Você já ouviu falar em um mundo dividido? Hum… Com certeza, já. Hoje em dia, o que mais ouvimos são opiniões controversas, países que não conseguem entrar em um acordo com as suas leis, pessoas lutando pelo poder, etc.

Em “A Rainha vermelha”, vemos uma luta, a luta de um povo que é oprimido, mas que não deseja mais ficar assim. Essas pessoas são divididas entre as de sangue vermelho e as pessoas de sangue prata.

As de sangue vermelho são consideradas a escória, pessoas que não têm nenhum tipo de aptidão. Já as de de sangue prata são consideradas de elite, pois possuem poderes realmente especiais, assim eles acabam se colocando no patamar de carrascos dos de sangue vermelho.

No meio desse povo encontramos Mare – uma menina que sempre achou que morreria em um campo de batalha –, uma vez que ao completar 18 anos qualquer pessoa de sangue vermelho que não tem nenhuma profissão vai para o exército lutar em uma guerra que já dura 100 anos. Assim, ela sabe que se for não voltará. Porém, fatos surpreendentes acontecem e o destino de Mare muda para sempre. Ela é muito diferente de sua irmã, que foi treinada para ser costureira, e vive de furtos.

Prestes a completar 18 anos, Mare recebe uma ajuda inesperada e acaba entrando em um jogo político para ninguém botar defeito. Pois, ao conseguir trabalhar na prova real – um evento em que as jovens prateados representantes das grandes casas nobres demonstram todo o seu poder para serem escolhidas como princesa – ocorre um acidente e o que faz Mare ser salva é um poder que ela nunca imaginou ter, principalmente por ter o sangue vermelho. E assim começa o jogo político, uma vez que o rei – ou melhor – a rainha faz com que ela se passe por uma jovem prateada que há muito foi perdida.

O livro tem muitos elementos interessantes, pois ao mesmo tempo que lida com um povo fictício, Victoria Aveyard consegue trazer à tona todos os problemas sobre diferença que vemos no mundo hoje em dia, podendo ser comparado com a questão de raças e de poder aquisitivo.

A narrativa é muito boa e todos os elementos foram muito bem construídos, a sensação ao ler “A Rainha Vermelha” é a de que a qualquer momento pode acontecer algo completamente inesperado, colocando um a personagem principal em um caminho completamente diferente do que seria o normal.

Nas suas 419 páginas, temos muitos conflitos, intrigas e uma busca da personagem por si mesma. Além disso, ainda há história dos irmãos mais velhos de Mare, uma vez que quando ela faz o acordo com o rei, ela consegue com que eles sejam dispensados do exército e voltem para casa. Porém, apenas um volta, o outro é dado como morto, no entanto, Mare descobre que de alguma forma o copo de seu irmão desapareceu. Ficando assim a dúvida se ele estaria realmente morto.

Além disso, a história é narrada em primeira pessoa, sempre na perspectiva de Mare, fazendo com que nós, leitores, sejamos influenciados pela perspectiva da personagem a respeito sobre tudo o que ocorre ao longo da narrativa.

Um fato simples de ser percebido é que ela é movida pela paixão, além de uma busca desenfreada por mudanças, fazendo com que não perceba muita coisa que ocorre a sua volta.

Encontramos em “A Rainha Vermelha” uma história envolvente e de luta, que mesmo que ensaie um romance entre alguns personagens esse romance não vai a frente, uma vez que Mare está totalmente envolvida pela sua causa: Libertar os vermelhos.

Assim, Victoria Aveyard nos traz uma complexa, com uma disputa digna de políticos que vemos todos os dias por aí, com um toque de fantasia surpreendente e que vale a pena ser lida.