De um projeto solo de Dave Grohl após o fim do Nirvana ao Palco Mundo do Rock in Rio 2026, o Foo Fighters construiu uma trajetória marcada por luto, renascimento e guitarras no volume máximo
Foo Fighters e Rock in Rio é uma daquelas combinações que já chegam com cheiro de show histórico. No dia 4 de setembro, a banda liderada por Dave Grohl abre o Rock in Rio 2026 no Palco Mundo, em uma noite que ainda terá Rise Against, The Hives e Nova Twins no mesmo palco. Sim, pode preparar o pescoço: a pancada vem.
Mas antes de chegar a esse reencontro com o público brasileiro, vale lembrar de onde veio essa banda. Porque o Foo Fighters não nasceu de um plano de marketing, de uma estratégia perfeita ou de uma grande reunião de executivos tentando fabricar o próximo fenômeno do rock.
Nasceu de uma perda.
E talvez seja por isso que, até hoje, exista algo tão humano por trás do barulho.
Foo Fighters e Rock in Rio: Uma história que começa com silêncio
A história começa em 1994, quando Kurt Cobain morre e o Nirvana chega ao fim. De repente, Dave Grohl, baterista da banda que mudou o rock dos anos 1990, estava sem grupo, sem rumo claro e com uma pergunta enorme na cabeça: o que fazer agora?
A resposta veio da forma mais direta possível: música.
Grohl entrou em estúdio e gravou um álbum praticamente sozinho. Tocou bateria, guitarra, baixo, cantou e colocou para fora músicas que, em outro contexto, talvez nunca tivessem deixado o quarto. O projeto nasceu quase como uma necessidade emocional, uma tentativa de continuar respirando artisticamente depois de um fim cruel.
A ideia original nem era virar banda. Dave não queria ser apenas “o baterista do Nirvana tentando cantar”. Por isso, distribuiu fitas para amigos sem transformar aquilo em um grande anúncio público. Queria que a música falasse antes do sobrenome artístico.
E, para manter o anonimato, inventou um nome.

Por que Foo Fighters?
O nome Foo Fighters veio de um termo usado por pilotos durante a Segunda Guerra Mundial para se referir a objetos voadores não identificados. Dave Grohl gostava de histórias sobre OVNIs e escolheu o nome justamente por soar como algo coletivo, quase como se já existisse uma banda por trás daquelas músicas.
A jogada funcionou.
Muita gente realmente achou que Foo Fighters era uma banda completa. As fitas começaram a circular, gravadoras se interessaram, e Grohl precisou fazer aquilo virar realidade. Ou seja: primeiro veio o fantasma de uma banda. Depois, a banda precisou nascer de verdade.
Em 1995, o primeiro disco foi lançado. Era cru, direto, cheio de energia e carregava aquele sentimento estranho de recomeço. Não parecia uma tentativa de copiar o Nirvana. Parecia outra coisa. Uma mistura de catarse, urgência e vontade de seguir em frente.
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O disco que mudou tudo
Se o primeiro álbum mostrou que o Foo Fighters existia, The Colour and the Shape, de 1997, provou que a banda tinha vindo para ficar. Foi nesse disco que surgiram músicas como “Everlong” e “My Hero”, duas faixas que ajudaram a transformar o grupo em um dos nomes mais importantes do rock alternativo. A Recording Academy destaca que o segundo álbum da banda foi o primeiro a entrar no Top 10 da Billboard 200.
“Everlong”, especialmente, virou algo maior do que uma música. Virou hino. Daqueles que atravessam gerações, aparecem em setlists, trilhas, vídeos emocionados, casamentos, despedidas e qualquer momento em que alguém precisa fingir que está tudo bem enquanto grita por dentro.
Foi também nesse período que o Foo Fighters começou a deixar de ser “a banda do Dave Grohl” para se tornar uma banda de verdade. Com identidade própria, público próprio e uma energia de palco que, com o tempo, viraria marca registrada.
Taylor Hawkins e a alma do Foo Fighters
A chegada de Taylor Hawkins mudou tudo. O baterista entrou na banda após a conclusão de The Colour and the Shape e rapidamente se tornou mais do que um músico de apoio. Ele virou parceiro, contraponto, amigo e uma espécie de alma gêmea artística de Dave Grohl. A própria Pitchfork registra que Hawkins entrou para o Foo Fighters depois do álbum de 1997 e seguiu como integrante da banda desde então.
A química entre os dois era uma parte essencial da experiência Foo Fighters. Dave vinha da bateria. Taylor também era um baterista expansivo, carismático, técnico e divertido. Juntos, eles criaram uma dinâmica rara: dois músicos com energia de frontman dentro da mesma banda.
Por isso, quando Taylor morreu em março de 2022, durante uma turnê pela América do Sul, muita gente teve a sensação de que o Foo Fighters talvez não voltasse. Não seria estranho. Algumas perdas mudam completamente o peso de uma banda. E aquela, claramente, mudou.
Mas o Foo Fighters sempre foi uma banda sobre continuar.
Mesmo quando continuar parece impossível.

