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Literatura

“Achados e Perdidos”: O Auge da Trilogia Bill Hodges

Após um excelente começo para a trilogia Bill Hodges (leia nossa resenha para o primeiro livro, “Mr. Mercedes”), o autor americano Stephen King arrisca e compensa o leitor com um livro ainda melhor em “Achados e Perdidos”. A experiência do autor continua permitindo que ele use elementos antigos de forma criativa, evitando a mera repetição. Ele também continua alternando os pontos de vistas entre protagonista e antagonista, trazendo novos personagens, tão cativantes quanto os do livro anterior. 

Numa trama que lembra ligeiramente a de outro clássico de King, “Misery – Louca Obsessão”, Bill Hodges está atuando como investigador independente, com a parceria de Holly Gibney, na agência que dá título ao livro. Eles devem tentar salvar o adolescente Peter Saubers da fúria de Morris Bellamy, um psicopata tão cruel (e tão bem-construído na história) quanto o Assassino do Mercedes. A motivação do vilão é a busca pelos valiosos manuscritos de seu ídolo literário, pelo qual é perigosamente obcecado, o famoso autor John Rothstein. Quando Peter Saubers encontra o material perdido acidentalmente, não fazia ideia do perigo. Bellamy matou seu ídolo para conseguir o que queria, e não medirá esforços nem crueldade para recuperar seu tesouro perdido.

A narrativa vem no mesmo estilo do primeiro livro: não-linear, apresentada de forma que o leitor não fica perdido e com uma agilidade que conversa com a tensão de cada momento. Os mesmos toques de suspense e humor nos prendem mais ainda, principalmente nas partes com Holly, personagem que cresce inesperadamente no primeiro livro para ser uma das melhores neste volume, atuando diretamente como parceira de Hodges.

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Peter e Morris, os principais personagens novos, são ambos uma excelente adição ao elenco e conduzem o leitor durante toda a primeira parte do livro. Somos apresentados a suas vidas, e até identificamos a paixão que o adolescente e o assassino tem em comum pela obra de Rothstein. Suas relações com suas respectivas famílias lhes afetam profundamente, e explicam suas motivações, tornando-os personagens humanos e críveis. 

Por incrível que pareça, a ausência dos personagens antigos na primeira parte do livro não é algo ruim, pois foi feito da maneira certa. A estratégia de King é dar pequenas dicas de como a história dos novos personagens desenrolou-se nas mesmas ruas e locais que conhecemos do primeiro livro. A própria vida de Peter foi afetada pelo atentado do Mercedes e descobrir estas e outras ligações é um dos melhores traços no livro, pois não estão ali para “agradar aos fãs” do primeiro livro, estão ali organicamente, porque aconteceram na mesma cidade, nos mesmos bairros e nas mesmas ruas. Quando Hodges entra na história, quase no meio do livro, é de forma natural.

A trama é conduzida sem enrolação (ao contrário de alguns livros de King que podem ser dolorosamente arrastados), e quando menos se espera, estamos no final, porém satisfeitos. Além das ligações com o primeiro livro, este também dá moderadamente dicas do que Hodges precisará enfrentar futuramente.

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A coragem em conduzir boa parte do livro sem os personagens antigos, ritmo satisfatoriamente rápido e ligações com o passado e futuro da trilogia, tornam este livro o melhor dela. Se “Mr. Mercedes” trouxe Stephen King em sua melhor forma, “Achados e Perdidos” é, definitivamente o ex-detetive Bill Hodges em sua melhor forma, nos deixando ansiosos pelo “Último Turno”.

“Achados e Perdidos”
Autor: Stephen King
Tradução: Regiane Winarski
352 páginas
Editora: Suma de Letras

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Written By

Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

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