Que país é este?

Com essa pergunta, o historiador Júlio José Chiavenato inicia seu livro “As Lutas do povo brasileiro – do ‘descobrimento a Canudos'”.

Dia 21 abril, comemora-se no Brasil o feriado nacional do dia de Tiradentes. Data instituída por uma lei federal. Joaquim José da Silva Xavier, foi a figura mais importante e emblemática do movimento social e político que ficou conhecido como Inconfidência Mineira sendo sentenciado à morte por enforcamento no dia 21 de abril de 1792, por “conspirar” contra a Coroa portuguesa. Mas você sabe realmente quem foi o Tiradentes?

De fato a pergunta inicial, emprestada da banda “Legião urbana”, não soa estranha ainda que seja feita nos dias atuais. A leitura em cima dos acontecimentos históricos brasileiros nos mostra como nunca fomos um povo passivo, porém, as nossas tentativas de modificações em todos os âmbitos da sociedade, desde a época da colonização, foram sempre mascaradas ou assaltadas pela “política da boa vizinhança” ou mesmo da camaradagem.

Ao prestar atenção nas minúcias da pesquisa do autor, ficamos perplexos ao entender que as maiores causas das revoltas neste período foram a emancipação política (qualquer semelhança com as manifestações de 2013 são meras coincidências), a libertação política em relação à metrópole, que era Portugal e a organização do Estado nacional. Por outro lado, alguns grupos visavam uma autonomia da província e no limite, cogitava-se a República, essa tão cara a nós brasileiros nos últimos anos.

É interessante perceber também que os setores da sociedade que apareciam na “linha de frente” das revoltas eram as camadas populares que as expressavam violentamente.

O estudo integra desde a Cabanagem, revolta do Estado do Pará que era uma província à parte, sem contato direto com outras que inclusive, aderiu à Independência com quase um ano de atraso. A Balaiada no Maranhão que teve ampla participação do povo sendo entregue “a própria sorte” e que terminou controlada pelo famoso Duque de Caxias, passando pela Farroupilha no Rio Grande do Sul que chegou a separar por dez anos esse Estado do Brasil, a Inconfidência Mineira que estourou devido aos altos impostos além da exploração de ouro controlada por Portugal, além dos tão pouco estudados nos bancos escolares, os Quebra-quilos, classificada como uma “luta sem líderes” que abrangeu Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Ceará e o Rio Grande do Norte. Embora esta última revolução possua um caráter mais anárquico, seu fundo tinha razões religiosas estimulada por padres que eram contra a maçonaria imperial.

O livro faz parte da coleção “Polêmica” da Editora Moderna e foi reeditado diversas vezes. É um achado escrito de forma simples para quem se interessa ou deseja conhecer o “Lado B” da História Brasileira. Júlio José Chiavenato também é autor de “Cabanagem, o povo no poder”, “O negro no Brasil”, “Genocídio americano” e “Os Voluntários da Pátria”.

Muito se discute sobre política no país, mas esquecemos do fundamental para iniciar debates que é o aprofundamento, a pesquisa e o entendimento sobre o objeto daquilo ao qual nos referimos. É importante combater a ignorância, a qual todos nós estamos sujeitos, no entanto, há como sair de meras opiniões e adentrar no mundo do conhecimento. Os livros estão aí para isso! Viva o livro e salve a história do Brasil! Ela é você e sou eu também. A história somos todos nós!


Por Susana Savedra