O mundo da espionagem russa, da KGB e de similares, sempre despertou o interesse do público e sempre foi alvo de diversos produtos da cultura pop. Vale dizer, logo de cara, que boa parte deles acaba sendo carregado de esteriótipos provenientes ainda da época da Guerra Fria, sobretudo naquilo que é de origem norte-americana e que tanto existia durante a segunda metade do século XX como ainda hoje. Assim, é possível mencionar a Viúva Negra, personagem dos “Vingadores” como exemplo, ou ainda os recentes filmes “Operação Red Sparrow” e “Atômica”No entanto, até por ser uma temática um tanto desgastada, não é garantia que toda obra que a representa, faça isso com qualidade. Como é “Anna – O Perigo Tem Nome”, então?

Talvez seja uma boa combinação do resultado de um realizador que pensa ter uma obra mais complexa do que de fato é com um amontoado de clichês do gênero. “Anna – O Perigo Tem Nome” não inova e, na realidade, essa não é exatamente uma questão problemática, porém que torna-se um problema na medida em que várias cenas de ação são confusas e mal coreografadas. Outros momentos, que exigiriam tensão, não possuem direção afiada o suficiente para conferir tal sensação ao espectador. Dessa forma, várias sequências do longa dão a impressão de já terem sido vistas antes, o que não deixa de ser mentira, de certa forma. Mesmo outros aspectos como a protagonista e sua origem parecem reciclados, bem como outros personagens apresentados ao longo de toda projeção. O companheiro russo da protagonista, de aparente personalidade implacável está lá, assim como o americano da CIA que, embora apareça como antagonista, acaba se aproximando de Anna.

Por outro lado, a montagem e o roteiro tampouco ajudam na solidez do filme, uma vez que são rocambolescos e confusos. Poderíamos ter um filme mais simples e eficiente, mas temos um mais complicado, mais pretensioso. Se a tentativa foi de dar alguma profundidade ao material apresentado, acabam só falhando e enchendo a duração de “Anna” de plot twists vazios e nada inventivos que, ao serem usados, anestesiam o espectador e banalizam tal recurso. Chegamos a observar três ou quatro vezes tal elemento, que retoma cenas já assistidas do próprio filme, porém com informações antes omitidas do público. Não só é em quantidade exagerada, como não é feito de forma orgânica, inteligente. É algo que, mesmo sendo usado apenas uma vez, já poderia ser problemático dependendo de como fosse feito.

Dessa forma, “Anna” acaba sendo um tanto genérico e esquecível, mesmo dentro de uma temática tão popular. Pode até divertir, mas peca ao não apresentar personalidade em nenhum aspecto. Nem mesmo o fato de 0 filme se passar numa determinada época é aparente durante o longa, o que poderia aferir certo charme a ele. Na realidade, só temos a dimensão do período através de uns ou outros elementos presentes de forma mais discreta. Não temos uma má produção, necessariamente, mas uma produção que não chama atenção para si. Que não envolve o espectador e o recompensa pela atenção dada aos minutos de tela assistidos.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Paris Filmes

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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