8 de dezembro de 2019

Lá em 2013, na conferência da E3, a Microsoft revelava ao mundo seu console da oitava geração, o “Xbox One”. Não é segredo que o lançamento, no entanto, foi um completo desastre. Do outro lado, o “PlayStation 4” da Sony ocupou seu tempo na conferência apresentando um pouco de tudo que seus fãs queriam.

Havia (na verdade ainda há) essa “guerra dos consoles”, onde fãs de cada lado ficariam nos anos seguintes se provocando sobre qual console era superior… E talvez a “derrota” da Microsoft no lançamento, seja a prova de que, quando estamos perdendo, devemos mudar táticas.

Não se trata de um texto que pretende defender mais um do que outro: é uma reflexão de como uma empresa ouviu seus fãs e o público, e se concentrou em entregar um serviço melhor, em vez de ficar “trollando” na internet por quem é melhor ou pior.

A família Xbox veio ao mundo com o console de mesmo nome, foi lançado em 2002, fazendo parte da sexta geração de consoles, competindo diretamente com o PlayStation 2, o Dreamcast, da Sega, e o Gamecube, da Nintendo. O console nunca fora lançado oficialmente no Brasil, mas fez um sucesso razoável nos EUA, diferenciando-se de sua concorrência pela rede Xbox Live. O serviço, que prestava suporte e hospedava as partidas online no console, apesar de ser pago (ao contrário de sua concorrência), conseguiu destacar-se por sua qualidade. Os preços elevados foram outro grande fator que impediram um maior sucesso.

Foi em 2005, com o Xbox 360, que a gigante americana mostraria suas garras para o mercado dos videogames. Seus concorrentes foram o PlayStation 3 e o Nintendo Wii. Além de grandes sucessos em sua biblioteca de jogos, também possibilitava o acesso a outros conteúdos online, como vídeos em streaming, acesso a conteúdo multimídia em DVD’s ou conectados via porta USB, além de continuar contando com os serviços multiplayer do Xbox Live. Houve alguns problemas sérios de hardware em seu lançamento (pergunte sobre as “3 Luzes Vermelhas” ou “3 Luzes da Morte”, e você encontrará fãs traumatizados), mas estes seriam resolvidos nos anos seguintes. O console ganharia novas versões, como a Elite e Slim.

Como o Xbox One conseguiu virar o jogo

A apresentação do console havia sido realmente um desastre. Com as facilidades do mundo moderno, pudemos assistir a transmissão em casa, e felizmente, estávamos longe de objetos perigosos no momento: praticamente nada relevante sobre jogos era falado. Falou-se muito das funções online e multimídia, e a sensação era a de que nos era “vendido” um eletrodoméstico qualquer. A impressão negativa gerada por essa apresentação seria sentida ainda por vários anos.

No entanto, em 2014, Phil Spencer assumiria a presidência da marca Xbox. Não é exagero dizer que seu trabalho salvou o console do fracasso. Com um foco muito maior no público gamer, ele admitiria os erros feitos e iniciaria os trabalhos que, a muito custo, provariam que vale a pena sim ter um Xbox One.

Um dos momentos mais marcantes nessa mudança, certamente foi o anúncio da Retro compatibilidade, o recurso tão pedido pelos gamers que tornaria o fortíssimo catálogo do Xbox 360 jogável na geração atual. Ciente da capacidade de boicote da comunidade gamer, Spencer cautelosamente deixa bem claro já no anúncio que a inclusão de um jogo na retro compatibilidade, dependeria dos desenvolvedores e distribuidores dos títulos.

A função, aliada ao Games With Gold trouxe outro grande peso para a marca: os assinantes que recebiam dois títulos de Xbox One gratuitamente a cada mês, passariam a ganhar também dois títulos retro compatíveis de Xbox 360. Do total de quatro jogos que os assinantes receberiam por mês, é claro que nem sempre grandes títulos eram fornecidos, mas ocasionalmente estes apareciam, sendo mais frequentes bons games indie ou títulos que eram antecessores de algum grande lançamento que estava saindo na época.

Com uma nova versão já no mercado, o Xbox One S, seria anunciado na última conferência da E3 uma novidade que parece ser o próximo grande salto para a marca.

Screenshot de um teste técnico do Scorpio, com “Forza”

Projeto Scorpio e o futuro do Xbox

Com o codinome Projeto Scorpio, o novo console da família Xbox One deverá chegar às prateleiras a tempo do Natal de 2017, ao menos para o mercado Norte Americano. Com um poderoso hardware, conforme recentemente publicado, ele promete ser o console mais potente já lançado na história.

Enquanto maiores detalhes devam ser revelados apenas na E3, agora em Junho, as expectativas estão altas. Deveremos ver gráficos e resolução 4K nativa nos jogos, além da total compatibilidade com os acessórios Xbox One. Enquanto tudo faz parecer que o Scorpio seja, na verdade, um console novo, a Microsoft garante que ele é uma nova variação do Xbox One, ainda integrante da oitava geração de consoles. De fato, Aaron Greenberg, chefe de marketing da marca, defende que a nova e potente máquina é parte de um futuro “sem gerações de consoles”.

Certamente, o Scorpio é também um risco. Não sabemos ainda grandes detalhes sobre preço, nem vimos suas diferenças de forma mais prática, além de algumas poucas demonstrações que temos visto na rede ultimamente.

Por outro lado, a gigante americana mostrou que fazer bons consoles não é uma exclusividade das marcas asiáticas. Em vez de competir diretamente com outros consoles e seus jogos exclusivos, o Xbox buscou melhorar suas funções e atender aos pedidos dos fãs.

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Cesar Rezende

Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

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