A banda que se recusa a desistir
Em 2023, o Foo Fighters voltou com But Here We Are, um álbum atravessado por luto, ausência e tentativa de reconstrução. Não era apenas mais um disco. Era uma resposta emocional a tudo o que tinha acontecido.
Depois, em 2026, veio Your Favorite Toy, anunciado como o 12º álbum de estúdio do grupo. O disco marcou uma nova fase da banda, agora com Ilan Rubin na bateria, ao lado de Dave Grohl, Nate Mendel, Chris Shiflett, Pat Smear e Rami Jaffee.
Essa capacidade de transformar dor em música talvez seja o centro da história do Foo Fighters. A banda nasceu depois do fim do Nirvana, se reinventou após mudanças de formação, atravessou a morte de Taylor Hawkins e continuou encontrando uma forma de subir no palco.
Não como se nada tivesse acontecido.
Mas justamente porque aconteceu.
15 Grammys, Hall da Fama e um lugar gigante no rock
Os números também ajudam a explicar o tamanho dessa trajetória. O Foo Fighters soma 15 vitórias no Grammy e 34 indicações, segundo a Recording Academy. A banda também entrou para o Rock & Roll Hall of Fame em 2021, no primeiro ano em que se tornou elegível, com indução feita por Paul McCartney.
Mas talvez o impacto real do Foo Fighters não esteja só nas estatuetas. Está no fato de que a banda se tornou um dos últimos grandes símbolos de um tipo de rock que ainda acredita em palco, suor, guitarra alta e refrão gritado junto.
Em tempos de consumo rápido, algoritmos e músicas feitas para caber em cortes de quinze segundos, o Foo Fighters segue defendendo uma ideia quase teimosa: rock ainda precisa parecer vivo.
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O que esperar do Foo Fighters no Rock in Rio 2026?
No Rock in Rio 2026, a banda chega como headliner do dia 4 de setembro no Palco Mundo. E a expectativa é simples: um show grande, emocional e barulhento do jeito que o público brasileiro gosta.
É bem provável que clássicos como “Everlong”, “My Hero”, “Best of You”, “The Pretender”, “Learn to Fly” e “All My Life” apareçam no repertório. Mas, com a fase nova da banda, também existe espaço para músicas mais recentes e para um show que misture celebração, memória e recomeço.
Porque Foo Fighters nunca foi só sobre tocar alto. Foi sobre continuar tocando mesmo quando a vida tentou silenciar tudo.
E talvez seja por isso que a banda ainda consiga lotar estádios, atravessar gerações e transformar cada show em uma espécie de ritual coletivo. Dave Grohl perdeu o melhor amigo, criou uma banda para não desaparecer dentro da própria dor e, décadas depois, segue liderando uma das histórias mais improváveis e bonitas do rock moderno.
Agora, essa história chega mais uma vez ao Brasil.
E aí, qual música do Foo Fighters você precisa ouvir ao vivo antes de morrer?
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio


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