felizes. Funciona, e vale a pena o prestígio.

Crítica: Como se tornar um conquistador
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