Crítica: De volta para casa

A vida por trás de todo glamour da indústria cinematográfica hollywoodiana é uma temática que geralmente rende tramas interessantes. Mas para além do estrelato, trazer as narrativas das pessoas indiretamente envolvidas na indústria é uma abordagem menos usual. E é nessa linha que o novo longa da bela ganhadora do Oscar Reese Witherspoon. De volta para casa” desenvolve sua história, contando a história da nada glamorosa vida de Alice Kinney, filha de um importante diretor e cineasta americano.

Alice, filha de atriz com diretor, é uma criança adorável e, como é de se esperar, com um futuro promissor! Criada em uma das cidades mais importantes do mundo, a jovem cresce cercada de carinho e vê sua vida se tornar… uma grande frustração. Ao se separar do marido Austen (Michael Sheen) com quem morava em Nova Iorque junto com suas duas filhas, Alice decide voltar a morar em sua cidade natal. Após o término de um longo casamento e com duas filhas pequenas em uma nova cidade, a falta de estrutura que se torna a vida da protagonista se mistura com o sentimento nostálgico de retornar ao local onde guarda as principais lembranças de seu pai.

Em paralelo, três talentosos jovens tentam a sorte na indústria cinematográfica. Com a cara e a coragem inscrevem-se em um festival onde, como o seu bom filme, começam a vislumbrar oportunidades interessantes. O grande problema é que (como já diria vovó) sonhos não enchem barriga. E batalhar oportunidades vai se mostrando um desafio não só de talento, mas também financeiro.

E é no aniversário de 40 anos de Alice que essas duas histórias se encontram. Um flerte com um rapaz pouco mais de 10 anos mais novo leva para dentro da casa do renomado cineasta esses três jovens sonhadores, que com uma ajudinha de Lilian Stwart (mãe de Alice docemente interpretada por Candice Bergen) passam a morar na casa de hóspedes. A relação entre os jovens e essa família de mulheres se transforma em um convívio terno, parceiro e que muda completamente a perspectiva de todos frente aos próprios desafios.

A trilha assinada por John Debney é majoritariamente instrumental e de bom gosto, realçando a ideia de uma Alice que, apesar dos pesares, é requintada e solar. Assim também é a fotografia que traz uma atmosfera que remete a uma Los Angeles ensolarada e alegre, reforçando os traços leves do filme.

O contexto da trama é contado com uma delicadeza inspiradora, o que pode estar relacionado ao fato de ser um filme escrito e dirigido por uma mulher – Hallie Meyers-Shyer. Nessa pegada, o longa tem uma tendência de mostrar a felicidade em ser mulher e se bastar, desconstruindo aos poucos a saga pelo príncipe encantado que rodeia a cabeça das meninas desde muito cedo. No entanto, mesmo esse desprendimento se dá em função de uma figura masculina, o que não tira o mérito da proposta mas não cumpre o papel de colocar a mulher como protagonista de seu próprio destino. Uma outra questão que deve ser falada é que mesmo com diálogos de mais de um minuto entre mulheres, o tema central dos assuntos são homens, fazendo com que não “passe” pelo teste de Bechdel.

O filme é um forte concorrente à programação da sessão da tarde, mas ainda é uma noção leve para curtir em família.

Crítica: De volta para casa
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