Liderado pelo carisma avassalador de Oliver Sykes e um espetáculo visual de última geração, o quinteto britânico transformou a Cidade do Rock em uma arena de transe, mosh pits e devoção ao metal moderno
O Bring Me the Horizon chegou propondo uma profunda mudança de cenário no segundo dia de Rock in Rio 2026. Se o Palco Mundo flertou com certo desconforto e apatia da plateia durante a apresentação anteriores na mesma noite — com o público reagindo de forma fria e até hostil a propostas como a de MGK (em outros tempos tomaria vaia e garrafas plásticas) —, com a entrada dos britânicos na noite deste sábado (5) a conversa foi definitivamente outra. O que se viu no gramado da Cidade do Rock não foi apenas mais uma apresentação técnica de um dos conjuntos de som pesado mais amados da cena atual, mas sim o ápice da comunhão entre artista e público que todo grande festival sonha em registrar. O BMTH não apenas tocou para a multidão; ele assumiu as rédeas do festival, orquestrando um pandemônio rigorosamente calculado de gritos, poeira e mosh pits para entregar, sem qualquer margem para dúvidas, um dos melhores shows da edição até aqui.
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A apresentação ancorou-se em dois eixos fundamentais: a escala épica da produção e o magnetismo de seu líder. No aspecto técnico, a banda ofereceu uma utilização inteligente e imersiva da nova infraestrutura de LED do Palco Mundo. Com uma estética impecável que mesclava a brutalidade do metalcore com a linguagem dos videogames – no Allianz Park, em São Paulo, em 2024, a temática era “Final Fantasy”, no Rock in Rio foi “Resident Evil” -, a nova configuração do palco deu espaço, projeções de catedrais góticas, demônios digitais e scanners interativos que jogavam a imagem de Sykes e dos próprios fãs nas telas, a cenografia expandiu a sonoridade do grupo usando a tecnlogia com muito bom humor também, como no momento em que integrantes da equipe são identificados com um gráfico de diabinhos enquanto a banda e os fãs apareciam com auréolas de santos. Quando as labaredas de fogo e o vapor de CO2 explodiam em sincronia com o peso das guitarras, o Bring Me the Horizon parecia grande demais para o próprio palco.

No centro desse furacão estava Oliver Sykes. Com carisma e ostentando uma conexão com o Brasil que vai muito além do protocolo de palco, o frontman dominou a plateia em um português afiado e espontâneo. O vocalista transitou pela passarela, desceu para os braços do povo no gargarejo e regou a apresentação com bordões que levaram a multidão ao delírio. De um genuíno “Nossa Senhora!” solto entre uma berreira e outra até piadas virais sobre “ter CPF” e “ter Pix”, Sykes parecia em casa. Essa simbiose atingiu o ponto máximo em “Pray for Plagues”, quando o cantor dividiu o microfone com um fã da plateia, entregando um dos momentos mais orgânicos e memoráveis de toda a noite.
Houve espaço até para um radical karaokê ao vivo, quando o vocalista convocou ao palco um fã para cantar com ele “Pray for Plagues”. E Geipis não fez feio, travando uma verdadeira batalha de urros na canção com seu ídolo.
Musicalmente, o setlist foi uma tempestade sem trégua que costurou o passado extremo do grupo ao presente altamente eletrônico e melódico. Hinos como “The House of Wolves” e “Happy Song” transformaram o gramado em um mar de rodas punitivas, enquanto “Teardrops” e “Shadow Moses” provocaram coros ensurdecedores que rivalizavam com a própria potência do sistema de som. A sequência com a visceral “Kingslayer” e a recente “Dehumanized” mostrou uma banda no auge de sua forma física e criativa, culminando na apoteose emocional de “Can You Feel My Heart”, cantada em uníssono por dezenas de milhares de vozes.

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O Bring Me the Horizon saiu do Palco Mundo deixando uma mensagem cristalina para a indústria e para a organização do evento: a banda está totalmente pronta para assumir o topo do cartaz como headliner absoluto de qualquer grande festival do planeta. Em uma noite em que o rock alternou entre a tradição e a dúvida, o quinteto de Sheffield provou que o futuro do gênero é hiperconectado, agressivo e incrivelmente vibrante.
Setlist BMTH
- DArkSide
- The House of Wolves
- Happy Song
- Teardrops
- Dehumanized
- Project Angel Dust / Kool-Aid
- Shadow Moses
- Itch for the Cure (When Will We Be Free?) / Kingslayer
- Pray for Plagues
- Doomed
- Drown
- Throne
- Can You Feel My Heart
Imagem destacada: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@AlexWoloc)


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